11 Novembro 2009

LÉVI-STRAUSS PARA PRINCIPIANTES



Para Estudantes de Antropologia e Ciências Sociais.

Acesse em Língua Espanhola: LÉVI-STRAUSS PARA PRINCIPIANTES:
http://www.scribd.com/doc/20258081/Levi-Strauss-Para-Principiantes

10 Novembro 2009

UNIVERSIDADE HOJE

FRASES PARA REFLETIR:

"(...) temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e temos no Brasil mais faculdades de medicina do que toda a Europa. Estamos enganando jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados, na recente inscrição para emprego de garis no Rio se inscreveram 2.000 com curso superior." (Blog de Luis Nassif)

"O que se viu naquela, digamos, “universidade” é sintoma de uma doença que corrói o ensino universitário brasileiro, que está no auge de sua expansão bárbara. Bárbara mesmo! Agora é o dinheiro público que financia a tomada de poder pelos hunos." (Blog de Reinaldo Azevedo)

"O caso da moça da saia curta na Uniban, que culminou na surpreendente e absurda decisão da universidade de expulsar a aluna e apenas suspender os agressores, coloca em evidência o segmento das universidades populares, outro fenômeno criado pelo fortalecimento da Nova Classe Média Brasileira nos últimos anos." (BlueBus)

08 Novembro 2009

Um explorador ávido e interessado apenas na humanidade


Larry Rohter, THE NEW YORK TIMES

Seu trabalho mais celebrado, Trites Trópicos, começa com as palavras “Eu odeio viajar e odeio exploradores”. Mas o que fez do antropólogo e filósofo Claude Lévi-Strauss um dos grandes intelectuais do século 20 foi justamente sua avidez pela exploração – não apenas em selvas remotas e sociedades isoladas, mas também os cantos mais distantes da mente humana.
Como um dos pais da escola de pensamento que veio a ser conhecida como estruturalismo, Lévi-Strauss, morto na semana passada, a um mês de seu 101º aniversário, estava sempre à procura de padrões universais, ligações e modos de organização e pensamento. Em sua busca ele iria a qualquer lugar, com uma mente notavelmente aberta e olhos e ouvidos atentos, expostos em Tristes trópicos.
Em 1978 eu fiz minha primeira viagem como repórter à Floresta Amazônica, com um edição em brochura de Tristes trópicos, com uma capa de cor laranja e branco.
Era o único livro enfiado em minha bagagem. Havia se passado cerca de 40 anos desde que Lévi-Strauss, então com cerca de 30 anos de idade, entrara pela primeira vez naquela mesma selva, e eu estava curioso para saber se algo restava daquele mundo que o francês encontrara e descrevera com uma prosa tão maravilhosa e agridoce.
Muita coisa havia mudado. Em vez da precária trilha que ele seguira, orientando-se por postes telegráficos, agora havia uma rodovia, a BR-364, cujas beiradas estavam cada vez mais povoadas com camponeses famintos trazidos de outras partes do Brasil pelo governo militar – um esforço para encorajar a ocupação da Amazônia.
Mas nas mesmas margens da rodovia, ainda era possível achar membros do povo indígena dos nambikwara, muitos deles alquebrados, bêbados ou dementes. Dos quatro grupos com os quais LéviStrauss conviveu – os outros foram os bororos, os caduveos e os kawahibs – ele pareceu particularmente comovido com a saga dos nambikwara. A estrutura familiar e a vida social desses índios viraram o tema de sua tese de doutorado em seu retorno à Europa, em 1939.

Ao escrever sobre os nambikwara, Lévi-Strauss previu o drama e a tragédia de um povo cuja cultura e modo de vida já estavam, naquele momento, claramente condenados. Então, ele foi meticuloso ao documentar tantos aspectos diferentes de sua vida quanto fossem possíveis, das relações entre os sexos e a construção de abrigos à sua dieta, animais de estimação e coleta de pérolas. Antropólogos brasileiros dizem que ainda hoje circulam histórias entre os nambikwaras sobre a visita do “Professor Levi”.
O pensador pode ter sido ainda mais perceptivo em suas observações sobre os caboclos, os mestiços assimilados pela cultura portuguesa que dominavam a região.
Suas descrições de seu comportamento e vestuário foram impressionantemente acuradas. Em minhas próprias viagens, eu com frequência ouvi um modo de falar bastante interessante, que LéviStrauss registrou em Tristes trópicose eu atribuí erronaneamente ao domínio imperfeito que o autor tinha da língua portuguesa.
Um exemplo de outra viagem permanece vívido depois de todos esses anos. Navegando Amazonas abaixo em 1979, encontrei vários barqueiros que ainda acreditavam que o rio era infestado de sereias e monstros. Reconheci vários daqueles mitos descritos em Tristes trópicos. Numa manhã, paramos num assentamento chamado Santo Antônio do Iça: pegaríamos uma carga de borracha e descarregariamos um lote de papel higiênico e refrigerantes. Enquanto matava o tempo no único mercado do vilarejo, comentei com o proprietário do lugar que suas prateleiras estavam vazias.
– Aqui só falta o que não tem – retrucou ele, uma frase que eu tinha lido pela primeira vez poucos dias antes, em Tristes trópicos.
Desde que Francisco de Orellana navegou pelo Amazonas em 1541, a maior floresta tropical do mundo já viu uma boa cota de aventureiros europeus. Mas LéviStrauss não veio procurando ouro, nem a mítica cidade de Eldorado, ou rios e montanhas para serem batizados em nome de algum patrono real da metrópole, nem mesmo de exemplares da flora e da fauna que levassem seu nome. Mais do que a selva, o que o interessava eram as pessoas que viviam lá, numa abordagem profundamente humanista.
Ainda circulam até hoje entre os índios da Amazônia histórias sobre o ‘Professor Levi’.

