04 fevereiro 2009

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - Resenha


Aldous Huxley
Texto Integral (não revisado). Editores Associados – LISBOA
Será admirável o nosso novo mundo? A quem serve esta civilização que se diz moderna e funcional e, ao aparato das técnicas, sacrifica o espírito?... O espírito, considerado realidade menor, o espírito tolerado, quando não reprimido... Qual, o lugar do homem, numa sociedade dominada pela máquina? Qual, o caminho para o Indivíduo que reivindique a liberdade interior e o direito à sua... individualidade, à sua singularidade? Para o Indivíduo que queira caminhar pêlos próprios pés? Aldous Huxley, um dos maiores escritores contemporâneos, descreve, em «Admirável Mundo Novo», com fantasia e ironia implacável, a sociedade futura totalitarista. Simplesmente, o universo que o grande romancista inglês anima pertence, de certo modo, aos nossos dias. Quase já não pode considerar-se uma ameaça: tomou corpo. O que empresta à leitura desta obra uma força trágica invulgar. Mundo novo? Mundo intolerável? Mundo inabitável? Mundo de onde se deve fugir, de qualquer maneira? Ou, mundo a reconstruir- pedra por pedra? Com uma pureza reconquistada? Aldous Huxley deixa-lhe este montinho de problemas que o leitor poderá- se quiser e souber... - resolver...

Acesse: http://www.ic.unicamp.br/~vignatti/leitura/admiravel.pdf

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

O livro Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley em 1931, é uma "fábula" futurista relatando uma sociedade completamente organizada, sob um sistema científico de castas. Não haveria vontade livre, abolida pelo condicionamento; a servidão seria aceitável devido a doses regulares de felicidade química e ortodoxias e ideologias seriam ministradas em cursos durante o sono. Essa Sociedade "perfeita" é mostrada por Huxley através da história de uma jovem típica, pertencente a uma das castas altas, que, em uma crise existencial, conhece uma reserva de selvagens e particularmente um selvagem (a reserva é uma alegoria para o mundo real). Os dois personagens representam o antagonismo entre a nova e a velha sociedades, os novos e os velhos padrões. Ela vive em uma sociedade formada por pessoas pré-programadas genética e psicologicamente para desempenhar um papel social e gostar deste, sem questionar ou desejar, nem mais nem menos, simplesmente ser o que lhe foi designado pelo Estado, mantenedor do Bem-estar geral. O alfa-mais, Bernard Marx, sente-se insatisfeito com o mundo onde vive, em parte porque é diferente dos integrantes da sua casta. Num reduto onde vivem pessoas dentro dos moldes do passado (uma espécie de "reserva histórica" - semelhante às atuais reservas indígenas - onde preservam-se os costumes "selvagens" do passado (que corresponde à época em que o livro foi escrito), quando Bernard encontra a jovem oriunda da civilização e o filho dela, John, ele vê uma possibilidade de conquista de respeito social pela apresentação de John como um exemplar dos selvagens à sociedade civilizada. Na obra, o autor mostra sua visão do futuro e profetiza um mundo bem diferente do que existia em sua época. Para ele, em 1931 vivia-se o pesadelo da excessiva falta de ordem, enquanto a sua fábula no século VII d. F. (depois de Ford) seria o pesadelo da ordem em demasia. Segundo ele próprio constata no seu Regresso ao Admirável Mundo Novo, escrito vinte e sete anos depois, em 1957, aquilo que ele imaginava num futuro distante, ou seja, as profecias feitas em 1931 já começavam a se realizar mais depressa do que ele pensava e O abençoado intervalo entre a excessiva falta de ordem e o pesadelo da ordem em excesso não começou e não dá sinais de começar. Huxley profetizou em Admirável Mundo Novo, uma civilização de excessiva ordem onde todos os homens eram controlados desde a geração por um sistema que aliava controle genético (predestinação) a condicionamento mental, o que os tornava dominados pelo sistema em prol de uma aparente harmonia na sociedade. Não havia espaço para questionamentos ou dúvidas, nem para os conflitos, pois até os desejos e ansiedades eram controlados quimicamente pelo "Soma", sempre no sentido de preservar a ordem dominante. A liberdade de escolha estava restrita a poucas matérias da vida. As castas superiores eram decantadas em "betas", "alfas" e "alfas-mais" e se originavam de óvulos biologicamente superiores, fertilizados por esperma biologicamente superior, recebendo o melhor tratamento pré-natal possível. Já as castas inferiores, bem mais numerosas, recebiam um tratamento diferenciado: provinham de óvulos inferiores, fertilizados por esperma inferior, passavam por um processo denominado Bokanovsky (noventa e seis gêmeos idênticos retirados de um só ovo) e eram "tratados prénatalmente, com álcool e outros venenos proteínicos".

