01 dezembro 2008

Antropologia e Patrimônio Cultural



Livro ABA

Antropologia e Patrimônio Cultural: diálogos e desafios contemporâneos
Organizadores:
Manuel Ferreira Lima Filho
Cornélia Eckert
Jane Beltrão


Texto de Alexandre Fernandes Corrêa

METAMORFOSES CONCEITUAIS DO MUSEU DE MAGIA NEGRA:
O PRIMEIRO PATRIMÔNIO ETNOGRÁFICO DO BRASIL (1938)

Resumo
Este artigo analisa aspectos históricos e conceituais vinculados ao tombamento da Coleção-Museu de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro em 1938. Trata-se de uma reflexão sobre o conceito de etnografia no pensamento social brasileiro do início do século XX.

Palavras-chave: Patrimônio Etnográfico – Museologia – Memória Social

Abstract
This article analyzes historical and conceptual aspects connected to our cultural inheritance. The Black Magic Collection Museum of the Rio de Janeiro was inscribed in the Brazilian cultural patrimony in 1938. This article deals about reflection of the ethnographic concept in the Brazilian social thought in the last century.

Keys-words: Cultural Inheritance – Museology – Social Memory

Introdução

Este artigo é parte de um trabalho mais amplo que integra o ensaio produzido como resultado final de pesquisa para pós-doutorado, realizada no decorrer de 2005 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (CORRÊA, A., 2006).
A pesquisa desenvolveu uma investigação antropológica sobre o contexto histórico e cultural vinculado ao processo de tombamento da Coleção-Museu de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro . Em suma, trata do primeiro tombamento etnográfico do país inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão vinculado ao Ministério da Cultura. Esse processo foi concluído em 1938; portanto, logo nos primeiros anos de formação do instituto do patrimônio brasileiro.
Neste texto busca-se apresentar alguns aspectos históricos e conceituais vinculados aos usos do conceito de ‘patrimônio etnográfico’ na sociedade brasileira, a partir do final do século XIX. O interesse em recuperar esse processo de tombamento ocorreu pela oportunidade de, por seu intermédio, reconstituir historicamente o surgimento da idéia de patrimônio etnográfico; particularmente nesse momento especial em que, hoje, tanto se debate sobre a da idéia de patrimônio imaterial, intangível e memória social na cultura brasileira contemporânea.
A recuperação histórica desse tombamento revela aspectos metodológicos e epistemológicos que merecem a atenção dos pesquisadores interessados nesse tema emergente na arena da política cultural, pois se trata de um acervo que, surpreendentemente, ainda permanece relegado a um plano secundário, envolto em tabus e mistérios injustificados. O intuito foi apresentar alguns caminhos possíveis para a interpretação desse curioso processo de tombamento. Destarte, aqui se tem apenas condensada uma reflexão crítica que possui maior escopo, apresentada no ensaio original; trabalho integral que poderá ser consultado por aqueles que desejem mitigar o desejo de recolher mais detalhes sobre esse caso instigante de um tombamento singular no Panteão Patrimonial Brasileiro.

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