27 Janeiro 2009

MUSEU DE MAGIA NEGRA - Rio de Janeiro

LIVRO - MUSEU MEFISTOFÉLICO: 
Estudo sobre o significado cultural da Coleção de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A coleção Museu de Magia Negra do Rio de Janeiro: o primeiro patrimônio etnográfico do Brasil

Alexandre Fernandes Corrêa

Estudo sobre aspectos históricos e conceituais vinculados ao tombamento da Coleção Museu de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro em 1938. Trata-se de uma reflexão sobre o conceito de etnografia no pensamento social brasileiro do início do século XX.
Palavras-chave: Patrimônio Etnográfico, Museologia, Memória Social

MNEME Revista de Humanidades. Artigo com resenha da pesquisa de Pós-doc (CNPq/2006; FAPEMA/2010). Publicação do Curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó, Campus de Caicó. Vol. 9, nº 23, nov./dez 2007. ISSN 1518-3394
http://www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anteriores/sumario18.htm
* * *
FOTOS DE LUIZ ALPHONSUS


Museu da Polícia. Estatueta de exu Marabô. Assentamento.

Exu Sete Capas

Exu Tiriri. Feito com a terra de todos os cemitérios do Rio de Janeiro/DF, na época.

Pembas das cores dos orixás e bonecos usados para mascote ou sortilégios.

Plano geral. Fotos de Luiz Alphonsus

Mais Informações sobre as fotos, no Blog de Yvonne Maggie:
http://g1.globo.com/platb/yvonnemaggie/2011/08/12/objetos-da-feiticaria/
* * *
ACERVO DO MUSEU DA POLÍCIA CIVIL DO RIO DE JANEIRO




Acesse o LIVRO Museu Mefistofélico: http://www.eufma.ufma.br/x/livros/9788578620479.pdf (Indisponível)
Google Livros:
http://books.google.com/books?id=3XMGuo1jTlgC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
* * *

ANEXO VII – CRONOLOGIA CONTEXTUALIZADA DA BIOGRAFIA E OBRA DE DANTE MILANO E DA COLEÇÃO DE MAGIA NEGRA DO RIO DE JANEIRO.

Cronologia do contexto sócio-cultural que compõe o pano-de-fundo da biografia e obra do poeta Dante Milano e de criação e tombamento da Coleção de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do antigo Distrito Federal. Dados e referências, diretas e indiretas, desde o final do século XIX, até os dias de hoje:

(*) Abreviaturas utilizadas: MD (Dante Milano); MB (Manuel Bandeira); MA (Mário de Andrade); ABL (Academia Brasileira de Letras).

