09 janeiro 2010

EXISTE 'VIDA' SEM OS OBJETOS DA SEDUÇÃO DOMINANTE?



MODA, HUMOR E IRONIAS

Rodrigo Santoro fecha desfile com estampa de 'frase humorada'!

"Embora tivesse escrito em sua camisa algo como “Não existe vida sem Blackberry”, Rodrigo afirmou que também não é muito ligado em tecnologia. “Eu não tenho Orkut, Facebook ou Twitter. Essa não é minha filosofia. Gosto de viver de forma mais tranquila. Se eu preciso escrever uma carta, escrevo à mão”, disse ele (...)". FONTE: http://www.tecontei.com.br/estilo/noticia/67647/rodrigo-santoro-diz-que-nao-se-importa-muito-com-a-moda.html

BIBLIOGRAFIA Sobre o Tema

O Sistema da Moda. Roland Barthes
Editora: Edições 70 Colecção: Signos Ano: 1999

Introdução à Análise da Imagem. Martine Joly
Editora: Edições 70 | Ano: 2008

A Aventura Semiológica. Roland Barthes
Editora: Edições 70 | Ano: 1987

Mitologias. Roland Barthes
Editora: Edições 70 | Ano: 2007

Teoria da Interpretação, O discurso e o excesso de significação. Paul Ricoeur
Editora: Edições 70 | Ano: 2009

Semiótica da Publicidade - A criação do texto publicitário. Ugo Volli
Editora: Edições 70 | Ano: 2003

A Imagem e os Signos. Martine Joly
Editora: Edições 70 | Ano: 2005

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Reflexões Semiológicas Extemporâneas...

O poder que o sistema de objetos exerce sobre a formação subjetiva é imperceptível ao primeiro olhar desavisado. Ou melhor, a formação subjetiva (o nosso próprio olhar) é construido pela formação dos sistemas de objetos que articulam e modulam a produção desejante - através dos usos, produções e reproduções dos objetos.
Sistemas de status, emblemas, ritos, ostentação de signos de consumo e posição social, atravessam nossas vidas desde tenra infância: a própria infância é produção socialmente determinada. Os brinquedos (games), os objetos lúdicos (tomados como essencialmente inocentes e puros) são atravessados pela ordem simbólica dominante.
A lógica cultural na qual estamos inseridos necessita destes sistemas interligados e interconectados de objetos, signos, emblemas, ritos, etc., para permanecer e perpetuar-se.
Assim, a frase "Sem Blackberry não existe vida!", reflete uma 'verdade' sociológica subjacente e muito significativa, qual seja: não é possível sustentar uma posição subjetiva, no sistema em que vivemos, sem que nos utilizemos de determinados bens, objetos e valores; como alicerces, bases, de nossa condição na estrutura social. Um automóvel zero quilometro, uma viagem turística, uma roupa de marca, etc., tornam-se condições essenciais para a introdução da pessoa nas coordenadas psico-sociais, cultural e economicamente significativas.
É possível resistir a essas condicionantes ídeológicas coercitivas? Qual a possibilidade de existirmos subjetivamente fora da ordem simbólica e cultural dominante? Existe 'vida' fora da ideologia (mitologia) dominante?
Como manter-se nas fronteiras e nas margens desses sistemas semiológicos poderosos?
Ao romper, ou trapacear (R. Barthes), com o sistema de representações socialmente estabelecidos, criamos outros sistemas de referências ideológicas - não é possível viver sem estar socialmente introduzido em sistemas de valores. O impasse semiológico é esse: - ao desmitificar o sistema ideológico dominante, criamos outro sistema de referência mitológico...
O sistema que agencia a produção desejante e subjetiva contemporânea está dominado pelo Capital: é preciso que se reproduza a todo custo - isto goza, é libidinoso. Afinal, quem em sã consciência se endividaria em 60 meses para obter um carro zero km! Sem embargo, de que maneira podemos superar e resistir a erosão cultural e a corrosão violenta que esse sistema do Capital produz?

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