02 agosto 2009

ECOMUSEU 'DEVIR CRIANÇA'



Evento: Mestres e Conselheiros (UFMG/2009)

ECOMUSEU DEVIR CRIANÇA:
Ação cultural no âmbito das heranças sociais no mundo infanto-juvenil.

"Do Passado Emergirão as Crianças do Futuro". Wilhelm Reich.

Esta proposta de comunicação originou-se de experiências em pesquisa e extensão universitária desenvolvidas pelo Projeto de Ação Cultural “Teatro das Memórias Sociais”, no Bairro do Desterro em São Luís/MA, desde o ano de 2004. Esse projeto teve como proponente a Associação de Moradores do Centro Histórico e contou com o apoio da Fundação Municipal do Patrimônio Histórico. Inicialmente nossos trabalhos foram promovidos de acordo com os métodos da ‘História das Cidades e dos Sítios Históricos’ (Living History). Contudo, após uma leitura mais crítica desses procedimentos, desenvolvemos outras técnicas em que a forma criativa de ensinar pudesse ser aplicada de forma mais ativa, superando “o falso amor ao passado”, próprio da civilização urbana moderna (Lévi-Strauss). Num contexto de “crise das significações sociais” (Durkheim & Castoriadis) observa-se difundir e disseminar uma “crise do futuro”, em que viceja e recrudesce um “retorno ao passado”, como uma fuga nostálgica: “quando o futuro está doente, acaba ocorrendo um retorno ao passado” (Morin). Para haver um investimento simbólico no futuro é necessário que no presente o passado venha como algo já vivido, entrelaçado às elaborações e conquistas na construção de referências identificatórias (Aulagnier). A herança recebida passa por um processo de identificação e historicização que nomeia e inscreve em cada singularidade uma pertença no presente com abertura para a criação de ideais futuros do sujeito em formação. A partir desse trabalho de pesquisa-ação sobre novas práticas museológicas e também de reflexões sobre o mundo psico-cultural infanto-juvenil, constatou-se que os impasses e obstáculos epistemológicos (Bachelard) presentes no início do trajeto só poderiam ser ultrapassados numa interface dialógica entre Antropologia (Culturanálise) e Psicanálise. Diálogo que está fundado em uma reflexão sobre as formações subjetivas e o laço social a partir do imaginário e do simbólico (Lacan), pois detectou-se que a crise do futuro aponta para uma quebra simbólica no campo subjetivo dos registros de nomeação e do sentimento de pertença. Nossa proposta para esse evento leva em conta tal diálogo para que se possa levar a frente um processo de transmissão das heranças culturais e das memórias sociais em que a criança e o jovem sejam convidados a serem introduzidos no laço social, aprendendo de forma participativa, criativa e imaginativa, ao invés de ser objetalizada em técnicas de entretenimento coisificantes. Nosso objetivo, então, é o de escapar da ‘museomania’ romântica: o EcoMuseu ‘Devir Criança’ investe em outra direção. Trata-se de buscar novas práticas culturais e museológicas inspiradas nos movimentos da década de 1960-70, quando se deu o início à Nova Museologia e as propostas de criação dos EcoMuseus. Foi o começo de um longo enfrentamento contra a museologia tradicional e convencional. Como em nosso país o paradigma convencional é ainda dominante, nosso trabalho enfrentou de imediato uma forte resistência em relação ao Signo-Museu. Desafortunadamente, não temos disseminado em nosso contexto sócio-cultural uma visão na qual o museu é reconhecido como uma instituição viva, que faz pesquisa, produz novos conhecimentos e vinculada ao sistema de lazer, formação, criação artística e científica. Esse cenário dificultou nosso trabalho, mas não foi um obstáculo intransponível.

Palavras-chave:
Culturanálise – Ação Cultural – Laço Social – Museologia – Mundo Infanto-Juvenil

Autores:
Adriana Cajado Costa: Psicóloga/Psicanalista. Mestre e Especialista em Psicologia Clínica (PUC/SP). Doutoranda em Psicanálise (UERJ). E.mail: adricajado@hotmail.com
Alexandre Fernandes Corrêa: Professor Associado de Antropologia (DEPSAN/UFMA), Doutorado em Ciências Sociais: Antropologia (PUC/SP). Pós-Doutorado: Antropologia (UFRJ/CNPq & UERJ). Membro do Programa de Pós-Graduação e Cultura e Sociedade (UFMA). Conselheiro de Cultura do Estado do Maranhão. E-mail: alexandre.correa@cnpq.pq.br

Internet:
CRISOL-GPEC: http://gpeculturais.blogspot.com/
LAPSU: http://psicanalisesaudemental.blogspot.com/

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Vale a Leitura:
Último Desejo e Testamento de Wilhelm Reich
Universidade Estadual Paulista ¾ Rio Claro

RESUMO - O objetivo desta tradução é contribuir para a divulgação do pensamento do médico psiquiatra e inicialmente, psicanalista, Wilhelm Reich. Nascido em 24 de março de 1897, em parte da Galícia pertencente ao Império austro-húngaro, Reich morreu na prisão em 03 de novembro de 1957 nos Estados Unidos da América. Contudo, poucos meses antes do ataque cardíaco que o levou à morte, Reich legou sua obra às "crianças do futuro" em testamento assinado em 08 de março de 1957, onde registrou seus últimos desejos sob o testemunho de Willian Moise, Michael Silvert e Willian Steig, temendo possíveis distorções, difamações, adulterações e destruição de seus escritos após a sua morte.
Palavras-chave: Wilhelm Reich; testamento; pensamento reichiano.
Sara Quenzer Matthiesen
http://teso.vilabol.uol.com.br/testamentoreich.html

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