1888 – 13 de Maio – Abolição da Escravatura no Brasil. Nina Rodrigues, clinica em São Luís; utiliza os termos “etnologia” e “economia étnica”, na classificação racial da população maranhense. Federação Espírita Brasileira – órgão centralizador.
1899 – 16 de junho nasce no Rio de Janeiro o poeta Dante Milano, no Bairro de São Cristovão. Filho do maestro e violinista Nicolino Milano e de Corina Milano, professora de piano. O seu irmão Atílio Milano, nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de maio de 1897, também foi poeta;
1889-1890 – Proclamação da República. Código Penal Brasileiro – Artigos (156, 157 e 158) referentes à prática ilegal da medicina, da magia e do curandeirismo.
1893 – Lei Federal n°.173 – Estipula que qualquer pessoa pode denunciar e acusar organizações e instituições religiosas a Polícia, no país.
1900 – Nina Rodrigues publica em Paris, seu segundo livro, L’Animisme Fétichiste de Négres de Bahia, dedicado à Société Médico-Psychologique.
1904 – Marcel Mauss, em colaboração com Henri Hubert, publica Esboço de uma teoria geral da magia. Criação do Juízo dos Feitos da Saúde Pública, Brasil.
1906 – Projeto de criação do Museu Antropológico de Salvador, Bahia.          
1908 Morre Machado de Assis; Pablo Picasso começa a pesquisar L’Art Nègre, no Museu Trocadéro, em Paris.
1910-12 – Sede da Polícia Civil do Distrito Federal – núcleo original do Museu da Polícia, Rio de Janeiro. “Operação Xangô”, origem das peças que compõem a Coleção Perseverança – Maceió, Alagoas.
1913 1913 – DM trabalhou como conferente de textos na Gazeta de Notícias (Rio de Janeiro). Foi também funcionário do Juizado de Menores, no Ministério da Justiça; Sigmund Freud publica a obra Totem e Tabu: alguns pontos de concordância entre a vida mental dos selvagens e dos neuróticos
1914-1918 – Primeira Guerra Mundial.
1917 Brasil declara guerra à Alemanha. MA publica seu primeiro livro, Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, sob o pseudônimo de Mário Sobral. MB publica o seu primeiro livro, A Cinza das Horas; Organizado o Serviço de Fiscalização do Exercício da Medicina e da Farmácia. Art 35 – regula o uso particular de farmácias através de licença da Diretoria Geral de Saúde Pública. (Mundo: Revolução Russa – Ascensão do Comunismo Soviético);
1919 – Cecília Meireles publica sua primeira obra, Espectros;
1920 DM publica seu primeiro poema, "Lágrima Negra", na revista carioca Selecta. Nesse ano, por influência de Álvaro Ribeiro Costa, trabalhou como Recenseador no Anuário Estatístico Brasileiro; Decreto n°. 3.987, reorganiza o Serviço Nacional de Saúde Pública. Em Paris, L’Art Négre está em voga. Criação da Umbanda por Zélio de Moraes.
1921 – DM trabalha como empregado na Contabilidade da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, emprego que obteve através de influência de Olegário Mariano. Nesse ano iniciou seus trabalhos na Diretoria Geral de Estatística, no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, onde permaneceu até 1924;
1922 – Fevereiro: Semana de Arte Moderna de São Paulo, no Teatro Municipal. Bronislaw Malinowski publica Os Argonautas do Pacífico Ocidental.
1924DM inicia seus trabalhos na Diretoria de Obras no Arsenal da Marinha; Construção da Avenida Presidente Vargas e destruição da Praça Onze de Junho (Chamada de ‘Pequena África’ por Heitor dos Prazeres) – Intervenção urbana destrói o Terreiro de Tia Ciata, que ficava na Rua Visconde de Inhaúma. Região do Rio de Janeiro, ponto de encontro de grupos sociais de diversas origens e procedências: Judeus, Ciganos, Italianos, Portugueses, Espanhóis, Yorubás, Minas, etc. São Paulo: Manifesto da Poesia Pau-Brasil.
1925 – Paris: a Revue Négre faz grande sucesso em temporada no Théatre dês Champs-Elysées. Os spirituals e o jazz contagiam a burguesia de vanguarda, lotando os bares dos negros. Vibração dos novos ritmos primitivos e selvagens, considerados como algo “moderno”. Paul Rivet, Lévi-Bruhl e Marcel Mauss – criam o Institut de L’Ethnologie – treinamento de pesquisadores de campo e publicação de estudos etnográficos. Primeiro Manifesto Surrealista. Marcel Mauss, termina a obra Ensaio sobre a Dádiva: forma e razão da troca nas sociedades arcaicas.