Personagens principais

Diretor: Um Alfa condicionado a servir à Fábrica.
Bernard Marx: Um Alfa-mais. Homem estranho para a Sociedade e curioso, que desejava em primeira instancia, relutar contra a Sociedade, procurando respostas, procurando sentir reais emoções. No entanto, revelou-se ao sentir o poder em suas mãos.
Lenina Crowey: Uma Beta. Linda, "pneumática". Condicionada a não amar, porém entrega-se a uma paixão no decorrer do conto.
Linda: Mãe do selvagem John, amante do Diretor. Teve de permanecer na reserva pois uma civilizada gorda e grávida era um ultraje à Sociedade.
John, o Selvagem: Filho de Linda e do Diretor. Curioso. Revela-se o personagem principal no decorrer do conto. Deseja ser livre. Deseja saber.
Wilson Hendelholtz: Amigo de Bernard. Escritor. Desejava a liberdade artística.
Mostafa Mond: o Administrador. Um Alfa-mais-mais. Um cientista enclausurado em sua vontade de pesquisar o que não podia. Como Administrador Geral, sua função principal é de "censurar" toda obra que possa "agravar" a estabilidade da Sociedade.

Tempo
O romance se passa no ano de 753 d.F. (Depois de Ford).

Enredo
A hsitória se inicia com um grupo de alunos Alfas em uma excursão didática a uma fábrica de homens. Nela, o Diretor apresenta-lhes o processo de fecundação, onde todo o novo ser é dividido em classes sociais, antes mesmo de sua concepção. São elas:
1. Alfas. Detentores de conhecimento. A casta alta. Vestem roupas cinzas.
2. Betas. Detentores de habilidades específicas para a realização de tarefas. Casta alta.
3. Gamas. Mão-de-obra. Formados pelo processo Bokanovsky1. Casta baixa. Vestem roupas verdes.
4. Deltas. Mão-de-obra. Formados pelo processo Bokanovsky. Casta baixa. Vestem roupas cáqui.
5. Ipsilons. Mão-de-obra. Formados pelo processo Bokanovsky. Casta baixa. Vestem roupas pretas.