Domingo, 8 de Novembro de 2009

Lévi-Strauss e o espírito dos insetos


Sérgio Medeiros, TRADUTOR, ENSAÍSTA E POETA

A noção de que o mundo é povoado de outros sujeitos ou pessoas, além dos seres humanos, é uma concepção ameríndia, ou extra-ocidental, e pressupõe às vezes um monismo ao qual o pensamento ocidental (não a arte ocidental, bem entendido) parece resistir, como bem mostrou Philippe Descola, no seu já clássico Par-delà nature et culture (Gallimard, Paris, 2005). Descola é um dos mais ilustres herdeiros de Claude Lévi-Strauss, ao lado do brasileiro Eduardo Viveiros de Castro. No livro citado, Descola chama a atenção, inicialmente, para a hierarquia entre objetos animados e inanimados. Os animais e as plantas, por possuírem alma e subjetividade, como os povos ameríndios reconhecem, perceberiam os seres humanos como outro, porém, não necessariamente como humanos, gente.
Para cada perspectiva, a sua pirâmide. Os insetos, no entanto, podem (ou não) ficar à margem dessa ordem (a comunidade das “pessoas”, num sentido amplo), correspondendo, entre os achuar, àquilo que chamamos “natureza”, ao lado dos peixes e das ervas, que parecem ser destituídos de alma. Essa concepção não-dualista do mundo pode, enfim, ser mais ou menos radical, nesta ou naquela tribo amazônica, menos entre os achuar e mais entre os makuna, por exemplo, onde o fenômeno é evidente.
No centro das cosmologias ameríndias deparamos, então, guiados pela crítica etnológica de Lévi-Strauss e de seus herdeiros, Philippe Descola e Eduardo Viveiros de Castro, com a complexa relação entre a subjetividade humana (e outras subjetividades, como deuses, espíritos, mortos) e os animais, relação que o perspectivismo tentará deslindar.
Se “os animais são gente, ou se vêem como pessoas”, eles possuiriam uma forma interna humana, a qual, geralmente, só os xamãs (seres transespecíficos) poderiam perceber.
“Essa forma interna”, esclarece Viveiros de Castro, “é o espírito do animal: uma intencionalidade ou subjetividade formalmente idêntica à consciência humana, materializável, digamos assim, em um esquema corporal humano oculto sob a máscara animal.” Os seres animados compartilhariam, como se pode deduzir, uma mesma essência, apenas sua forma visível difere, mas ela é enganosa, pois, no fundo, é uma “roupa” que se pode despir (concepção provavelmente panamericana).
A consulta aos quatro volumes das Mitológicas, de Claude LéviStrauss, sem dúvida fornece numerosos exemplos que confirmam a teoria perspectiva e lançam luz, ainda, sobre o papel dos insetos na origem da cultura. Aos insetos, como vimos, nega-se às vezes que tenham “alma”, mesmo em cosmogonias indígenas, que poderão inseri-los, simplesmente, no reino “natural”. Em O cru e o cozido (Cosacnaify, São Paulo, 2004), primeiro volume das Mitológicas, há várias referências a larvas e insetos, destacandose as formigas, dotadas de “espírito”: elas podem estar ligadas, segundo certos mitos, ao dom das plantas cultivadas (os seres humanos receberam seus bens culturais de animais, por mais humildes que estes pareçam). Os insetos, porém, são também “naturais”, e já estão presentes, de forma eloquente, num trabalho anterior de Lévi-Strauss, Tristes trópicos, alimentando-se de secreções ou embriagados pelo suor de suas vítimas. Nas palavras de LéviStrauss, descrevendo sua estada no Brasil central, “ávidos por suor, brigam pelos locais mais favoráveis, comissuras dos lábios, olhos e narinas onde, como que inebriados pelas secreções de sua vítima, preferem ser destruídos ali mesmo do que voar”.
A possibilidade, trazida à tona pelo perspectivismo, de utilizar textos de Lévi-Strauss como referência para estudar, no mundo contemporâneo, as fronteiras cada vez mais porosas ou indecidíveis entre humanos e não-humanos, entre natureza e cultura, talvez seja a maior prova da atualidade do seu pensamento.
Obra do pensador segue atual e pode ser usada para estudar a contemporaneidade
Sérgio Medeiros é professor de literatura na UFSC e autor, entre outros, de ‘O sexo vegetal ’ (Iluminuras, São Paulo, 2009), livro de poesia que retoma e desenvolve o tema do “vegetal sedutor”, estudado por Lévi-Strauss em sua obra.

Domingo, 8 de Novembro de 2009

03 Novembro 2009

PASSAMENTO DE LÉVI-STRAUSS


Paris, 3 nov (EFE).- O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século XX, famoso antropólogo e pai do enfoque estruturalista das ciências sociais, morreu no sábado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon.
A editora informou apenas sobre a morte de Lévi-Strauss sem dar mais detalhes sobre as causas ou o lugar onde aconteceu.
Lévi-Strauss, que teria completado 101 anos em 28 de novembro, influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
Devido à avançada idade, no ano passado, ele não participou pessoalmente dos atos comemorativos de seu centenário. Apesar de tudo, responsáveis do museu Quai Branly, onde há um auditório com o nome do antropólogo, disseram então que o intelectual se mantinha lúcido e em bom estado de saúde.
Francês nascido em Bruxelas em 1908, o autor de "Tristes Trópicos" trabalhou como professor na Universidade de São Paulo e na New School for Social Research de Nova York, antes de ser diretor associado do Museu do Homem de Paris e de lecionar no Collège de France até sua aposentadoria, em 1982.
Discípulo intelectual de Émile Durkheim e de Marcel Mauss, e interessado pela obra de Karl Marx, pela psicanálise de Sigmund Freud, pela lingustica de Ferdinand de Saussure e Roman Jakobson, pelo formalismo de Vladimir Propp, entre outros, era também um apaixonado pela música, geologia, botânica e astronomia.
As contribuições mais decisivas do trabalho de Lévi-Strauss podem ser resumida em três grandes temas: a teoria da aliança, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos.
A teoria da aliança defende que o parentesco tem mais a ver com a aliança entre duas famílias por casamento respectivo entre seus membros do que com a ascendência de um antepassado comum.
Além disso, para Lévi-Strauss, não existe uma "diferença significativa entre o pensamento primitivo e o civilizado", disse à Agência Efe o professor de antropologia Rafael Díaz Maderuelo, por ocasião dos 100 anos do intelectual.
A mente humana "organiza o conhecimento em pares binários e opostos que se organizam de acordo com a lógica" e "tanto o mito quanto a ciência são estruturados por pares de opostos relacionados logicamente", acrescentou. EFE

02 Novembro 2009

MPF aciona IPHAN


MPF aciona Iphan para fazer estudo sobre necessidades de seu quadro de pessoal/MG
quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O objetivo da ação é dar cumprimento a duas recomendações feitas pelo Tribunal de Contas da União. O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/MG) ajuizou ação civil pública perante a Justiça Federal em Belo Horizonte para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) apresente, em 60 dias, estudo que defina o quadro ideal de servidores e o quadro mínimo de cargos necessários ao bom funcionamento das suas unidades. O objetivo da ação é dar cumprimento a duas recomendações feitas pelo Tribunal de Contas da União(TCU), que, após auditoria no Programa Monumenta, verificou a existência de grave disfunção na área de recursos humanos do Iphan. O Iphan é o órgão que tem a função de proteger, fiscalizar, promover, estudar e pesquisar o patrimônio cultural brasileiro. No entanto, segundo o
MPF, essas atribuições não têm sido cumpridas a contento, porque o órgão carece de servidores em quantidade suficiente para atender à demanda. "De acordo com informações fornecidas pelo Departamento de Planejamento e Administração do Iphan, de um total de 1.663 cargos constantes da atual estrutura do instituto, 549 estão vagos, o que representa um déficit de quase um terço da força de trabalho", afirma a procuradora da República Zani Cajueiro. Além dos cargos vagos, ainda existe o problema da má distribuição dos servidores, com a concentração de pessoal em algumas superintendências. Ou seja, aparentemente, não há uma distribuição equilibrada dos servidores. "É certo que a distribuição de pessoal entre as superintendências deve levar em conta não só as peculiaridades de cada unidade como também a qualificação de
seu quadro atual, a demanda de serviços e a característica e a dimensão do patrimônio sob sua jurisdição. Mas, na prática, não é o que vem ocorrendo. E
isso pode ser percebido pelo acompanhamento das ações de fiscalização empreendidas pelo órgão em cada região." A procuradora da República exemplifica com o número de notificações expedidas pela Superintendência em Minas Gerais. Nos anos de 2007 e 2009, o Iphan expediu, respectivamente, duas, 11 e quatro notificações nas cidades
de Ouro Preto, Sabará e Congonhas. "Não se pode conceber que cidades históricas de tamanha importância e que vivenciam grave pressão antrópica tenham sofrido apenas esse número reduzidíssimo de mácula em seu patrimônio. Essa situação apenas reflete, na verdade, a falta de fiscalização, que, por sua vez, resulta da falta de pessoal suficiente para empreendê-la". O MPF alerta que as carências enfrentadas pelo Iphan vão muito além da lacuna em seus quadros de arquitetos e engenheiros. O quadro atual de funcionários, formado majoritariamente a partir da transferência de pessoal
de órgãos que antecederam ao instituto e da incorporação de servidores de entidades já extintas, passa também por outras dificuldades, porque esses funcionários, em alguns casos, não possuem formação ou qualificação necessárias para desempenhar as atividades finalísticas do instituto, existindo superintendências onde o quantitativo de servidores efetivos na área meio é maior do que aquele posto à disposição na área fim". "É preciso que o Iphan cumpra fielmente o que lhe foi determinado pela legislação e pela própria Constituição. O próprio TCU ressaltou os desvios na distribuição de cargos dentro da autarquia, bem como delineou a necessidade de que fossem estabelecidos um quadro mínimo de funcionários, um
quadro ideal e sua distribuição. Essa medida é fundamental, inclusive, para
subsidiar o número de vagas a serem providas por meio de concurso público', assinala o MPF. A ação recebeu o número 2009.38.00.028095-0.
PGR Notícias