1926 – “Noitada de violão” – Participam Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Moraes Neto, Heitor Villa-Lobos, Luciano Gallet e os sambistas Patrício Teixeira, Donga e Pixinguinha; 1926 – 29 de janeiro, MB em carta a MA solicita que envie exemplares do livro Losango Cáqui para DM. Assim escreveu MB: “(...). Peço que mande dois livros pra estas duas criaturas: Mlle. Joanita Blank – 66, Marienburg – NIMÈGUE HOLANDA – Dante Milano, Rua Piratiny, 55 RIO. Em ambos ponha uma palavrinha: a primeira é a minha discipulinha; o segundo é poeta, te provo mandando a deliciosa farra que ele fez pra mim” (1). 23 de março, MB escreve a MA: “Mário. Não gostei que o Dante tivesse dado o meu madrigal pra Germaninha. Isso me aporrinhou. Agora o mal está feito. Acabei uma carta assim. Depois vi que era um poema e mandei pro Dante com o título de “Madrigal monóstico em ritmo inumerável”. Por caçoada. Mas aquilo deve se chamar “Madrigal Engraçadinho”, não acha?” (2). 12 de abril, MB escreve a MA: “(...). Dante não recebeu o Losango. Minha discipulinha também não acusou recebimento. (...)” (3). 15 de abril, MB escreve a MA: “(...), de tarde fui me encontrar com o Dante pra irmos jantar com o Villa que eu imaginava ainda de cama cheio de ataduras e atamoles, e dei com ele de braço dado com Dante na Avenida. Fomos pra rua Didimo. Lá o Dante puxa um papelzinho do bolso como menino que mostrar ao outro uma bolinha de gude e lê esta coisa incrível de simplicidade (em nossa poesia só o “Minha terra tem palmeiras” pode encostar de longe). Trata-se do Poema Saudades da Minha Vida. Não é sublime, Mário? (...)” (4). 18 de abril, MA escreve a MB: “Manu. Vivi o seu dia feliz. O poema do Dante é de Dante, um colosso. Parece mesmo certos passos da Vida nova que fossem traduzidos pro ritmo mais brasileiro, impetuoso dentro de muito carinho. É realmente uma maravilha. Não sei como é que o Dante não recebeu o meu livro com dedicatória. Tenho a certeza que mandei assim como mandei também pra aluninha de você. Vou mandar de novo dois exemplares pra você distribuir pra eles. O da Joaninha mando sem restrições. O do Dante não sei como é o Dante e me sinto um pouco fatigado você entregará pra ele se achar que é conveniente entregar, isto é, se existe pra mim a mesma correspondência que existe de mim pra ele, isto é compreensão e integração. Já me pesa dedicar livros pra pessoas em que não vou despertar nenhum eco de amizade e de carinho. De admiração e homenagem não careço, de amizade e carinho, são as únicas razões porque escrevo e aguento este tranco duro e compromido de minha vida literária. Aliás creio que você já deve ter reparado nisso. (...)” (5). 1º de maio, MB escreve a MA enviando o manuscrito “Cordão”, de DM: “(...). Mando-lhe o agradecimento de Dante pela oferta do seu livro. Ficou cheio de dedos pra lhe escrever. Creio que lhe quer bem. Bem – bem querer, não admiração, que de resto existe também. Pra você conhecê-lo melhor, mando-lhe o “Cordão” (devolva-me, não tenho cópia). (...)” (6). “Meio desajeitado, sem arriscar julgamento, Dante Milano agradece Losango cáqui: “[...]Muito obrigado pelo livro que você me mandou. Custou mais veio. Como você vê eu estou na situação difícil de te escrever uma carta em atenção à tua gentileza. O pior é que nesses momentos solenes em que tenho de mostrar que sou um rapaz distinto fico logo com vontade de dizer besteira, besteira pra burro, só pra aporrinhar e acabar logo duma vez com isso.// Os elogios ficam pra depois.// Desculpa essa mistura de tu e você. Foi assim que aprendi a falar.// Mário, esta carta é uma merda, mas é uma prova de amizade.” (27 abr., Arquivo MA, Série Correspondência). Em uma outra missiva, de 21 de Agosto de 1926, Dante Milano arriscará: “Tenho quase certeza que você é meu amigo.” (7). “Além do datiloscrito de “Cordão”, que MA manteve em sua posse, encontram-se ainda no Arquivo do escritor, outros dois poemas de Dante Milano “Pequena história de amor” e “Farra”, todos inéditos em livro. “Saudade da minha vida”, informado por Manuel Bandeira, na carta de 14 de abril de 1926, foi transcrito por MA e guardado em envelope, trazendo sobrescrito o nome do autor.” (8). 4 de julho, MA escreve a MB: “(...). Antes de mais nada: aí vai o “Pai-do-Mato” que você entregará pro Facó publicar no Globo. Prometi pra ele e cumpro a promessa. Ele também prometeu de me mandar uma reprodução do meu retrato tirado na redão. Cobre dele e me mande, faz favor. E ainda quero as direções do Ovalle e do Dante pra escrever agora pra eles. (...)