Todos passavam por um processo de condicionamento, levavam anos escutando máximas didáticas sobre bons costumes durante as horas de sono. Isso garantia que todos respeitassem as leis impostas para que se conservasse a estabilidade. Todos eram assim "felizes". Nesta mesma fábrica trabalham Lenina e Bernard. Lenina é uma moça Beta, condicionada a somente ser feliz, cumprir suas tarefas na fábrica e servir a todos os homens. Bernard, um Alfa-mais, curioso, deseja sentir emoções, recusa-se a seguir as leis impostas. Lenina deseja acompanhar Bernard a uma viagem à Reserva de Selvagens. Bernard, ao pedir permissão ao Diretor para que pudesse realizar tal viagem, descobre que o homem já esteve na reserva acompanhado de uma amante e que esta se perdeu lá. Após chegarem à reserva, Bernard e Lenina ficam horrorizados com a paisagem humana. Podre e fétida, as aldeias de selvagens organizam-se para rituais e em meio a um deles, Bernard e Lenina conhecem o jovem John, pois é o único que fala sua língua (o inglês). John os apresenta à sua mãe, Linda, que descobrem ser uma mulher civilizada. Porém, sem tomar a ciência da Sociedade que torna a todos belos e com longevidade, Linda está gorda, horrenda, e horrorizada por ter tido um filho (ser mãe é algo obsceno à Sociedade, onde todos são de todos, todos são fabricados) não pode mais voltar à civilização. John é um rapaz curioso, bonito, aprendeu a ler lendo Shakespeare, deseja ser livre e aprender mais sobre a vida. Apaixona-se por Lenina, mas não se mostra desta forma, pois segue à risca os poemas do escritor inglês que lhe ensina a amar verdadeiramente, em espírito e não em carne. Bernard, de súbito, percebe que Linda trata-se da amante perdida do Diretor, e bola um plano: levar os dois selvagens com ele para a civilização e desmoralizar o Diretor, que tem planos de enviar Bernard à Islândia, castigando-o por seus atos contra a Sociedade. Ao chegarem em Londres, o Diretor é desmoralizado como previsto por Bernard e pede demissão da fábrica. O Selvagem, como fica conhecido John, torna-se o centro das atenções e todos desejam vê-lo. Bernard torna-se seu curador, responsável por mostrar-lhe todos os agrados da Sociedade. Linda, que sente-se horrenda, deseja tomar "soma" (uma droga que controla a Sociedade, uma fuga a todos os problemas) em grandes doses para esquecer sua vida para sempre. E assim se faz, Linda passa a viver em um apartamento no prédio onde reside tambem Bernard, vegetando.
O título de curador torna Bernard importante e poderoso. Possui dezenas de mulheres por semana. Deixa o poder subir-lhe à cabeça. Esquece de sua curiosidade e de sua amizade por Helmholtz. O Selvagem John não se agrada com o "Admirável Mundo Novo" que tanto sonhara. Recusa-se a aparecer em uma reunião com um ícone importante da Sociedade. Isso destrói a reputação de Bernard que volta a ser amigo de Helmholtz e o apresenta ao Selvagem. Helmholtz e o Selvagem tornam-se amigos, passam horas discutindo sobre Shakespeare e a "arte" do mundo civilizado. Helmholtz encanta-se pela arte proibida e obscena que John adora. Quanto a Lenina, esta tenta seduzir o Selvagem, mas a negação aos seus encantos por este torna-a apaixonada por ele, afinal, tudo que é mais difícil é tambem mais tentador. A paixão de Lenina pelo Selvagem é tanta que leva-a a tentar estrupá-lo em seu próprio apartamento. O Selvagem repudia Lenina e esta se tranca nua no banheiro a chorar. É neste mesmo momento que John recebe a notícia de sua mãe estar morrendo. John segue para o Centro de Indigentes, onde se encontra sua mãe Linda. Ao ver sua mãe morrer, John revolta-se, percebe que o que sempre quis não estaria naquele mundo novo, naquela prisão de felicidades. John então começa uma rebelião dentro do Centro de Indigentes, o que leva seus amigos Bernard e Helmholtz ao seu socorro. Os três são detidos e levados à Fordeza, o Administrador Mustafa Mond. É nesta parte da história que tudo se torna claro. O Administrador faz a todos entender que a liberdade é perigosa para a sociedade, pois quebra a estabilidade. Por isso, não podem desenvolver a ciência ou a arte, pois estas precisam do caos para existirem. Então, propõe aos três amigos que escolham um destino onde possam ser livres. Bernard implora não deixar a civilização. Helmholtz escolhe as Ilhas Falkland, pela necessidade de um local com clima rigoroso e cheio de tempestades para escrever seus romances, para desenvolver a arte. O Selvagem John prefere viver em um velho farol entre Puttenham e Elstead. Neste farol, John deseja punir-se e purificar-se da civilização, querendo ser livre. Porém, sua paz dura pouco ao ser perseguido por repórteres e interesseiros que acabam por fazer um "filme sensivel" de sua vida. Sua fama se espalha novamente e acaba cercado de pessoas civilizadas que o adoram. Por não ter mais alternativas, por não conseguir mais sua liberdade, John acaba enforcando-se, encontrando assim a paz eterna.

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