18 julho 2009

Edgar Morin, Palestra na ABL/RJ: ‘O Pensamento do Sul’.



Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 14 de Julho de 2009.

Edgar Morin, Palestra: ‘Pensamento do Sul’.

Saudações à Edgar Morin, por parte de Cícero Sandrone (Presidente da ABL) e Cândido Mendes,

Le Jour de Gloire est arrivé! 14 de julho, a queda da Bastilha!
... Edgar Morin nos ensina que não há desordem, o que existe é uma ordem maior que se constata e se organiza a partir da própria idéia deste sentido. Edgar Morin nos permitiu sair do compreender da linearidade para o multidimensional. E por ai ele chega a essa antecipação, nós devemos a ele, não só a noção da organização, mas a noção da complexidade; para compreender o que é de fato o nosso tempo. E dentro dela não é só a organização, não é só a auto-organização, é a retroação: é a antena dialética que lhe permite sempre entre a retroação e a recursão – algo de tão importante quanto romper as dialéticas lineares – nos dá o sentido de nosso tempo. Mais do que isso. Pude acompanhar essa trajetória e ver que ele é o único caso de quem saiu na frente, nos próprios EUA, a partir de San Diego e outros tantos laboratórios, em que o biológico se multiplicava, nos dar essa visão, esse entender de nosso tempo; e o fazer a partir de um sentido tão grande, do nosso cotidiano. Ainda essa semana mesmo vimos (no RJ) a retomada dos filmes documentários de Jean Rouch, mas a gente se esquece que Edgar Morin é também um grande autor de cinema, ele usou essa multidimensionalidade também e dentro dela, ele pode nos dar este sentido de onde brota o inesperado, no seu maior filão. Edgar Morin foi a sociologia das stars, foi a descoberta do fenômeno do cinema de massas. E foi também ‘(---)’, foi o que era de fato, o outro cotidiano a adoção da busca do novo em nosso tempo. Edgar Morin em todas essas colocações, mas sobretudo, nos dando algo, meu querido Presidente da ABL, que eu acho incomparável: - Me refiro, é claro, ao ‘discurso do método’! Eu não conheço contemporaneamente quem tenha associado a essas intuições, como a de Claude (---), ou como (---), a adoção do método, com os três volumes monumentais em que a descoberta vem ao lado da teoria para formular o discurso da pós-modernidade, neste mesmo século. Ao lado disso, não só a descoberta, não é só a sistematização da descoberta, mas é também a busca sempre dos valores fundamentais da interrogação humana. Quem falou da morte, como Edgar Morin? Quem foi as condições limite da existência na nossa contemporaneidade, como Edgar Morin? Quem foi a redescoberta do Pai, em tema realmente axial, como Edgar Morin pode fazer? Quem encontrou essas condições todas em que a interrogação da finitude aí está, aberta, nova, do que em Edgar – vamos ver hoje – no seu ‘Pensamento do Sul’? Ele pode nos apresentar quase que uma heurística, sim, uma heurística do nosso tempo. Cultura e civilização, propedêutica do que seja o mundo global, a partir do seu ‘Sept Savoirs’, que se transformaram no catecismo do século XXI, o que é trabalho também de uma pedagogia, em que ele chega ao ensino primário, ele chega ao ensino secundário, e está nos propondo uma revolução universitária, para que antes de qualquer conhecimento, sem conteúdo, interdisciplinar que seja, se possa saber o que é o saber, ou melhor, aquilo que Edgar tem a patente eterna, a retroação: ‘la complexité de la complexité’, o 'saber do saber do saber'; permitindo dentro da grande epistemologia do nosso tempo, a superação do nosso inimigo de toda hora que é o reificar do pensamento. Edgar Morin vai além de G. Lukács, nesse sentido. E pode nos permitir essa opção contínua e permanente da desconstrução, em que somos tão sonâmbulos, geralmente, quando a enunciamos. Ele nos dá o segredo contra..., nos dá a imunidade ideológica, por ai mesmo... e é uma bela tarefa que ele continua esta problematização: - a Esfinge está farta de Edgar Morin! Eu quero salientar é que de fato, dentro deste seu perguntar, ele nos permite, talvez, o que seja o mais importante disso tudo, essa retroação chegar ao verdadeiro singular, e dentro desse singular, plantar, no mundo do virtual, no mundo simulacro, o que seja a Edgar Morin: - a liberdade em nosso tempo!

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