// Não tenho saudades dos dias que passei no Rio porém guardo comoções fundas. Só tenho mesmo desejo de ter você mais perto de mim, o resto não, assim longe como está, está bem. No entanto é certo que sobretudo o Ovalle e o Dante fique gostando deles de verdade. (...) Não se esqueça de me mandar a direção do Ovalle e do Dante. Fiquei querendo bem eles até o fundo do coração” (9). 25 de julho, BA escreve a MA: “(...)// Manda pra mim a carta do Dante pois atualmente será mais fácil: a família dele mudou-se e não sei como é como não é. //Abraços” (10). Em 25 de Agosto, MB escreve a MA: “(...). Villa fez mais uma seresta sobre versos do Dante. Ficou uma delícia. (...)” (11);
1927DM deixa a Diretoria de Obras no Arsenal da Marinha e inicia seus trabalhos na 2ª Vara de Órfãos e Sucessões, no Ministério de Justiça e Negócios Interiores. Pela influência de Aníbal Machado, inicia seus trabalhos no Juizado de Menores – Escrevente de Juramentado também no Ministério de Justiça e Negócios Interiores. 24 de abril, MB escreve a MA: “(...)// Li o Amar com delícia (...)//. Os exemplares que encontrei no Rio, entreguei-os ao Dante, que os leu logo e passou logo ao Ovalle. Dante gostou muito. (...)” (12); Portaria do Chefe de Polícia – Sr. Coreolano de A. Góes Filho – Prorroga a jurisdição do delegado bacharel Antonio Augusto de Mattos Mendes, para promover a repressão aos crimes previstos nos artigos 157 e 158 do Código Penal – repressão ao baixo espiritismo.
1928Manifesto Antropofágico – Oswald de Andrade. Publicação de Macunaíma de Mário de Andrade.
1929-30DM inicia sua colaboração no suplemento "Autores e Livros", de "A Manhã" e do "Boletim de Ariel". Em outubro, Washington Luís é deposto e Getúlio Vargas ascende ao poder, onde ficará até 1945. MB publica Libertinagem. Drummond de Andrade estréia com Alguma Poesia; Crash da Bolsa de Valores dos EUA. Revolução e ascensão de Getúlio Vargas ao governo do Brasil. Criação do Museu do Estado de Pernambuco – Pioneirismo na criação de uma Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais e do Museu Histórico e de Arte antiga, Recife.
1931-33 22 de maio, MB escreve a MA: “Rio de Janeiro, 22 de maio de 1931.// Mário. // Ontem tive ocasião de conhecer seu amigo Paulo Magalhães. Jantamos eu e Dante Milano com o Celso Antonio, que também mora na Pensão Monroe, e depois subimos ao quarto do Paulo onde ouvimos até dez e meia um despotismo de coisas belas na radiola. (...). Achei o Paulo simpático e o convidei a vir cá domingo com o Dante e o Celso Antonio. (...)” (13). Em 6 de julho, Bandeira escreve a Mário: “(...)// Ontem houve uma reunião aqui de amigos arranjada pela Elsie, que diz assim: “Domingo nós vamos aí, levamos uma ceia, vocês não têm trabalho nenhum, etc.” Que se há de fazer? E veio a Elsie, o Péret dizendo merde a todo instante, mme. Houston recém-separada do marido, Dante, Ovalle e Cícero Dias. //(...)” (14); Primeira grande expedição etnográfica francesa – Missão Dakar-Djibouti, com a participação de Michel Leiris.
1932 9 de julho, em São Paulo, deflagra-se a Revolução Constitucionalista;
193316 de outubro, MB escreve a MA: “(...)// Hoje ou amanhã eu farei a entrega ao Dante do Remate. //(...)” (15); Primeira Edição de Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre.
1934 – O 1º Congresso Afro-Brasileiro do Recife – Primeiro Congresso Afro-Brasileiro, cujo principal organizador foi o sociólogo Gilberto Freire. Arthur Ramos publica O Negro Brasileiro, obra em que o conceito de raça é substituído pelo de cultura; Eleita a Assembléia Constituinte - Brasil;
1934-45 – Organização das Polícias de Costumes. O controle sobre centros espíritas e organizações religiosas passa a ser feito pela 1ª. Delegacia Auxiliar do Distrito Federal especializada na repressão ao baixo espiritismo. As Federações Espíritas fazem acordos para defenderem associados da prisão.
1935 DM organiza a "Antologia dos Poetas Modernos", primeira antologia de poetas dessa fase publicada pela Editora Ariel;
1936 – Criada a Sociedade de Etnografia e Folclore, ligada ao recém criado Departamento de Cultura da Cidade de São Paulo – dirigido por Mário de Andrade; DM escreve: “Manuel Bandeira e a Vida”, em Homenagem a Manuel Bandeira, no Jornal do Comércio, Rio de Janeiro:- No Testamento de Pasárgada: antologia poética / Manuel Bandeira; seleção, organização e estudos críticos de Ivan Junqueira, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (Coleção Poiesis), na pág. 253, Junqueira descreve um breve trecho desse texto de DM: (...) -, Dante Milano, afirmou certa vez que esse era o “o segredo de Manuel, aquele menino, que supera todas as amarguras do seu espírito e da sua carne, e que dá saltos, cambalhotas, e enche de gritinhos e risinhos a sua poesia”;
1937Dissolução do Congresso Brasileiro. Estado Novo – Golpe de Getúlio Vargas – Criação da Seção de Tóxicos e Mistificações, na Delegacia de Costumes. Criação do Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). II Congresso Afro-Brasileiro, em Salvador. Participação da Sociedade de Etnografia e Folclore, no Congresso Internacional do Folclore, em Paris. Auge da repressão autoritária getulista a todas as formas de particularismo cultural e religioso no país. Sir E.E Evans-Pritchard, publica na Inglaterra a obra Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande. Criação da Seção de Tóxicos e Mistificação na 1ª. Delegacia Auxiliar.
1938 – Tombamento da Coleção Museu de Magia Negra da Seção de Tóxico, Entorpecentes e Mistificações da 1ª Delegacia Auxiliar do Departamento Federal de Segurança Pública do Distrito Federal, Rio de Janeiro. Livro do Tombo n°. 1, Inscrição n°. 1, fl 2, SPHAN (5 de maio). Missão de Pesquisas Folclóricas –Departamento de Cultura da Municipalidade de São Paulo promove expedição ao Nordeste e Norte do Brasil registrando gravações sonoras, filmes, fotos e coletando material variado sobre manifestações religiosas e festas. O Musée de L’Homme abre suas portas ao público em Paris, França; MA é afastado do Departamento de Cultura e muda-se para o Rio de Janeiro, retornando para a São Paulo somente em 1940. Tombamento pelo SPHAN, da Coleção-Museu de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do antigo Distrito Federal;
1939Início da Segunda Guerra Mundial; Criado o Gabinete de Antropologia e Etnografia, da Faculdade Nacional de Filosofia, coordenado pelo professor Arthur Ramos. Criação da União Espírita da Umbanda do Brasil.
1940MB é eleito para a ABL e é recebido pelo seu amigo Ribeiro Couto; Rodrigo Mello Franco de Andrade, através de ofício da diretoria do SPHAN, solicita a relação dos objetos que compõem a Coleção Museu de Magia Negra, tombada em 1938. O documento é enviado pelo delegado auxiliar Demócrito de Almeida.
1941 – Realizou-se no Rio de Janeiro o Iº Congresso de Espiritismo de Umbanda. Filinto Muller exige que os Centros Espíritas sejam registrados na Delegacia de Polícia Política.      
1941-42O Brasil declara Guerra à Alemanha e aos seus aliados; Novo Código Penal – Modificação do Art. 157 que classifica o crime de charlatanismo de “inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”. Retira-se a categoria espiritismo. O Chefe de Polícia passa a exigir dos centros espíritas o registro na Delegacia Distrital e na Delegacia Especializada, além da Delegacia Especial de Segurança Pública e Delegacia Geral de Investigações.
1945 – Criado o Museu do Departamento Federal de Segurança Pública – Finalidade do órgão, segundo seu primeiro diretor Dante Milano: Função - “extra-escolar destinado ao estudo da criminologia, tornou-se, em virtude de certas peculiaridades dos espécimes de suas coleções, uma instituição em que predomina o caráter científico, mas que participa da feição de Museu de Arte Popular” (Carta ao diretor do SPHAN, ao Sr. Rodrigo M. Franco de Andrade). DM passa a exercer seus trabalhos como Oficial no Gabinete do Chefe da Polícia do Distrito Federal - Ministério de Justiça e Negócios Interiores. Nesse mesmo ano inicia sua função de Diretor do Museu da Polícia Civil do Departamento de Segurança Pública do antigo Distrito Federal, do Ministério de Justiça e Negócios Interiores. Fim da Segunda Grande Guerra. Getúlio Vargas é deposto. Em São Paulo, morre MA. Fim da II Guerra Mundial.
1946 – Cassação do registro do Partido Comunista do Brasil. Marcel Griaule, professor da primeira cadeira de Etnologia na Sorbonne, em Paris.
1947 DM casa-se com Alda;
1948 DM publica seu primeiro livro, "Poesias", pela Editora José Olympio e recebe o Prêmio Felipe d'Oliveira de melhor livro de poesia do ano. Nesse mesmo ano MB reedita três livros: Poesias Completas; Poesias Escolhidas e Poemas Traduzidos e publica Mafuá do Malungo (impresso em Barcelona por João Cabral de Melo Neto);

