13 agosto 2006

DANTE MILANO E O MUSEU MEFISTOFÉLICO

ENSAIO DE PÓS-DOUTORADO

MUSEU MEFISTOFÉLICO:

Significado Cultural da Coleção de Magia Negra do Rio de Janeiro, Primeiro Patrimônio Etnográfico do Brasil (1938).

Autor/Pesquisador:
Alexandre Fernandes Corrêa

CNPq/
Universidade Federal do Rio de Janeiro/2006

Resumo

Trabalho final da pesquisa de pós-doutoramento sobre os usos do conceito de patrimônio etnográfico no Brasil, através da análise do significado cultural da Coleção Museu de Magia Negra da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Por meio de um mapeamento sumário das significações que o termo etnográfico pôde adquirir na história, almejou-se compreender como emergiu a idéia de bem cultural de natureza etnográfica. Observa-se que o conceito de etnografia apareceu no momento em que se elaboravam, e disputavam, diferentes versões do mito nacional brasileiro, um processo que se desenrolou desde os primórdios da luta pela Independência e se cristalizou com a República. No contexto de afirmação de uma unidade nacional política e ideologicamente organizada, emergiram as noções de bem folclórico e etnográfico, duas noções fabricadas na Europa dominada pelo evolucionismo científico positivista. Como pano de fundo da análise colocou-se o movimento artístico e cultural modernista, que eclodiu na década de 1920. Nesse período histórico ocorreram diversas ações policiais, jurídicas e psiquiátricas contra as práticas de magia, feitiçaria e bruxaria. No estudo sobre o significado cultural do primeiro patrimônio etnográfico do Brasil, tombado em 1938, buscou-se também analisar a biografia e a obra do poeta carioca, Dante Milano, diretor do Museu da Polícia Civil do antigo Distrito Federal, a partir de 1945. Essa pesquisa desenvolve a teoria do ‘retorno do encoberto’ e da ‘distabuzação’ através da antropologia do olhar e da análise intercultural desse acervo museológico.

Lista de Informação do ICOMOS/Brasil - LIIB:
O Ensaio Integral pode ser encontrado no endereço:
http://br.groups.yahoo.com/group/icomos-brasil/files/Museu%20de%20Magia%20-%20RJ/


Epígrafe

O MUSEU DE TUDO

Este museu de tudo é museu
como qualquer outro reunido;
como museu, tanto pode ser
caixão de lixo ou arquivo.
Assim, não chega ao vertebrado
que deve entranhar qualquer livro:
é depósito do que aí está,
se fez sem risca ou risco.

João Cabral de Melo Neto. 1976.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1. Princípios Metodológicos
2. Antropologia do Olhar
3. Abordagem Antropológica e Análise Intercultural
4. Apresentação dos Capítulos

CAPÍTULO I – OLHAR PATRIMONIAL
1. Primeiro Tombamento Etnográfico do Brasil
2. Patrimônio Etnográfico: metamorfoses conceituais
3. Palavra Etnografia: origens
4. Critério Etnográfico
5. Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico

CAPÍTULO II – OLHAR POLICIAL
1. Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro
2. Palácio da Polícia Civil
3. Museologização do Mundo do Crime

CAPÍTULO III – OLHAR ANTROPOLÓGICO
1. Relativizando a Hipótese Repressiva
2. Surrealismo & Etnografia Modernista
3. Crença na Magia no Brasil

CAPÍTULO IV – OLHAR MODERNISTA
1. Ciência e Arte Modernista
2. Contexto Artístico-Cultural Modernista
3. Olhar Modernista sobre Magia, Feitiçaria e Bruxaria

CAPÍTULO V – OLHAR POÉTICO
1. Vida e Obra de Dante Milano: modernista marginal
2. Anti-Lirismo Sinistro, Fantasmagórico e Visionário
3. Imaginário Literário do Mal

CAPÍTULO VI – OLHAR MEFISTOFÉLICO
1. Visão do Paraíso & do Inferno
1.1. Visão do Paraíso
1.2. Visão do Inferno: etnodemonologia
2. Encenação do Diabólico e do Satânico

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Recuperação do Encoberto: a ‘distabuzação’ da Coleção de Magia Negra

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Lista de Informação do ICOMOS/Brasil - LIIB:
O Ensaio Integral pode ser encontrado no endereço:
http://br.groups.yahoo.com/group/icomos-brasil/files/Museu%20de%20Magia%20-%20RJ/

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