Programa de Capacitação em Projetos Culturais - FGV


Lembramos que hoje é o último dia para inscrições no Curso de Nivelamento para as Oficinas Presenciais do Programa de Capacitação em Projetos Culturais do Ministério da Cultura.
Esse primeiro curso iniciar-se-á amanhã, dia 04/11.
Caso você não tenha se inscrito ainda clique no link abaixo e faça sua inscrição.
http://www5.fgv.br/fgvonline/minc/mailmkt/23_10_2009/mailmkt_minc_210909.html

Abraços, Suporte MinC

TEMPO DA CULTURA, TEMPO DAS CONFERÊNCIAS

(Joãozinho Ribeiro)

Neste último sábado, 31 de outubro, encerrou-se em caráter improrrogável a etapa municipal de realização das conferências de cultura em todo o país, etapa esta preparatória à II Conferência Nacional de Cultura – II CNC, que acontece de 11 a 14 de março do próximo ano. Os meses de novembro e dezembro do corrente estão reservados para a realização da etapa estadual, que deve se dar com uma grande mobilização em todos os estados da federação, visando, dentre outras questões, eleger os delegados para a II Conferência Nacional de Cultura.
O saldo preliminar apresentado na última 6ª feira (30/10) durante reunião presidida pelo Ministro da Cultura em exercício, Alfredo Manevy, pela Coordenação da II CNC, oferece dados que superam todo o resultado quantitativo obtido na mesma etapa (municipal) da I Conferência Nacional de Cultura, realizada em 2005. O balanço ainda incompleto da atual edição nos dá conta que todas as capitais brasileiras, sem exceção, realizarão suas respectivas conferências, fato que se estende também a todos os estados, incluindo o Distrito Federal, cuja conferência já aconteceu nos dias 23 e 24 de outubro.
Conforme dados apresentados ao Ministro da Cultura em exercício pelos Coordenadores da II CNC – Silvana Meireles (Geral) e Joãozinho Ribeiro (Executivo) – 1.607 (28,88%) municípios até a data de 29.10 haviam realizado com sucesso as suas respectivas conferências municipais ou intermunicipais de cultura, ultrapassando com grande margem o resultado obtido na mesma etapa em 2005. Dentro deste universo, 17 estados já haviam superado o índice de participação dos municípios, em relação a I Conferência Nacional de Cultura. Alguns estados, que na primeira edição da CNC sequer fizeram conferência em qualquer município, nesta, simplesmente atingiram a marca de cobertura de 100% dos municípios, como é o caso dos estados do Acre e de Roraima.
O Estado da Bahia, juntamente com o Acre, talvez sejam os exemplos de maior referência de organização do processo, com modelos singulares, que incluíram, além da etapa municipal, uma etapa territorial, qualificando sobremaneira o debate e a escolha dos delegados para as etapas seguintes. No caso da Bahia, os organizadores foram mais além, incluindo no próprio Decreto convocador da Conferência Estadual a previsão de realização da etapa setorial, visando a participação nas Pré-Conferências Setoriais, que acontecerão em janeiro de 2010 nas cinco macro-regiões do país.
As Pré-Conferências Setoriais de Cultura tem caráter mobilizador, propositivo e eletivo e são instâncias regionais da II Conferência Nacional de Cultura, relacionadas às áreas técnico-artísticas e de patrimônio cultural com assento no Conselho Nacional de Políticas Culturais – CNPC: 1)Arte Digital, 2)Artesanato, 3)Arquitetura, 4)Arquivo, Memória e Documentação, 5)Artes Visuais, 6)Audiovisual, 7)Bibliotecas, 8)Circo, 9)Culturas Afro-Brasileiras, 10)Culturas dos Povos Índigenas, 11)Culturas Populares, 12)Dança, 13)Design, 14)Livro, Leitura e Literatura, 15)Moda, 16)Museus, 17)Música, 18)Patrimônio Material, 19)Patrimônio Imaterial e 20)Teatro.
As plenárias das Pré-Conferências Setoriais de Cultura serão constituídas de delegações setoriais de todo o país, respeitando o equilíbrio entre as unidades da federação, escolhidas em processo de mobilização setorial, inclusive através de fóruns setoriais locais, orientados e supervisionados pelo Ministério da Cultura.
Esta semana está sendo considerada a semana da cultura, e o Congresso Nacional será o palco de grande mobilização de artistas, produtores e gestores culturais, nos dias 04 e 05 de novembro, visando a sensibilização dos parlamentares para agilização da votação dos projetos de lei e de propostas de emendas constitucionais que se encontram em tramitação na Câmara e no Senado e que integram a Agenda Legislativa da Cultura Brasileira.
Na qualidade de Coordenador Executivo da II Conferência Nacional de Cultura, acompanhei pessoalmente as Conferências dos municípios de Curitiba-PR, Goiânia-GO, Vitória-ES, Rio de Janeiro-RJ, São Bernardo do Campo-SP, Belém-PA e São Luís (Pré-Conferência), e saí de todas com uma impressão bastante positiva da qualidade dos debates e da participação popular, uma marca do Governo Lula, em cuja gestão já ocorreram 61 conferências das 100 que aconteceram desde a primeira, de saúde em 1941.
Esperamos que a II Conferência Estadual de Cultura do Maranhão, prevista para acontecer de 02 a 04 de dezembro próximo, possa expressar esta mesma qualificação e grau de participação que vem acontecendo em todo o país, a fim de que possamos ter um salto de qualidade no que diz respeito à implantação de uma política pública de cultura democrática, descentralizada e participativa.
Com ênfase neste propósito, faço minha as palavras da Ministra da Cultura da Espanha, Ángeles González-Sinde Reig, em artigo publicado recentemente na Folha de São Paulo (edição de 02/10), intitulado “O Tempo da Cultura”, quando da sua passagem pelo Brasil participando do 2º Congresso Ibero-Americano de Cultura:
“Não é fruto do acaso que as sociedades mais avançadas, as que contam com os melhores índices de bem-estar, sejam sempre aquelas em que a pluralidade e o acesso à cultura estão mais garantidos”.
“Evidentemente, é necessária a vontade dos governantes, mas também faz falta, e não em menor medida, a vontade dos meios de comunicação, dos empresários e, acima de tudo, da imensa maioria das cidadãs e cidadãos. Porque o tempo da cultura é o tempo da cidadania”.

