29 novembro 2009

Filósofo que reduziu crimes em Bogotá


Manuela Andreoni, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Em março de 2007, o governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame visitaram a Colômbia a fim de conhecer as políticas públicas que conseguiram reduzir os índices de criminalidade da região.
Hoje, é a vez de o prefeito Eduardo Paes buscar uma “cola”, em um workshop, com o precursor das mudanças na política daquele país, Antanas Mockus, político, matemático, filósofo e ex-prefeito de Bogotá. Em dois mandatos, ele reduziu de 72 para 51 a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes. Atualmente, a capital colombiana registra 18 mortos para o mesmo universo populacional (uma redução 75% no número de assassinatos).
O encontro para o prefeito Eduardo Paes é promovido pela ONG Rio Como Vamos. Uma das bandeiras que Mockus vai agitar diante do prefeito carioca é o estímulo à defesa da cidadania. Para ele, a política de segurança não deve depender apenas da ação policial.
– Ela (polícia) é uma das ferramentas. Quando vemos o orçamento, estão lá as armas que devem ser compradas. A secretaria de cultura, no entanto, também deve ser um instrumento de ação usado para garantir a segurança da população – exemplificou.
O filósofo colombiano não negou a necessidade do enfrentamento, mas questionou sua eficácia fora de contexto. O ex-prefeito defendeu o que chama de "otimização do ganho pedagógico" das operações de confronto, a fim de que a população não vire inimiga da polícia.
– Há de se provocar o máximo de temor com o mínimo de ódio – ensina Mockus.
Ao comentar sobre a recente proposta do prefeito Eduardo Paes de suspender o trabalho de limpeza da cidade por um dia, para mostrar aos cariocas o lixo que a população produz, Mockus encontrou gancho para explicar que cidadania é um processo cultural.
– Existem três sistemas de controle (da população): o legal, o social e o moral. Então, não há apenas uma impunidade, mas três. A pessoa que mata uma menina por causa de um celular, por exemplo, deveria morrer de culpa – filosofou.
Enquanto explicava o raciocínio, Mockus buscava na lixeira um pedaço de guardanapo que enrolava um chiclete mastigado para comer. Diante da reação dos ouvintes, ele explicou que o que impede uma pessoa de comer lixo e matar alguém é um único mecanismo: a moral.

21:34 - 27/11/2009

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