1949 – Arthur Ramos (1903) faleceu em Paris, quando era primeiro diretor do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO.
1950 – Acelerou-se o crescimento do número de adeptos e de terreiros dos cultos afro-brasileiros. A Congregação Espírita Umbandista do Brasil (1950), a União Nacional de Cultos Afro-Brasileiros (1952) e outras instituições nacionais e regionais coordenam e defendem os interesses de seus fiéis. No 6.º Volume do Diário Crítico – 1948/1949, publicado pela Divisão do Arquivo Histórico de São Paulo – Vol. XXXVII da Coleção do Departamento de Cultura, nas páginas 214 a 219, Sérgio Milliet desenvolve texto crítico sobre a sensura do leigo à poesia moderna, onde insere comentários sobre DM e sua obra “Poesias”;
1952 DM altera a denominação “Magia Negra”, para “Magia Afro-Brasileira”, no relatório do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histório e Artístico Nacional). Sérgio Milliet publica o Panorama da Moderna Poesia Brasileira, pelo Ministério da Educação e Saúde & Departamento da Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, e nas páginas 78/79 insere breve ensaio sobre DM e sua obra “Poesias”, publicada em 1948 (No texto, Milliet comete um equívoco ao mencionar que essa obra fora publicada em 1949);
1953 DM publica nos Cadernos de Cultura do MEC, “Três Cantos do Inferno”, de Dante Alighieri, que trabalhou na tradução deste 1948. Em 15 de novembro, falece seu amigo Jorge de Lima, Poeta, romancista, ensaista e tradutor;
1954 Getúlio Vargas, eleito presidente em 1950, suicida-se;
1955 09 de setembro, morre seu grande amigo Jayme Ovalle. DM, após a morte de Ovalle escreve sobre o amigo: “Tudo o que fazia era prodigioso, mas se dava ao trabalho de realizar. Não podia, não havia tempo. (...) Do pouco que resta de sua passagem pela Terra, há um livro em inglês (The Foolish Bird), ditado em transe a uma amiga e secretária, e algumas músicas fugitivas e encantadas. E basta. Nem era preciso tanto. De tal homem bastava a presença”. (Transcrição parcial do livro Jayme Ovalle – O Santo Sujo, de Humberto Werneck, Editora Cosac Naify, 2008);
1956 – Aposentadoria do primeiro Diretor do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Sr. Dante Milano.
1957 – Fim da proibição judicial da publicação integral da obra As Flores do Mal do poeta francês Charles Baudelaire.
1958 Reedição de “Poesias” de DM, com acréscimo de 21 textos inéditos, pela Agir;
195922 de abril, MB escreve um depoimento maravilhoso sobre o amigo Poeta DM: “De Dante Milano tenho até pudor de falar, tão fraternalmente me sinto ligado a ele, diretamente e pela lembrança de Jaime Ovalle. O único poeta brasileiro de quem se pode dizer: este leu Alighieri, este leu Petrarca. Por falar nisso, não sei por que não estão neste volume as traduções da Divina Comédia (se Milano tivesse vocação para o martírio e eu fosse Governo, encomendava ao poeta a tradução de todo o poema do xará florentino). Na poesia de Dante Milano toda tarde é a última tarde; todas as coisas se tornam mais verdadeiras”. Esse depoimento está publicado no livro Andorinha, Andorinha – Edição Comemorativa do Centenário de Nascimento do Bardo (1886-1986), com Seleção e Coordenação de Textos de Carlos Drummond de Andrade, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1986, p. 203, com o título “ESTE LEU ALIGHIERI – Dante Milano: Poemas”; O historiador Sérgio Buarque de Holanda publica Visão do Paraíso.
