07 fevereiro 2009

The Economist: "The centre of São Luís is decrepit".


Saiu na imprensa inglesa a descrição de um quadro lamentável de nossa cidade de São Luís, que só o olhar estrangeiro as vezes consegue captar; pois nosso olhar cotidiano acaba se acostumando e se conformando com a realidade mórbida que nos cerca. A natureza humana tem dessas coisas: acostumar-se com a miserabilidade de muitos e a riqueza de tão poucos. Além de se conformar com uma cidade desigual, mal tratada, repleta de buracos, sem água na maioria dos bairros, violência urbana, e todas as mazelas que uma cidade pobre e desumana tem. Para piorar esse cenário lamentável é cruel assistir o desfile dos carrões reluzentes dos poucos ricos que desfilam seus milhões em automóveis de luxo... Ainda bem que existe imprensa em outros países do globo, e podemos ver expressa a realidade em que vivemos no seu colorido real. Parece que o Senador Sarney deseja processar o órgão inglês de imprensa. Incrível! Quer barrar a liberdade de pensamento e de opinião, fora do Maranhão e do Brasil!
Veja um dos trechos da matéria, em que faz-se uma referência direta a nossa cidade:
"The centre of São Luís, the state capital, is decrepit. Some historic buildings are well cared for, such as the gleaming white Church of Our Lady of the Exile. But most are slowly crumbling in the hot, wet weather. The streets are pitted with potholes. An extraordinarily large number of people hang around in the hope of getting a tip in return for showing drivers where to park. In a city of 1m people, there were 38 murders last month alone".
Uma tradução livre: "O centro de São Luís, a capital do estado, é decrépito. Alguns prédios históricos são bem cuidadas, como o branco reluzente da Igreja de Nossa Senhora do Desterro. Mas a maioria está lentamente desmoronando sob o clima quente e úmido das condições meteorológicas. As ruas estão repletas de buracos. Um grande número de flanelinhas extraordinariamente a vagabundear na esperança de obter uma gorjeta em troca de orientar os motoristas onde estacionar. Em uma cidade de 1 milhão de pessoas, houve 38 assassinatos no mês passado".
Essa é uma realidade descrita com palavras duras, mas verdadeiras. O Centro Histórico de São Luís está fantasmagórico, o modelo de preservação que se conduz ali, em mais de duas décadas, esta caduco e decréptco. É um fracasso total. Agentes públicos de bancos nacionais teem procurado trazer finaciamento para projetos de re-vitalização, mas quando entram em contato com os representantes locais da política do patrimônio, só encontram projetos de 'restauração' de fachadas e de estruturas de prédios de proprietários que estão fazendo especulação imobiliária. Não existem projetos de articulação com população que produz e que mora nesses bairros. As empresas privadas e as instituções públicas que atuam no Cntro Histórico promovem eventos para incrementar seu marketing e reproduzir seus interesses. Uma espetacularização de milhões que só faz manter as coisas como estão, enganando e ludibriando a população local. As instituições do poder público não teem se responsabilizado e nem garantido a democracia nas decisões em relação à gestão dos recursos ali investidos. Autocracia, e despotismo, graça entre agentes públicos omissos e cúmplices de uma decrepitude desvatadora.
A matéria do jornal inglês aponta para as razões históricas que explicam a manutenção desse estado de coisas. Sabemos que as pessoas que são coniventes com essa política de preservação do patrimônio histórico e cultural no estado estão ligadas aos grupos que a matéria ataca e denuncia. A eleição do Sr. José Sarney para presidente do Senado é uma mancha triste, mais um passo para atrás que nos conduz ao retrocesso e lança o país nas garras do 'semi-feudalismo'. O que vemos acontecer no Maranhão e em São Luís, merece ser denunciado no mundo inteiro. Oxalá, os grupos locais que se sustentam e se locupletam nessas alianças espúrias comecem a temer pelo seu destino.
O que essa matéria ilustra é o pensamento penetrante de Nestor Canclini, que no livro "Culturas Híbridas", apontava para o fato de a política do patrimônio ser o locus privilegiado no qual os grupos oligárquicos e conservadores repruduzem suas ideologias e seus domínios.
Viva a liberdade de imprensa, de pensamento e de opinião!
Para ler a matéria integralmente, acesse:
http://www.economist.com/world/americas/displaystory.cfm?story_id=13062220
Para compreender a lógica dominante nas políticas do patrimônio local, consulte o texto "Dialética da Permanência do Passado", nesse Blog.

Sem comentários: