27 maio 2008

PALÁCIO CRISTO REI UFMA



VI Semana Nacional dos Museus
Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento

Universidade Federal do Maranhão
Palestra
TEATRO DAS MEMÓRIAS: entre o passado e o futuro.
Prof. Alexandre Fernandes Corrêa

GRUPO DE PESQUISA PATRIMÔNIO & MEMÓRIA
GRUPO DE ESTUDOS CULTURAIS


PALÁCIO CRISTO-REI

ROTEIRO DE APRESENTAÇÃO:

Tema da Semana Nacional: Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento;
Tema do Ano Ibero-Americano de Museus/2008;
A Importância da Universidade vincular-se e integrar esse processo de debates e reflexões sobre a função social dos Museus em nossa sociedade local e no continente;
Refletir sobre a contribuição das Universidades para a democratização do acesso aos museus em nosso país.
Num campo e área do conhecimento dominada por muito conservadorismo é importante ver a disposição de se renovar os paradigmas de atuação e das práticas museológicas atuais;
Parece paradoxal que os Museus, lugares tradicionalmente estabelecidos como lugares da conservação, possam vir a ser lugares de reflexão sobre transformação cultural, desenvolvimento e inclusão;
Esse é um desafio interessante para todos nós.

CONCEPÇÕES DE MUSEU

Os Museu na Europa têm uma longa história de focar o olhar sobre os objetos, como artefatos engenhosos;
Os primeiros museus eram coleções enciclopédicas de príncipes renascentistas;
Fundados sob a ideologia do poder político e intelectual, engajado em colecionar objetos como no modo taxonômico de ordená-los;
Tudo que foi colecionado sob esse viés, era considerado ‘visualmente interessante’;

Museu: Exibir, Ver, Educar

Do Renascimento até hoje, os Museus têm mudado muito. É uma exigência da sociedade – o antigo modelo já não dá conta da nova realidade;
O desafio agora é a demanda por se tornar um lugar-agente de ‘promoção’ do ‘desenvolvimento’ e da ‘inclusão’ social;
É preciso compreender as metamorfoses do sentido do museu na sociedade contemporânea;
Aqui vamos trabalhar com a idéia do Museu como um Teatro das Memórias, dialogando com as outras formas de Museus, Eco-Museus, Centros e Casas de Cultura, etc.

Teatro das Memórias: Entre o Passado e o Futuro

Uma Contribuição da UFMA para São Luís: O Projeto de Pesquisa e Ação Cultural
Diálogo Passado Presente Futuro

Projeto de Pesquisa e Ação Cultural

Reflexões a partir de uma prática de pesquisa e de extensão universitária;
Enfrentar a dificuldade de lidar com a memória no contexto sócio-cultural contemporâneo, fascinado pelo fetichismo da ‘modernização-globalização’ acelerada;
A importância dos estudos da memória na sua relação com a rede de significados políticos e a dimensão da ação dos atores sociais;
Enfrentar as dificuldades de desenvolver um trabalho independente sem o controle das empresas e dos interesses políticos.

Brasil: País do Futuro & País sem Memória

Não temos uma tradição coletiva de transmissão ininterrupta de valores, um conjunto de bens culturais coesos, com uma memória coletiva cristalizada;
Temos Memórias Sociais Subterrâneas Plurais, dominadas pela ‘memória oficial’;
País do Futuro: o esquecimento das origens pessoais, dos grupos imigrantes, raças, etnias, etc.
País da Promessa – Lema: Esquecer para tornar-se brasileiro.

País do Teatro das Memórias Sociais Plurais

Temos um caminho aberto para uma multiplicidade de definições de memória;
Não há uma única memória cultural e coletiva;
Há pluralidade de ‘memórias’ – a acentuação do especial, singular e único, tem um papel importante;
Superar a dificuldade de lidar com a memória social traumática no país: escravismo, colonialismo, autoritarismos, ditaduras;
A Memória social brasileira não é um mar de “rosas”: temos que agir com cuidado e muito respeito.

País do Presente e dos Contrastes

É preciso uma perspectiva interdisciplinar e transcultural das relações entre memória e esquecimento na sociedade brasileira;
País do aqui e agora: fixação no prazer e alegria x passado difícil e conflituoso;
Dialética: País da Esperança x Passado Violento
A Memória social brasileira é traumática, violenta, repleta de histórias de espoliações, escravidão, etnocídios, genocídios, autoritarismos, ditaduras, etc.
Quadro que propicia as tentativas de encobrimento e as dificuldades de lidar com os conflitos, que são recalcados e evitados a todo custo.

TEATRO DAS MEMÓRIAS: Diversidade & Unidade

Proposta: Sociedade Humana: Vida Social = Teatro e Drama: a Sociedade como um Teatro Vivo;
Cada personagem-indivíduo-pessoa-sujeito-grupo é ator e desempenha papéis sociais singulares;
A Vida social, como um Drama social, esta repleta de histórias, dramas, etc.;
A Vida social, como o teatro da vida, tem comédias e tragédias;
O cotidiano da vida está repleto de representações dramáticas, dos quais nossas biografias fazem parte e constituem capítulos importantes das diversas Histórias de Vida, nos diferentes grupos aos quais nos vinculamos.