1960 – Fundação e transferência do Distrito Federal para Brasília. A cidade do Rio de Janeiro passa a ser capital do Estado da Guanabara. 1974 – Fusão com o Estado do Rio de Janeiro.
196206 de fevereiro, falece no Rio de Janeiro, seu amigo Cândido Portinari; Publicado em Paris a obra O Pensamento Selvagem de Claude Lêvi-Strauss.
1963 30 de maio, morre em Paris, França, seu amigo jornalista, escritor, magistrado, diplomata, contista, romancista e poeta: Ribeiro Couto;
1964 – Exposição organizada pelo Diretor do Museu da Polícia (Substituto após a aposentadoria de Dante Milano) e detetive umbandista, entrevistado pela equipe patrocinada pela FUNARTE, em pesquisa realizada em 1979 (Maggie, 1979). DM aposenta-se do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Rio de Janeiro. Dia 9 de novembro, Cecília Meireles falece no Rio de Janeiro. O Brasil passa a ser comandado pelo Regime Militar;
1968 Dia 13 de outubro, às 12h:50min., morre no Hospital Samaritano, em Botafogo, Rio de Janeiro, seu amigo MB, sendo sepultado no Mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista;
1971 Nova Reedição de “Poesias” pela Editora Sabiá, agora com a tradução de três cantos da Divina Comédia de Dante Aliguieri;
1972A Coleção de Magia Negra, segundo o Sr. Diretor atual do Museu da Polícia Civil, ficou exposta de 1972 a 1989 – sem ambientação adequada, na rua Frei Caneca n. 162, Centro, anexo a Penitenciária Lemos de Brito, n. 457. Centro do Rio de Janeiro.
1979Em 3ª Edição o livro “Poesias” ganhou textos em prosa e foi publicado pela Editora Civilização Brasileira & UERJ, com o título "Poesia e Prosa"; Pesquisa patrocinada pela FUNARTE/CNDA, efetuada pelas pesquisadoras Yvonne Maggie, Márcia Contins e Patrícia Monte-Mor. Rua Frei Caneca n. 162, Centro do Rio de Janeiro.
1982 – III Congresso Afro-Brasileiro, em 20 de setembro, Gilberto Freyre profere conferência no Teatro Santa Isabel, em Recife.
1987 Em 08 de Agosto, DM concede uma das raras entrevistas (era avesso a entrevistas e bajulações) a Denira Rozário, em Petrópolis. Segundo consta, Ivan Junqueira estava presente nessa entrevista. Nesse mesmo ano, André Andrias produz um vídeo sobre a obra de DM, intitulado “Tudo é Exílio”, com a participação de Ivan Junqueira;
1988 DM entrega para publicação pela Editora Boca da Noite seu último trabalho: "Poemas Traduzidos de Baudelaire e Mallarmé". Recebe o Prêmio Machado de Assis, concedido pela ABL pela edição do livro “Poesia e Prosa”. Por estar enfermo sua esposa Alda Milano foi representá-lo e receber a premiação;
1989 – Fogo na Academia Estadual de Polícia Silvio Terra – São destruídos 37 objetos da Coleção Museu de Magia Negra e vários outros objetos do Museu da Polícia Civil.
199115 de abril, Dante Milano falece em Petrópolis, Rio de Janeiro. Documento do Diretor do Museu da Polícia, Sr. Cyro Advíncula, comunicando que de acordo coma Resolução SEPC n°. 0505/1991, o Museu do Departamento Federal de Segurança Pública passa a fazer parte da estrutura administrativa da Academia Estadual de Polícia Sílvio Terra.
1993 – Aberta novamente a Exposição do Museu da Polícia Civil, com a Coleção de Magia Negra de 1993 a 1999. Segundo informação do atual Diretor do Museu, Sr. Cyro Advíncula da Silva.
1994 É reeditado “Poesias” de DM, agora pela Editora Firmo, de Petrópolis – RJ;
