02 agosto 2009

BRASILEIRO OU BRASILIANO?


TEMA PARA DEBATE

Brasileiros ou Brasilianos?
Há muita diferença entre se reconhecer como brasileiro ou brasiliano. Diz-se que Brasileiro era o nome dado ao português que desembarcava no país para explorar os recursos da nova terra. Portanto, era considerado um tipo de profissão tal como carpinteiro, barbeiro, pedreiro e... brasileiro.
O termo gentílico correto a ser usado seria "brasiliano"! Com o sufixo "ano" próprio aplicado a exemplo de outras nacionalidades, como boliviano, colombiano, peruano, americano, italiano...
Mas desde a Constituição de 1824 utilizamos esse termo para nos autodefinirmos enquanto cidadão do Brasil...
Não chegou a hora de refundar nossa forma de nos reconhecermos enquanto povo? Refundar o Brasil numa nova sociedade mais justa e igualitária?

* * * 

"Brasileiro ou Brasiliano"?


Somos 'brasilianos', a nação já foi construida. 'Brasileiros' foram gerações de trabalhadores que construiram o Brasil, agora é a nossa vez de realizar o ideal brasilianista, brasiliano, de afirmar uma nacionalidade.

Saudações brasilianas, Alexandre Corrêa.

Alexandre Gomes:
"(...) Tem diferença em ser brasileiro e ser brasiliano. Brasileiro era o nome dado ao português que desembarcava nesse país tropical apenas para explorar. Era uma profissão! Como carpinteiro, barbeiro, pedreiro e... brasileiro. O termo a ser usado é "brasiliano"! A exemplo de outras nacionalidades, como boliviano, colombiano, peruano, americano, italiano e por ai vai. Temos que deixar de explorar e fazer nossa parte para construirmos um país melhor. (...)"
http://planaltodospalhacos.blogspot.com/2008/02/brasileiro-ou-brasiliano.html

Brasileiro ou Brasiliano? Kadu
"Pergunta interessante de se fazer a qualquer pessoa e ver ela ficar confusa para responder…mas vamos aos fatos: Quando você trabalha em uma padaria, você é padeiro… Quando você trabalha em uma quitanda, você é quitandeiro… Quem trabalha na construção civíl é pedreiro… Tem gente que frequenta puteiro… A outra parte: Quem nasce na Itália é Italiano… Quem nasce na Bolívia é Boliviano… Quem nasce nos Estados Unidos Americano ou Estaduniense… E agora? Você ainda acha que é brasileiro ou brasiliano?
Na minha concepção, o sulfixo “EIRO”, “EIRA”. “EIROS”, “EIRAS” se aplica a profissões ou locais de trabalho, mas em nacionalidade não pega bem…Então, quando você for preencher um documento ou formulário, verifique se você pode colocar a forma correta de se referir a sua nacionalidade."
http://opiratadigital.wordpress.com/2008/09/10/brasileiro-ou-brasiliano/

Reflexão:
No momento da recrudescência de movimentos sociais egoísticos e particularistas, resvalando em posturas fundamentalistas, cabe uma reflexão sobre a nacionalidade brasiliana. Separatismos, fragmentação étnica, etnogêneses, política étnica, etc., invocam um momento de atenção para o fato de que a proliferação de defesas apaixonadas de sistemas de 'cotas raciais', maldição da miscigenação, negar a mestiçagem (no senso do IBGE), e etc. etc. O projeto de nacionalidade brasiliana não estaria correndo o risco de desaparecer? Será que no estamos assistindo a vitória da dissolução da ideia de nação brasiliana, ao percebermos a força dos discursos exclusivistas e particularistas? Nesse momento compreendo que é prociso pensar no que George Bataille escreveu em 1957, no momento que analiava a obra poética de Charles Baudelaire:
"... uma nação se obstina em não alcançar a idéia que ela se dá de si mesma num momento e, de preferência a ter que ultrapassá-la, admite desaparecer. A criação se detém, pois recebe seus limites do passado e, porque ela tem o sentido da insatisfação, não pode se desprender e se satisfaz com um estado de imutável insatisfação. Esta fruição morosa, prolongada por um fracasso, esta crença em estar satisfeito mudam a liberdade em seu contrário" (Bataille, p. 43).
Ao abrir mão dos nossos ideais de construir uma nação com princípios e fundamentos próprios, nos entregamos ao processo de universalização sem forças para manter esses mesmos ideiais que nos trouxeram até aqui. Os ideais de miscigenação e mestiçagem, podem estar sendo abandonados e a fissura do país emergir no horizonte histórico. É preciso estar atentoe comprrender as forças históricas que atuam nesse momento.

Baitaille, George. A literatura e o mal. Porto Alegre: LPM, 1989.   

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