Gestão Democrática do Teatro das Memórias Sociais

Avançar: Artigos 156 e 157 da Constituição Federal Brasileira: direitos culturais e cidadania cultura;
Direito de participar da gestão das políticas culturais, da memória social e das identidades sociais;
Necessidade de Conselhos de Cultura e Patrimônio funcionando democraticamente, e representativos;
Observatórios da Política Cultural da sociedade civil, para que cultivemos o diálogo democrático e o respeito a crítica e a autonomia cultural;
Evitar o clientelismo, os favores e a cultura da subalternidade e subserviência.

ENTRE O PASSADO E O FUTURO: o que fazer do que fizeram de nós?

A Educação Patrimonial na Encruzilhada: Inclusão e Desenvolvimento para quem? Quem está se beneficiando dessas práticas pseudo-pedagógicas? Como se propor a ‘amar’ o passado e se ‘sentir pertencendo’ a uma história de explorações, espoliações e dominações coloniais exercida sobre milhões de brasileiros? Será correto fazer ‘entretenimento’ e ‘lazer’ das memórias e histórias populares?

A ‘Educação Patrimonial’ na Encruzilhada

Questão crucial: O que fazer do que fizeram de nós?
Patrimônio cultural é herança e legado: para quem foi deixado o testamento desses legados culturais?
Como se sentir pertencente a um ‘patrimônio’ que é símbolo e lembrança de uma condição subalterna, para milhões de brasileiros?
Como ‘ensinar a amar’ um passado que tantos traumas históricos infringiu a maioria da população?
Esses patrimônios pertencem a quem? Devem ser ‘amados’ por quem?

Questões ao ‘Romantismo’ e a ‘Nostalgia’ Pós-Moderna

‘Conhecer’ para ‘amar’ o patrimônio: mas conhecer quais histórias? Quem vai contar essa ‘história’?
Para quem o passado pode ser objeto de amor e de sentimento de pertencimento?
Qual a natureza ideológica do ‘amor romântico’ pelo passado?
Para quais grupos sociais o passado pode ser lembrado sem causar aflições e remorsos?
Para quem lembrar do passado pode ser agradável e prazeroso: toda gente? Todos podem lembrar do passado da mesma forma?
Para quais grupos pode ser objeto lúdico brincar do jogo da memória e do esquecimento no teatro das memórias da vida real?

Museus ‘Fósseis’ x Museus Vivos

Como lidar com os traumas históricos e sociais graves em que vivem e viveram as populações que ainda habitam os sítios históricos das nossas cidades?
O Teatro das Memórias não é um processo para ser proposto a comunidade de forma irresponsável e ilusória.
É preciso entender quais os interesses ideológicos daqueles que querem continuar a tirar benefícios da história dos sofrimentos alheios;
Projetos de Lazer e Entretenimeto são formas de inclusão?
Evitar a ‘fossilização’ e ‘folclorização’ da cultura. Precisamos de Museus que sejam Teatros Vivos da Cultura Popular.

Terapêutica da Memória

Ao contrário dos que querem tirar mais-valia das memórias e do passado dos diferentes grupos sociais que formam a nossa sociedade, é preciso mais pesquisa e conhecimento;
Ao remar contra a maré pós-moderna dos que querem transformar o passado em mercadoria fetichizada, barata e sanitarizada - abolindo e encobrindo todas as contradições da história;
É preciso um trabalho terapêutico de longo prazo, com pesquisa orientada e científica, no sentido de se atingir uma ‘outra cena’, uma ’outra memória’: propor a re-significação política dos acervos culturais;
Trabalho que deve ser feito através de uma sócio-análise profunda, associado a uma psico-análise igualmente profunda;

A ‘outra memória’ e a ‘outra cena’

É um trabalho inter e multi-disciplinar para atingir meta-ponto-de-vista transdisciplinar;
Não tem como fazer esse trabalho isolado, sem interfaces com equipes multi e inter-disciplinares;
Para se evitar a ‘turistificação’ e a ‘folcrorização’ mercadológica das memórias sociais, ou a patrimonialização excessiva – que visa a espetacularização mercantilizada – é preciso um trabalho de longo prazo, elaborado por equipes de profissionais de história, sociologia, antropologia, psicologia, psicanálise, etc.
Trabalho com método e perspectiva científica.

Exemplos da Relação com as Memórias Diversas

Para ilustrar a reflexão proposta, e marcar as particularidades das relações diferenciadas que os grupos sociais tem com sua memória e história, lembremos dos grupos de índios e negros brasileiros no Maranhão, e os grupos de imigrantes sírio-libaneses e europeus em nosso país; São história de destinos diferentes;
Cada grupo mantém uma relação diferente com a memória e a história; história de sucessos e fracassos;
É preciso ter em mente as particularidades de cada grupo e conhecer sua relação com a memória e a história.

