28 janeiro 2009

XX SEMIC - UFMA

Projeto:
TEATRO DAS MEMÓRIAS SOCIAIS E DO PATRIMÔNIO BIOCULTURAL:
Pesquisa Antropológica na Região Metropolitana de São Luís.
Sub-projeto:SÍTIO DO FÍSICO: O ECOMUSEU DE SÃO LUIS

Autores:
Laura Natasha Nery Mendonça de Sousa - Aluna do curso de História, bolsista PIBIC - lauranatasha@gmail.com
Prof. Dr. Alexandre Fernandes Corrêa - Orientador, Departamento de Sociologia e Antropologia - Centro de Ciências Humanas - alexcorrea1963@yahoo.com.br

Introdução
O Sítio do Físico compreende as ruínas de um complexo industrial de grande porte, construído por Antônio José da Silva Pereira, Físico-Mor da Província do Maranhão no período de 1799 a 1817. Encontra-se localizado no Parque Estadual do Bacanga, e, desde 2006, vem sendo tratado como Ecomuseu pela Associação de Amigos do Ecomuseu Sítio do Físico(AAESF). Pretendemos com esse trabalho compreender as ‘representações sociais’ que permeiam o convívio comunitário no cotidiano do entorno (Pólo Coroadinho) do Sítio do Físico e, assim, qualificar o diálogo Ecomuseu/sociedade.
Abordamos, também, o viés histórico do objeto em questão, não no sentido de entender o passado para justificar o presente, mas porque entendemos que: “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja menos vão esgotar-se em compreender o passado se nada se sabe do presente.” (Marc Bloch, 2001, p. 65).

Metodologia
O trabalho divide-se basicamente na pesquisa documental, bibliográfica, de campo, e na análise dos dados e elaboração de relatórios, voltada para o estudo sobre a musealização do espaço. Pesquisamos documentação referente à conjuntura da Província do Maranhão entre os anos de 1798 a 1818, bem como sobre o físico-mor e pessoas ligadas a ele. Utilizamos essas fontes comparando com a bibliografia existente sobre a história da Província do Maranhão no referido período. A pesquisa bibliográfica estende-se ainda na busca de livros que subsidiem a discussão sobre Nova Museologia, o olhar e a análise da observação em campo. A pesquisa de campo baseia-se em alguns princípios da antropologia contemporânea, especialmente da antropologia do olhar (Lévi-Strauss, 1986). O olhar dirigido para o campo ocorre de forma empírica, analisando o ambiente sócio-cultural onde o objeto de estudo se encontra e fazendo o registro de cenas do cotidiano, na tentativa de apreender o olhar das comunidades sobre o Sítio do Físico.

Resultados
Durante a pesquisa, foram selecionados para análise 109 entre 3700 mil documentos do Arquivo Histórico Ultramarino e analisados 75 edições do jornal “O Conciliador do Maranhão” da Biblioteca Pública Benedito Leite. O acesso a documentos sobre o processo de tombamento do Sítio do Físico, localizados no IPHAN, revelou a idéia de musealização que se teve em primeiro momento sobre aquele espaço, que seria instituída pelo Estado, mas que acabou não ocorrendo, criando mais um vertente de pesquisa. A discussão sobre museologia amadureceu em conjunto com a discussão no Grupo de Pesquisa e a apresentação do trabalho em eventos, assim como os dados da pesquisa antropológica. Foram entrevistadas as principais lideranças das comunidades do entorno do Sítio do Físico, que nos revelou o contexto social em que ele encontra-se inserido.

Conclusões
As obras específicas sobre o Maranhão do período estudado em geral demonstram não conhecer o tamanho do complexo industrial, o volume de recursos ali empregados e a importância do empreendimento para a sociedade da época. Os estudos restringem-se a figura do físico, sem fazer uma abordagem mais ampla do contexto político sócio-econômico em que o sítio se insere. O processo de constituição do Ecomuseu Sítio do Físico está em seu início. A relação entre a comunidade com o Sítio do Físico caminha com os esforços da diretoria e das lideranças comunitárias no intuito de fazer desse espaço um local de diálogo e de transformação da sociedade sob a ótica do desenvolvimento sustentável.

http://www.pppg.ufma.br/sistemas/semic08/ver_resumo.php?id_inscricao=15

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