1996 – Ministério Público Federal – Procuradoria da República/RJ – 4ª Câmara de Coordenação e Revisão (Meio Ambiente e Patrimônio Cultural) – Processo n°. 08120.000394/97-66 – Solicita Laudo de Vistoria a 6ª Superintendência Regional do IPHAN (RJ). Acusa ausência e destruição de 37 objetos do acervo por natural deterioração e incêndio ocorrido em 1989.
1998 – Seminário sobre Patrimônio Imaterial realizado em Fortaleza, organizado pelo Ministério da Cultura;
2000 – Decreto n° 3551 de 4 de agosto, “Institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro, cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial”. Transferência da Sede do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro da rua Frei Caneca n. 457, para a Rua da Relação, n. 42, Centro do Rio de Janeiro.  Tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Coleção Mário de Andrade, do Centro Cultural São Paulo.
2004 A ABL lança “Obra reunida”, de DM, organizada e com estabelecimento de texto de: Sérgio Martagão Gesteira, que também procedeu ao estabelecimento do texto, e com uma acurada apresentação de Ivan Junqueira. O volume reúne toda a poesia milaniana, prosas, dois ensaios, algumas cartas, traduções, textos sobre literatura e uma bibliografia comentada;
2005 – Pesquisa de Pós-Doutorado CNPq/UFRJ/UFMA, cujo objeto de análise é a Coleção Museu de Magia Negra do Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro – Pesquisador Alexandre Fernandes Corrêa (Adjunto Antropologia – UFMA). 28 de março: Nota colocada na Coluna de Anselmo Góis no Jornal do Brasil: Saravá!
2009 02 de setembro, Ivan Junqueira, no Trianon da ABL, concede longa entrevista a Alexandre Corrêa: fala da vida e da obra do Poeta e amigo DM. Alexandre Corrêa publica pela EDUFMA, São Luis/MA – “O Museu Mefistofélico e a distabuzação da magia: análise do tombamento do primeiro patrimônio etnográfico do Brasil” – trabalho final da pesquisa pós-doutoramento sobre os usos do conceito de patrimônio etnográfico no Brasil, através da análise do significado cultural da Coleção de Magia Negra da Polícia Civil do Rio de Janeiro, onde o autor buscou também analisar a biografia e a obra do poeta carioca, DM, diretor do Museu da Polícia Civil do antigo Distrito Federal, a partir de 1945.
 2010 - Fim do segundo estagio de pós-doc na UERJ, sob o titulo Dante Milano: o modernista marginal. Elaboração do livro para publicação, com o resultado da pesquisa.

Notas: 
(1)    Andrade, Mário de. e Bandeira, Manuel. Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira. Organização, introdução e notas Marcos Antonio de Moraes. 2ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001 [2000], p. 272.
(2)    ___. e BANDEIRA, Manuel. Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira. Organização, introdução e notas Marcos Antonio de Moraes. 2ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001 [2000], p. 280.
(3)    ___. - Idem. P. 284.
(4)    ___. - Idem. PP. 285/286. [Em Nota de Rodapé, n.º 41, p. 285: Com o título “Saudade do Tempo”, Dante Milano inclui estes versos, com variações, em Poesia (Rio de Janeiro, José Olímpio, 1948)].
(5)    ___. - Idem. P. 286.
(6)    ___. - Idem. P. 288.
(7)    ___. - Idem. P. 289, em Nota de Rodapé, n.º 46.
(8)    ___. - Idem. P. 289, em Nota de Rodapé, n.º 47.
(9)    ___. - Idem. P. 298 e 300.
(10)  ___. - Idem. P. 302.
(11)  ___. - Idem. P. 304.
(12)  ___. - Idem. P. 344.
(13)  ___. - Idem. P. 507.
(14)  ___. - Idem. P. 512.
(15)  ___. - Idem. P. 569.

Sem comentários: