20 novembro 2009

CULTURA MESTIÇA


Derek Walcott defende a cultura mestiça

“Derek Walcott defende a cultura mestiça” é o título da entrevista concedida por Derek Walcott a Guillermo Altares,
do jornal El País, reproduzida, com tradução de Clara Allain, no jornal Folha de São Paulo (Caderno Ilustrada, 29 de junho, 1994. p. 5). O entrevistado é o laureado pelo Nobel de Literatura de 1992. Ele afirma que a riqueza de sua literatura vem da fermentação de idiomas do Caribe, especialmente de sua terra-natal, Castries, capital da ilha de Santa Lucia. Na introdução à entrevista, menciona-se que Derek Walcott, quando do recebimento do prêmio Nobel, era um autor quase desconhecido na Espanha. Pode-se dizer que, em geral, no Brasil também.
Os temas abordados nessa entrevista foram: em Omeros, seu imenso poema de 300 páginas, há uma defesa do Caribe como ponto de fusão de raças e culturas; a segregação racial no Caribe é diferente, pois é como estar num barco, onde é preciso compartilhar tudo que há, não existindo hostilidade entre as diferentes raças; tudo no Caribe é um fermento de idiomas; as consequências do imperialismo são vistas na vida diária dos caribenhos, fazendo com que seja necessário um certo distanciamento para examinar certos aspectos do que chamamos de história; a experiência poética consiste em lutar para encontrar toda a riqueza de uma língua; Omeros não é um livro épico, pois a épica tem a ver com o patriotismo, com um destino religioso, com o militar... e Derek Walcott quis expressar uma gratidão imensa para com as pessoas do lugar de onde veio; para aqueles que chegaram da África, todos os nomes mudaram, e Walcott se questiona se é uma rendição aceitar o novo nome, para o quê responde que não, apesar de ser importante saber o que se era antes e o que se é agora.

Publicado em: novembro 08, 2009

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