Proposta Metodológica: Sociedade – Teatro Vivo

Nossas vidas se movimentam sob o impacto de duas forças poderosas: a do passado e a do futuro.
Sociedade – Teatro Vivo: Jogo das Semelhanças & Diferenças
O presente é o resultado da ação conflituosa, ou harmônica, entre duas forças: do passado e do futuro.

Atual Transformação Técno-Sócio-Cultural Acelerada

MUSEUS: Locais de Dramatização (Encenação) do Impacto das Mudanças na Vida Social Moderna
Gestão da História, Patrimônios, Memórias, Identidades

TEATRO DAS MEMÓRIAS: São Tomás de Aquino – “O Sensível é o veículo natural do Inteligível”.

A palavra “TEATRO” – privilegia a visualidade – conserva uma vinculação etimológica à família do verbo grego theáomai, “ver”.
Os Museus são Teatros da Memória.
As matrizes sensoriais (ver, ouvir, tocar, sentir, etc) facilitam a rememoração. Espaços de Dramatização da Memória. Ex: Igreja Barroca – Bíblias de Pedra.
Impacto pedagógico através da seleção mental, ordenamento, registro, interpretação e síntese cognitiva na apresentação visual.

Exposição, Pesquisa e Produção de Conhecimento: Laboratório da História Social

Existe uma gama multiforme de possibilidades para os Museus, recusando-se um modelo único.
Propostas para evitar os Museus-Fósseis;
Os Museus, de qualquer natureza, devem buscar contemplar e trazer uma contribuição específica, e insubstituível, para a produção de conhecimento.
Combater a Museomania Convencional, através do estímulo aos Museus-Teatros Vivos da memória e da transformação sócio-cultural histórica.

Projetos de Ação Cultural: Extensão Universitária – UFMA

No Teatro das Memórias o processo de gestão democrática das culturas, dos patrimônios, das identidades e dos sentimentos de pertencimento podem se dar através da realização de laboratórios e oficinas;
Artesanato, Cinema, Teatro, Fotografia, Arquitetura, Cenografia, Música, Manifestações Culturais, etc.
As Comunidades decidem suas prioridades;
Evitar, a todo custo, o uso mercadológico de intervenções ‘eventuais’ apenas para difundir a imagem das empresas e dos políticos.

TEATRO DAS MEMÓRIAS: LARGO DO DESTERRO – História e Memória Social dos Bairros

O Trabalho de Pesquisa e Extensão Universitária em bairros e comunidades deve ser elaborado com muitos cuidados para não se tornar apenas mais um evento de marketing de empresas e governos que somente tiram mais-valia difundindo o ‘falso amor ao passado’.

Lema-Guia da Proposta da Gestão Política do Teatro das Memórias: “Apressar a Muda da Lagarta”

Como lembrava Paul Valery: “a maioria das sementes não tem futuro” – Nem todos os bons frutos vingam ou nascem;
Portanto, a ação cultural deve ativar 3 esferas do vida do indivíduo e do grupo:
1. IMAGINAÇÃO: a consciência reflete sobre si mesma, inventa a si mesma, se abre para as possibilidades, libertando-se do ser e do dever ser para aceitar o desafio do poder ser;
2. AÇÃO: o sujeito penetra no tempo presente e viabiliza o que sua imaginação pré-sentiu – ligando-se ao processo cultural concreto;
3. REFLEXÃO: permitir fazer a si mesmo uma proposta de continuidade de si próprio, de sua consciência e de sua ação, numa integração com o passado capaz de permitir o exercício teórico, i.é, a previsão do futuro, a predeterminação do futuro;
Neste instante, o círculo se fecha e a imaginação é de novo ativada.

A Metamorfose Cultural: A Ação Cultural é uma Lagarta

Essa visão só é possível quando se antecipa a imagem nova, transfigurada e multicolorida que dela vai surgir.
Mas, Cuidado com as Resistências e o Negativismo: Se o trabalho de metamorfose demorar muito, vem a vontade incontrolável de esmagar aquele bicho repelente, com tudo que possa abrigar de promissor em seu corpo mutante!
É preciso saber cultivar a boas sementes!

Internet: Informações sobre o Conceito e a Concepção do Projeto
http://teatrodasmemorias.blogspot.com/
Projeto de Pesquisa e Extensão Universitária, Aprovado no DEPSAN-CCCH-CONSEPE-CONSUN-UFMA-2003

GT UFMA São Luís 400 anos

Este anteprojeto tem o objetivo de promover uma campanha pela recuperação de fotografias e imagens relacionadas as comemorações dos 350 anos de ‘fundação’ da cidade de São Luís do Maranhão, no ano de 1962.

GRUPO DE PESQUISA PATRIMÔNIO & MEMÓRIA: Convida

I ENCONTRO DE ESTUDOS CULTURAIS
CCOCF (Praia Grande) – 29 A 30 de Maio

http://grupodepesquisapatrimoniomemoria.blogspot.com/

OBRIGADO!

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