01 Novembro 2009

Convite Departamento de Arquitetura e Urbanismo - UEMA

GENÉTICA - Cada macaco no seu galho


Franklin Rumjanek
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

A sociedade parece não se cansar de discutir a questão das raças humanas e a adequação de criar normas legais em favor deste ou daquele grupo minoritário. Embora se mantenha em nível dormente durante o ano, o debate é sazonal e adquire mais vigor nessa época, quando, juntamente com a primavera, começam as inscrições para os concursos de admissão às várias universidades públicas do país.
No âmbito da discussão racial, talvez já tenham sido apresentados quase todos os argumentos genéticos enfatizando a dificuldade de definir raças humanas, sem que se tenha conseguido convencer os defensores das cotas para negros ou outras etnias de que tal critério seria mais que imperfeito. As ponderações resvalam nas couraças dos militantes que acreditam que a prática da justiça social se restringe à cor da pele.
Macaco, eu? Aparentemente, genética e política são imiscíveis. Não obstante, aqui vai mais um argumento. Talvez a origem do problema esteja no fato de que as pessoas não sabem quem são biologicamente e onde se encaixam na natureza. Podemos propor um teste. Perguntem a seus semelhantes, ou a si mesmos: consideramse macacos ou não? E, se a resposta for não, por que não? É oportuno lembrar que chamar alguém de macaco é uma ofensa comum em conflitos envolvendo etnias diferentes. Enfim, passado o assombro (ou ultraje) inicial diante da indagação, virá a constatação de que a resposta não é trivial.
Apenas aqueles mais familiarizados com a prática da classificação dos seres vivos se sentirão à vontade para refletir que humanos e grandes macacos pertencem à mesma ordem dos primatas, à mesma superfamília dos Hominoidea, à mesma família dos Hominidae e também à subfamília dos Homininae.
Só quando chegamos ao gênero surge uma divisão que nos distingue, com base em alguns detalhes anatômicos. Nesse nível, os humanos são Homo, os chimpanzés e bonobos são Pan e os gorilas são Gorilla. Para todos os efeitos, no entanto, não há nada muito contundente contra a ideia de que os humanos podem também ser colocados entre os grandes macacos.
Assim, é válido comentar que, se não é tão fácil distinguir humanos de grandes macacos, seria uma grande pretensão opinar com tanta certeza sobre a identificação de raças, uma subdivisão muito mais sutil – se é que existe – dentro da população humana.
Raças? Recentemente, o geneticista indiano Aravinda Chakravarti lançou uma ideia que poderia ser facilmente testada e que colocaria uma pá de cal no assunto. Ele publicou um ensaio, na edição de 22 de janeiro (p. 380) da revista científica Nature, sobre o tópico de vínculos familiares e relações raciais. Após discorrer sobre a diversidade genética existente entre os seres humanos, Chakravarti propôs que, para confirmar a existência ou não de raças, os geneticistas deveriam se concentrar não nas populações, mas nos indivíduos.
Os estudos mais conhecidos realizados até agora compararam populações. Para fazer isso, no entanto, os geneticistas acreditaram, a priori, que os indivíduos que compõem as populações são homogêneos e que as populações comparadas é que são suficientemente diferentes umas das outras.
O caminho mais revelador, na opinião de Chakravarti, deveria ser o oposto.
O pesquisador sugere selecionar aleatoriamente indivíduos e registrar vários aspectos de cada um, como local de nascimento, naturalidade de seus pais, língua e outras características culturais que os unissem a grupos variados. Nos mesmos indivíduos seriam identificadas também as marcas genéticas, exatamente como se faz para montar bancos de dados de populações que normalmente são usados em investigação de paternidade e de identidade.
Com esses dados nas mãos, seria então possível buscar elementos comuns que permitiriam agrupar os indivíduos em populações distintas. As “raças” emergiriam daí. Ou, o que é mais provável, não. Com os equipamentos de análise de genoma já disponíveis, bastaria curiosidade e, claro, vontade política para resolver a pendenga.

Leia mais na revista Ciência Hoje, edição de outubro

Domingo, 1 de Novembro de 2009

27 Outubro 2009

Día Mundial del Patrimonio Audiovisual


A los miembros de ASAECA: la Comisión de Archivos y Patrimonio acordó distribuir el siguiente texto entendiendo que su difusión contribuirá a poner en la agenda pública la cuestión del patrimonio audiovisual como una de las acciones orientadas a llamar la atención sobre la falta de políticas públicas y de normas que regulen la preservación y el acceso, el escaso conocimiento sobre los fondos documentales de los archivos existentes, entre otros problemas. Creemos importante que nuestra Asociación intervenga al respecto, por eso les pedimos que lo difundan entre sus contactos, funcionarios, etc.

Dia Mundial del Patrimonio Audiovisual

Con motivo de celebrarse el 27 de octubre el Día Mundial del Patrimonio Audiovisual, fecha establecida por la UNESCO, la Comisión Archivos y Patrimonio de ASAECA (Asociación Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual) adhiere a la celebración y convoca a investigadores, realizadores y profesionales vinculados al campo, así como al conjunto de la comunidad a promover y proponer medidas urgentes para el rescate, la protección y la accesibilidad a los acervos audiovisuales de nuestro país, gran parte de los cuales se encuentran en riesgo e inaccesibles. Con ese propósito se solicita difundir este mensaje entre autoridades, organismos gubernamentales y de la sociedad civil.

¿Por qué el 27 de octubre?

En octubre de 2005, la Conferencia General de la UNESCO aprobó la proclamación del 27 de octubre como el Día Mundial del Patrimonio Audiovisual, como una manera de construir la conciencia global sobre la conservación de la herencia audiovisual.
La fecha remite al 27 de octubre de 1980, cuando la Conferencia General adoptó "la recomendación para salvaguardar y preservar las imágenes en movimiento". Ese fue el primer instrumento internacional para declarar la importancia cultural e histórica de películas y grabaciones de televisión y pedir a los estados miembros que den pasos decisivos para asegurar su preservación.

Fonte: http://www.asaeca.org/inicio.html

25 Outubro 2009

LOAPPC - LABORATÓRIO-OBSERVATÓRIO ANTROPOLÓGICO DAS POLÍTICAS DO PATRIMÔNIO CULTURAL

1.Apresentação (Esboço Preliminar)

A proposta de criação do Laboratório-Observatório Antropológico das Políticas do Patrimônio Cultural nasce da inquietação de um grupo de antropólogos ligados a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e vinculados ao Grupo de Trabalho Permanente do Patrimônio Cultural (GTPPC/ABA). Esse Grupo de Trabalho, criado em 2003, reúne antropólogos que realizam pesquisas sobre o tema do patrimônio cultural desde a década de 1990 (Abreu, 2005). Desse modo, considerando as etapas pelas quais passaram os estudos sobre o patrimônio cultural, avaliou-se que o momento em que se encontra em ebulição o espaço social do patrimônio e da memória em nossa sociedade, e a partir do incremento dos investimentos do governo e do estado no campo da cultura, avaliou-se que é necessário que estes estudos e pesquisas galgassem um novo patamar e pudessem responder as demandas da sociedade atual, referente às questões do patrimônio cultural e da memória social.
Assim, compreendemos que a reunião das pesquisas e estudos que já caminham para duas décadas de fecundos resultados – com diversos seminários, simpósios, mesas, oficinas, cursos, especializações, mestrados e doutorados – nos oferecem condições excelentes para a criação de uma instância mais efetiva e construtiva de elaboração e esboço de projetos e pesquisas de longo prazo. O acervo de material bibliográfico e acadêmico produzido nos últimos anos sobre a questão do patrimônio cultural e da memória social, nos dá condições formidáveis de articulação e inauguração de um novo estágio de reflexão e produção científica nessa área do conhecimento.
O projeto de criação do LOAPPC amadureceu mais recentemente a partir da consolidação de ações e intervenções políticas e governamentais na área do patrimônio cultural, sem precedentes na história da sociedade brasileira. Com a realização de eventos comemorativos históricos e esportivos de grande envergadura, como por exemplo, “Brasil 500 anos”, “Família Real 1808-2008”, “Panamericano-Rio/2007”, observamos a necessidade de oferecer a sociedade instrumentos de avaliação e reflexão sobre os impactos dessas intervenções paisagísticas e sociais, invocando investimentos de larga monta e a criação de equipamentos sociais e urbanos, exigindo procedimentos sofisticados em engenharia social e humana. Todos esses índices foram acumulando um grande déficit de investigação e abordagem dos impactos desses empreendimentos na sociedade. A notícia de que se realizarão outros dois mega-eventos mundiais em nosso país – Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016 – consideramos que chegou o momento da articulação efetiva entre a pesquisa sobre os acervos e bens culturais e a avaliação dos impactos dos grandes empreendimentos sobre estes mesmos acervos e bens. Contudo, nosso trabalho será direcionado prioritariamente para os impactos que estes eventos infringirão nos patrimônios culturais e ambientais, assim como aos lugares de memória da população brasileira, especialmente nas cidades em que se realizarão os eventos, e nas localidades que estarão satélites ou de outra forma vinculadas aos pacotes turísticos, oferecidos ao imenso contingente de turistas que vão visitar o país, na ocasião de realização destes dois mega-eventos.
Portanto, a proposta de criação do LOAPPC vem corresponder às expectativas da sociedade e da academia, no sentido de elaborar uma perspectiva mais crítica, para além de nossas inquietações subjetivas, propondo trabalhos de crivo científico e investigativo sobre os processos sociais que vão, e já estão, sendo promovidos nas comunidades a serem afetadas. O LOAPPC pretende corresponder as estas expectativas e servir de instrumento de avaliação para o aprimoramento das ações governamentais e estatais, garantindo à sociedade meios para que estas intervenções previstas, venham a produzir benefícios e não estimular a intensificação da erosão cultural e ambiental, que todos tememos. O LOAPPC pretende dessa maneira, oferecer instrumentos teóricos e metodológicos para que a sociedade possa exigir que estes empreendimentos econômicos respeitem os direitos culturais e a cidadania cultural brasileira, evitando que os interesses capitalísticos predatórios das empresas nacionais e internacionais, da área do turismo e da hotelaria, venham a causar danos irreversíveis a continuidade temporal e geracional dos patrimônios culturais e ambientais do país e do continente sul-americano.

2.Justificativa

O LOAPPC, como já foi apontado acima, tem na realização dos mega-eventos indicados, a prioridade temporal e cronológica de atuação e efetivação. Destaca-se certa urgência ou emergência cultural e ambiental se difunde e se percebe na sociedade, temendo-se que estes eventos promovam a intensificação da erosão da cultura e da natureza em nosso país. Desse modo, justificamos a criação do LOAPPC, nesse momento, tomando como foco prioritário a realização da Copa do Mundo de 2014, já que este evento envolverá a participação e vinculação do país inteiro, com a integração de diversos sistemas bioculturais do país. A Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, receberá assim, os resultados dessa atuação, tornando-se outro campo de investigação prioritário, na seqüência cronológica dos eventos – que em muitos aspectos estão interconectados.
Assim, cabe um breve histórico do processo de escolha e das decisões já tomadas para Copa do Mundo, competição mundial de futebol que acontecerá no Brasil em 2014. Como é sabido, em 1950, o Brasil sediou a Copa do Mundo, a primeira realizada após o fim da II Guerra Mundial. Em 2014, finalmente, voltará a ser realizada um Copa do Mundo de Futebol na América do Sul, após 36 anos, já que a Argentina sediou o evento em 1978.
No dia 3 de Junho de 2003, a Confederação Sul-americana de Futebol (CONMEBOL) havia anunciado que Argentina, Brasil e Colômbia se candidataram à sede do evento. Em 17 de março de 2006, as confederações da CONMEBOL votaram de forma unânime pela adoção do Brasil como seu único candidato. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, disse em 4 de Julho de 2006 que, nesse caso, a Copa do Mundo de 2014 provavelmente seria sediada no país. No dia 28 de Setembro do mesmo ano, ele se encontrou com o Presidente Lula e disse que queria que o país provasse sua capacidade antes de tomar uma decisão. O dia 7 de fevereiro de 2007 seria a data final para as inscrições, porém a FIFA antecipou o prazo, tendo este acabado em 18 de dezembro de 2007. No dia 30 de Outubro de 2007 a FIFA ratificou o Brasil como país-sede da Copa do Mundo de 2014. A escolha das cidades-sede ficou para o fim de 2008, mas acabou acontecendo em 31 de maio de 2009, nas Bahamas. Dezoito cidades candidataram-se para sediar as partidas da Copa, porém Maceió desistiu, restando dezessete cidades, todas capitais de estados. A FIFA limita o número de cidades-sedes entre oito e dez, entretanto, dada a dimensão continental do país sede, a organização cedeu aos pedidos da CBF e concedeu permissão para que se utilizem 12 sedes no mundial. Após sucessivos adiamentos, finalmente no dia 31 de maio de 2009 foram anunciadas as sedes oficiais da Copa. A lista eliminou as candidaturas de Belém, Campo Grande, Florianópolis, Goiânia e Rio Branco. Dentre as 12 cidades escolhidas, 4 a 6 delas deverão receber também a Copa das Confederações 2013, "evento teste" para a Copa. Umas das sedes, o Recife, organizará os jogos em outra cidade da Região Metropolitana, São Lourenço da Mata.
Cidades Sedes da Copa do Mundo no Brasil: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

6.Concepção do LOAPPC

Articular um grupo de pesquisadores e profissionais que procedam a uma investigação e pesquisa sobre os mais diversos problemas estruturais pelos quais a sociedade em função das ações e intervenções públicas e privadas no espaço social do patrimônio e da memória. A Antropologia participa como núcleo teórico fundamental em auxílio conjugado com outros aportes teóricos. Contribuir à investigação científica, discernir o campo epistemológico de seu arcabouço teórico, técnico e metodológico, viabilizando a aplicação técnica, a pesquisa e a investigação antropológica em prol da circulação, transmissão e produção de conhecimento.

8.Transdisciplinaridade

O Laboratório apresentará um funcionamento em grupos específicos por pesquisa e tema investigado, mas requer reuniões mensais/anual com membros de todos os grupos, pois trabalha numa perspectiva em que a problemática escolhida é transversal e por isso congrega diferentes profissionais, sendo que todos eles, de uma forma ou de outra, utilizam o aporte teórico da Antropologia.
Além dos grupos de pesquisa, o LOAPPC vai oferecer cursos de extensão, seminários, cursos de atualização e aperfeiçoamento, bem como uma especialização em na área do patrimônio cultural e memória social. Reuniões e congressos científicos também fazem parte de seu funcionamento.
Divulgação da pesquisa e da produção do conhecimento científico é uma meta a ser alcançada por meio de uma Revista Eletrônica.

(Partes do Esboço Apresentado ao Grupo de Trabalho Permanente Patrimônio Cultural da Associação Brasileira de Antropologia - ABA)

23 Outubro 2009

OBSERVATÓRIO DE POLÍTICAS DO PATRIMÔNIO CULTURAL


Tudo indica que chegou o momento de criarmos, sem atrasos e vacilações,
o OBSERVATÓRIO DE POLÍTICAS DO PATRIMÔNIO CULTURAL, ideia que vem nos atraindo já há algum tempo e que merece nossa atenção total nesse momento histórico importante. Devemos traçar com brevidade as grandes linhas gerais de uma "pesquisa sobre atitudes e tratamentos dispensados ao patrimônio cultural das cidades sedes da Copa do Mundo de 2014". Creio que esse processo está cada vez mais acelerado, e intensificado agora, com a decisão do COI em realizar as Olimpíadas no Rio (2016). Será uma década de intervenções na cultura e no patrimônio brasileiro, como nunca testemunhamos - algo sem precedentes. Sinto que o momento é esse, de criar o nosso Observatório das Políticas do Patrimônio, com o apoio da ABA. No momento em que se (re-)edita o Programa Monumenta (PAC Cidades Históricas), precisamos estar atentos as decisões e as políticas do Governo - que tem afirmado que é 'política de Estado' (precisamos confirmar isso, com pesquisas). A sociedade civil necessita de instrumentos teóricos e metodológicos para avaliar estas intervenções, e nós podemos oferecer algumas ferramentas. O Observatório (-Laboratório) pode ser o nosso canal, além das publicações e eventos acadêmicos.

PAC Cidades Históricas ou o Programa Monumenta Reloaded?


Lula lança em Ouro Preto PAC de revitalização das cidades históricas

Agência Brasil

OURO PRETO - Ao lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que um dos objetivos é promover o surgimento de "um centro de pequenos empreendedores" para o desenvolvimento das economias locais. Um dos caminhos para alcançar o desenvolvimento, nesse contexto, conforme o presidente, é o turismo.
- Não adianta nada você recuperar se não fizer disso um processo de visitação do país e do mundo para que isso gere renda, emprego - disse Lula, em Ouro Preto (MG), ao lado dos ministros Juca Ferreira (Cultura) e Dilma Rousseff (Casa Civil), além do governador mineiro, Aécio Neves (PSDB).
A meta do programa é revitalizar 5,2 mil imóveis particulares e 200 monumentos públicos em 173 cidades históricas, até 2012. O investimento previsto chega a R$ 890 milhões. Desse total, R$ 140 milhões serão liberados até o final do ano para 32 cidades. O trabalho prevê, entre outras atividades, contenção de encostas que podem afetar prédios históricos e troca da fiação elétrica.
As primeiras cidades a receberem recursos do programa estão nos seguintes estados: Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

16:54 - 21/10/2009

TURISMO ÉTINICO - Nova Mercadoria Fetichizada


Novo pacote turístico vai unir Rio, Bahia e Amazonas, visando a Copa

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - As secretarias de Turismo do Rio, do Amazonas e da Bahia lançaram na tarde desta quinta-feira, na Feira da Associação de Brasileira de Agências de Viagens, no Riocentro, o primeiro roteiro turístico integrado entre os três estados. A ideia é criar pacotes de viagens entre as federações que sediarão a Copa do Mundo de 2014. Os roteiro também terá pacotes para os segmentos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) e uma nova modalidade o turismo étnico.
– Temos que aproveitar esta oportunidade e usar todos os artifícios para espalhar para o mundo inteiro esses roteiros turísticos maravilhosos que temos. Reunir a Bahia, o Amazonas e o Rio de Janeiro é tudo o que a gente tem de melhor: muita diversidade para o turista – disse a secretária estadual de Turismo Márcia Lins.
Além dela, os secretários estaduais de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, e do Amazonas, Oreni Braga, estiveram presentes. A criação do roteiro já está sendo comemorada por quem vive o dia-a-dia do mercado.
– Esse pacote é bem-vindo porque vai democratizar o perfil do turista que visita esses pontos. Por exemplo, o estrangeiro que vai ao Amazonas geralmente tem 40 anos ou mais e recursos financeiros, já que viajar para a Região Norte ainda é caro. É um perfil diferente do pessoal que visita a Bahia, para onde vão também os jovens. O pacote, com certeza, faz com que essa viagem saia mais barata – acredita Francisco Walberth, gerente de uma agência de viagens.
Os roteiros poderão ser de 12 dias, para visitas aos três estados, ou de oito, para apenas dois deles. No Amazonas, o pacote prevê a inclusão de hotéis em áreas da Floresta Amazônica. No Rio, haverá opções de ecoturismo e, na Bahia, visitas aos centros históricos do estado.
– Nossa proposta é facilitar a vida do turista. Muitas vezes, ele vai em uma operadora de turismo e quer saber como ir ao Amazonas, ao Rio ou à Bahia. Mas ele acaba se perdendo e opta por um destino só. Vamos facilitar a vida desse turista, disponibilizando ao operador uma cesta básica na sua prateleira para oferecer ao cliente – disse metaforicamente a secretária estadual de turismo do Amazonas, Oreni Campelo.
O pacote inclui uma nova especificação de turismo, conhecida como étnico. A Bahia é um dos destinos desse pacote, que propõe que o visitante conheça de perto locais que sejam berços da cultura de raízes africanas.

20:48 - 22/10/2009

21 Outubro 2009

Mestiços Barrocos - Os Inclassificáveis II


Vivemos um época curiosa! Em pleno processo de mundialização das relações humanas, encontramos diversos movimentos, ditos 'sociais' e 'étnicos', invocando as purezas, as autenticidades, as identidades, as raízes culturais: movimentos de retorno ao passado - típicos sintomas tardios de 'narcisismos das pequenas diferenças' (Freud). Trata-se de algo inquietante... O que é preservar 'identidades culturais, hoje?' Qual deve ser nossa postura 'antropológica' diante da crise da própria idéia de 'identidade'? Posições pseudo-teóricas do tipo 'etnogênese', 'emergência étnica', 'revivência étnica', são questões que merecem algum tipo de reflexão crítica, mais aprofundada - através de uma socioan-alise arqueológica que coloca em cheque a própria subjetividade de quem se coloca o 'desejo de preservar'. Talvez não seja o lugar, tão cruto, para expressar essas preocupações, com certa aparência de indagações ligeiras, postas num Blog; já que se trata de uma reflexão mais complexa. Mas, não é possível se esquivar de uma preocupação sincera, honesta e intelectualmente legítima: é preciso medir as consequências do que estão fazendo com a Etnologia e a Antropologia, tanto nas academias como nas universidades do país. Agora é moda defender particularismos e relativismos culturais contra os supostos absolutismos da razão despótica, autoritária, uniformizadora, padronizadora, etc. Ocorre que estamos entrando no inverso disso, isto é, no irracionalismo, na fragmentação cindida, na preguiça pseudo-letrada, na mediocridade fácil das posições relativizadoras - enfeitiçadas pela idéia da 'diferença santa e sacralizada'; isso é próprio de pessoas confusas e desorientadas - que não têm condição alguma de aspirar a qualquer reflexão mais autônoma e ou mais abrangente. Seguem o lema da Coca-Cola: "Seja diferente, beba coca-cola (como todo mundo)"! Hoje é suspeito pensar no campo epistêmico, na religação dos saberes, na complexidade, ou compreender a lógica cultural subjacente (aliás, sempre foi suspeito, mas agora assistimos reações fóbicas). As questões sobre a totalidade, o sistema, o processo, estão sendo estigmatizadas como típico pensamento de megalomaníacos: a exigência agora é pensar menor! Pensar tribal: no bairro, no gênero, na raça, na vila (100% Raíz!)... A charada já foi decifrada: é nova mercadoria do 'turismo étnico' ('Parques Étnicos')! Mas, isso também é preguiça, mesmo: não tem outro nome, não. Preguiça de professores e estudantes preferindo assistir passivamente a falência do pensamento, ao invés de se erguer moral e culturalmente sobre a mediocridade; escavando essas posturas consensuais pequenas e tacanhas. Teme-se as chamadas 'grandes narrativas', e prefere-se dizer que 'tudo é relativo': é uma forma de não se estudar as relações que subjazem as aparentes diferenças. As diferenças são cada vez mais superficiais, fabricadas, simuladas e falsas; fetichizadas de modo sem precedente. Os 1% de diferença, valem mais que os 99% de semelhanças! Lamentável situação: esforça-se para forjar 'diferenças' para evitar fobicamente as semelhanças! Por que tanta resistência e fobia contra a semelhança? Talvez isso se explique com alguma facilidade: os desafios ao pensamento são cada vez maiores e sempre se consegue um jeitinho de fugir das responsabilidades e ludibriar os outros, com sofismas e estratagemas, cada vez menos sutis. 'Pensar abala a estrutura de tudo', como dizia Dante Milano. E abalar as estruturas é tudo que as pessoas não querem: elas estão muito estressadas, estafadas, cansadas, exaustas... Preferem 'naturalizar', 'introjetar', tornar 'habitus'... Melhor é debochar de tudo, defensivamente: refúgio banal dos que não querem mais enfrentar o desafio do pensamento... Dizem: - Estudar demais, deixa a gente doido! Por isso, ignorar essas coisas pra lá! Como dizia a canção: 'Deixa isso pra lá, vem pra cá!'... Para esses 'pseudo-letrados apocalípticos': '- Tudo é Kaos! Não pense, goze!' Esse tipo de postura, que vemos sendo reproduzida por mestres e professores, é que tem chamado a nossa atenção. O elogio do conformismo e da indiferença, o elogio da ignorância, da mediocridade, e da insignificância, é assombroso. É como disse Zizek, é a expressão de 'nihilistas' e 'zumbis pós-modernos', que não querem mais saber de pesquisar e estudar. Ou quando o fazem, arrumam um jeito de isso não causar tanto desconforto (querem é a bolsa do CNPq)... A palavra 'zumbi', utilizada acima, pode sofrer, a qualquer momento, o ataque dos que a consideram um insulto a figura de 'Zumbi dos Palmares'! Será mais uma forma de fugir da questão e lançar mão das mais absurdas acusações, tão em voga hoje, de 'racismo', 'discriminação', etc. Esse é mais um exemplo dos que confundem e tomam a parte pelo todo. Retiram do campo semântico a palavra usada e aprisionam o sentido para atingir seus interesses político-raciais do momento. Assim, o mundo gira e observamos a fraqueza do pensamento proliferar. Um dos sintomas disso é o desaparecimento da questão da mestiçagem barroca em nosso continente e sociedade. A clivagem racial (negro-branco) aboliu e solapou do mapa sócio-cultural brasileiro 'os inclassificáveis' (cafusos, caboclos, caiçaras, morenos, etc.). Como poetizou Arnaldo Antunes: - que negro e branco, que nada! Somos inclassificáveis! Somos Barrocos, enfim! Mestiços Barrocos, e somos muito semelhantes, nossas diferenças são efêmeras, fugazes, fluídas... Chega da neurose das fixações identitárias! Basta de mediocridades e dessa 'culturazinha de merda', que estamos assistindo por aí! Vamos enfrentar o desafio de pensar grande, pensar o processo, pensar a vida...

14 Outubro 2009

Saramago: Igreja é "reacionária" e Bento XVI é "cínico"


Roma, 14 out (EFE).- O escritor português e Nobel de Literatura (1998) José Saramago chamou o papa Bento XVI de "cínico" e disse que a "insolência reacionária" da Igreja precisa ser combatida com a "insolência da inteligência viva". "Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual" desta pessoa, disse Saramago em um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D'Arcais, que hoje lança "Il Fatto Quotidiano".
Saramago, por sua vez, encontra-se na capital italiana para divulgar o livro "O Caderno" e se reunir com amigos italianos, como a vencedora do Nobel de Medicina Rita Levi Montalcini (1986). No colóquio com Flores D'Arcais, Saramago afirmou que sempre foi um ateu "tranquilo", mas que agora está mudando de ideia. "As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder", afirmou. Segundo Saramago, a Igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos.
Perguntado se o pouco compromisso dos escritores e intelectuais poderia ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim. Porém, disse que este não seria o único motivo, já que toda a sociedade encontra-se nesta condição, o que provoca uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.
Saramago destacou que o fascismo está crescendo na Europa e mostrou-se convencido de que, nos próximos anos, ele "atacará com força". Por isso, ressaltou, "temos que nos preparar para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão alimentando". A visita de Saramago a Roma acontece a um dia do lançamento do seu mais novo livro "Caim", no qual volta a tratar da religião. EFE

12 Outubro 2009

Gerald Thomas - Tudo a Declarar

Minha “INDEPENDÊNCIA OU MORTE” – “It’s a Long Goodbye”
New York – Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão.
“Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55, um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri? I can’t go on. And I won’t go on.Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “but I’ll go on”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar. Minha vida nos palcos acabou. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo. Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”usava a platéia como meu terapeuta”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece. É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou. Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas. Daniel Barenboim, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses.
Não sou tão genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.

AMNÉSIA TEMPORÁRIA

Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios: “E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios nas peças de Harold Pinter! Não são psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras…” Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando. “Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”. Serão mesmo? Homenagens? Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens. “Mais do que nunca eu acredito que somente através da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão e Isolda”, onde o amor somente é possível através da morte e vice-versa. No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida na cena final de “Rainha Mentira”), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”. Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa. “Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda.” Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer. Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR. Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou. Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer. Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.(nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!) Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o Ivan Serpa e o Ziraldo me ensinaram muitíssimo cedo na vida. E… Haroldo de Campos. Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas… a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “Eletra ComCreta” se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas. Mas ele só veio aparecer na minha vida na “Trilogia Kafka”, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar. Nem mesmo a convivência com Helio Oiticica foi uma coisa tão forte e duradoura. Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo.
Philip Glass dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito(http://www.vimeo.com/2988089). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no www.geraldthomas.com ou aqui em vídeos, no blog. Meu pai me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo? Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma "CULTURAZINHA DE MERDA", por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich. E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”. Sim, encontrei Samuel Beckett, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no www.geraldthomas.com e se depare com o meu universo. E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o Village Voice e o SoHo News pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, mas era tudo uma NOVA criação. Era o exercício do experimentalismo. Do risco. E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio. Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..
Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele. Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar. Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “Quartett” de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo. E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países. Sim, o tempo semi-acabou. Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou. Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a Tower Records abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a Virgin, que destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds. Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa. São muitas fantasias que a depressão não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado. Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu:
“O teatro é mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura. No improviso também há tradição.” Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar.
Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst. Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir. Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada. I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes, I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much. Um breve adeus para vocês!
LOVE

Gerald Thomas, 7 September 2009

ENTREVISTA AO JORNAL O GLOBO

RIO - Gerald Thomas vai deixar o teatro. No mês passado, o diretor que fez da controvérsia seu gênero teatral divulgou pela internet um artigo no qual afirmava que daria adeus ao teatro. "Continuar o quê?", disse ele no artigo; "Se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor (...)". Ao GLOBO, por e-mail, o diretor confirma a saída, mas não se será definitiva.

Você vai parar de dirigir? É sua aposentadoria?
GERALD THOMAS: Eu não chamaria de aposentadoria. Aposentadoria implica receber pensão, não? Não é o meu caso. O meu é um pouco mais profundo. Acredite.

Se é um ''breve'' adeus, como você diz no artigo, você para por um tempo e depois volta?
GERALD: Não tenho nada decretado. Digo no meu artigo que preciso de tempo pra me achar e que não há originalidade alguma na minha geração. Digo que os tempos de hoje estão extremamente chatos, e as verdadeiras estrelas são aquelas fora do teatro: não faz mesmo sentido entreter um pequeno número de pessoas presas em cadeiras, vendo "miragens" no palco. Essa mentirinha está mal contada. E eu parei de contá-la. Mas não estou reclamando: me deram "the time of my life". Tive os melhores teatros do mundo e agradeço a Deus por isso.

"As verdadeiras estrelas são aquelas fora do teatro: não faz mesmo sentido entreter um pequeno número de pessoas presas em cadeiras, vendo 'miragens'"

Vai participar de projetos teatrais fora da direção?
GERALD: Eu parei. Procure me entender. Parei. O Gerald Thomas parou.

Vai deixar de assistir a peças também?
GERALD: Não quero nem ouvir falar de teatro ou em teatro.

O que você fará a partir de agora? Vai estudar? O quê? Vai viajar? Para onde?
GERALD: Vou trabalhar alguma prosa, pensar na vida. Pensar na vida. Repensar no que aconteceu e onde tudo se perdeu. Porque... te digo com toda a sinceridade: a mediocridade reina, seja na música, seja nas artes plásticas ou no cinema. Então... estamos atravessando um período onde é melhor se calar e... quieto no meu canto, vou pisar em outras calçadas que não NY e Londres, e essas que piso sempre.

Você fala que não tem vontade de criar um "iTheatro''. As experiências culturais ao vivo, como o teatro, estão em declínio? Quando se vai a um show de música, as pessoas não assistem mais a ele sem fotografar ou filmar. Se pudessem fazer o mesmo com as peças, ajudaria o teatro?
GERALD: Uma de minhas últimas peças foi "Kepler the dog: um cão que insultava mulheres", levada ao ar pelo "Ig". Então, isso, eu já fiz. Foi visto numa noite por mais gente do que uma peça é vista numa temporada inteira. Não culpo o público nunca. Culpo a nós mesmos por não termos tido a coragem de ter ido mais longe: ficamos nessa merda de desconstrutivismo por tempo demais. E deu no que deu. Caiu tudo. A minha geração não tem cultura, falta cultura a essa falta de cultura!

Como entrar em contato com os que se nivelam pela "culturazinha de merda'', como você diz no seu artigo? A sua geração artística não teria conseguido lidar com isso?
GERALD: Não competíamos com a internet ou a TV a cabo e o Twitter e o celular que manda text message, e isso e aquilo. Isso tudo afasta qualquer pessoa da arte. Seja a arte que for. Havia um tempo para ser dedicado à arte. Havia uma imprensa que nos apoiava aqui em NY. Hoje a imprensa que resta (o "Village Voice") virou um bando de anúncio de travestis.

Acha que esse nivelamento por baixo, esse esvaziamento da arte, poderia se ligar a um também esvaziamento da política? Assim como as pessoas não teriam mais paixões políticas, estariam mais cínicas também para uma discussão da cultura?
GERALD: Como assim "não têm paixões políticas"? Coloquei toda a minha energia na campanha do presidente Obama ano passado. E acho ótimo ter feito isso!!!!! Aqui, nos EUA, não há cinismo algum em relação à política, e sim, um tremendo renascimento político. Não cultural. Mas político, sim.

Sua decisão de abandonar o teatro parece vir de um processo longo de reflexão. Mas houve algum acontecimento que tenha servido de gota d'água, de catalisador para essa sua decisão? O que foi?
GERALD: Foi há um mês, quando estive em Amsterdã pela 30 vez e vi um dos autorretratos de Rembrandt. Aquele que ele pintou aos 55 anos. Eu estou com 55 anos. Nos comunicamos através de um estranho olhar. Ele num tempo, e eu, num outro, divididos por 400 anos. Fiquei de tal forma emocionado com aquele quadro (que conheço a minha vida inteira) que dessa vez algo em mim simplesmente se quebrou.

FONTE: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/10/09/gerald-thomas-parou-nao-quero-ouvir-falar-de-teatro-diz-diretor-767989965.asp

09 Outubro 2009

DIA DO PROFESSOR: Reflexões Intempestivas


Universidade, Escola, Faculdade: lugares de confinamento, adestramento, desencanto e engodo...

AS ORIGENS DO 'HORROR AO SABER' NA ATUALIDADE (I)

Nas últimas décadas tem aumentado nossa inquietação, instigando a reflexão mais atenta, acerca da função social e da responsabilidade cultural das instituições de ensino e de transmissão do conhecimento, em nossa sociedade. Afinal, qual é o papel civilizacional destas instituições que prometem produzir e difundir conhecimentos e saberes? Será que cumprem essa promessa ou tornaram-se, na verdade, lugares de confinamento e frustração para a juventude e os trabalhadores? Um contingente numeroso de pessoas e cidadãos passam 10 ou 20 anos confinada, entretidos nesses lugares que prometem sucesso profissional, eficiência, conhecimento, técnica... Mas com o passar dos anos sentem-se cada vez mais frustrados como 'clientes', pois a grande maioria não consegue emprego digno ou condições de viver com alguma tranquilidade... A imensa legião de desempregados hoje é constituída de jovens, como se sabe. E são nesses lugares designados como 'escolas, 'universidades', 'faculdades', que têm-se confinado esses 'estudantes' com um único objetivo: evitar que tornem-se delinquentes ou deflaguem a revolta contra esse estado de coisas. As técnicas de entretenimento, cinicamente aprimoradas por 'facilitadores' e 'multiplicadores' de todo tipo, nada mais são que performances entretendo com mirabolantes mágicas e fetiches, a atenção desses jovens e trabalhadores. Seus currículos estão repletos de diversos certificados com horas extras de 'conhecimento', adquiridos em Seminários, Congressos, Simpósios, Oficinas, Mini-cursos, etc., nos quais não há qualquer debate, crítica, pensamento; apenas o culto ao consenso e as obviedades... Com o tempo essa frustração se torna apatia, desinteresse, depressão, em outras palavras: fobia ao conhecimento! Os 'professores' que entram nas 'salas de aula' cobram e exigem ânimo, atenção, respeito, amor ao saber e ao conhecimento. Porém, não se dão conta que fazem parte de uma engrenagem enferrujada a qual esses 'estudantes' e 'jovens' já não aguentam mais frequentar e participar. É tanta desilusão, frustração e desolação que fica difícil imaginar um cenário novo e transformador! Os 'mestres' não querem mais ensinar: deprimidos e desiludidos, como se pode constatar nos ambulatórios de saúde mental no país. Os 'jovens' ficaram 'velhos' sob a ação do desencantamento do desejo de saber: conseguido com grande eficiência tecnocrática. Assim, está fechado o círculo vicioso! O cinismo que graça nessas instituições se baseia na fé de que não temos mais como transfomar essa realidade. Descrença, conformismo e indiferença se nutrem da idéia de que esse, enfim, é 'o melhor dos mundos possíveis'! Mantém-se assim um quadro patético de 'mestres' destituídos, 'estudantes' desiludidos, 'jovens' dopados e trabalhadores anestesiados. Essas 'instituições totais' do tipo Igreja, Forças Armadas e Escolas, não podem, na verdade, oferecer nada mais do que oferecem e difundem: despotismo, alienação e reprodução do ideário subjetivo dominante! Curiosamente, se esperou muito das Universidades e das Faculdades, nas últimas décadas! Essas 'Escolas' e 'Liceus' de algum modo 'encantaram' nosso imaginário com promessas de oferta 'democrática' de 'sabedoria', 'conhecimento', 'técnica', etc. Todavia, sob o véu sedutor do 'mito' do 'esclarecimento' e da 'iluminação', difundiu-se o vírus letal do cinismo e do engodo ideológico. Educadores, pedagogos, sociólogos e psicólogos da educação, tentam de todo jeito adaptar essas instituições para a 'modernidade', para a 'nova sociedade'. Até hoje esses 'profissionais' nada mais fizeram que tentar perpetuar instituições seculares, cada vez mais anacrônicas, servindo apenas para confinar e entreter a juventude e os trabalhadores, considerados potencialmente perigosos; caso estejam soltos na rua e sem alguma ilusão de 'futuro' pela frente... Talvez, um dia, possamos começar a lutar contra o 'horror ao conhecimento', compreendendo as origens dessa epidemia fóbica ao saber...

07 Outubro 2009

I Simpósio Nacional de Ciências Sociais - UFG


O I Simpósio Nacional de Ciências Sociais (17 a 19 de Novembro) tem por objetivo promover o diálogo entre pesquisas em diferentes áreas das Ciências Sociais acerca das relações entre região – entendida aqui em um sentido abrangente, tanto com relação às particularidades locais quanto aos aspectos territoriais que afetam os problemas sociais – e o fenômeno do poder, em suas diversas manifestações. Para tanto, propõe a reunião de estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e docentes, gestores e representantes da sociedade civil em torno das múltiplas questões envolvidas nas diversas abordagens das relações entre região e poder. A temática central do Simpósio busca, portanto, focar as implicações mútuas entre as noções de região e poder, a fim de problematizar a relevância dos aspectos regionais - particularmente da região Centro-Oeste, mas estendível a demais circunscrições geográficas ou simbólicas – na determinação e enfrentamento das questões sociais insurgentes. Entende-se, por um lado, que problemas regionais persistem desafiando uma compreensão menos localizada do fenômeno do poder e, por outro, que o estudo de temas caros às Ciências Sociais (questões referentes à memória coletiva, às identidades sociais e à soberania política, por exemplo) precisa atentar para a força das peculiaridades da região na demarcação dos problemas relevantes, a despeito da globalização cada vez mais acentuada. No auxílio ao entendimento desses dois aspectos distintos, a noção de representação pode fornecer recursos importantes para a delimitação dos referidos problemas. A reivindicação por representatividade diz respeito à incorporação de perspectivas excluídas, seja no campo da cultura, na afirmação de gênero ou nas relações políticas. O fluxo permanente entre as diversas representações possíveis - em suas formas mais convencionais ou nas inovações que contestam os parâmetros tradicionais – é a marca da possibilidade permanente de renovação. Trata-se, assim, de congregar contribuições dos pontos de vista da Antropologia, da Sociologia e da Ciência Política para esse debate, no esforço concomitante de se consolidar o lugar da região Centro-Oeste no cenário de ensino e pesquisa no país.

Manuel Ferreira Lima Filho. Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Ciências Sociais. Antropologia. www.cienciassociais.ufg.br (62) 3521-1128
Museu Antropológico www.museu.ufg.br (62) 3209-6010 (62)3209-6371