15 fevereiro 2010

Filosofia no Ideias & Livros JB

Quando se fala em clássico alemão, ainda mais em poeta, a palavra que nos vem imediatamente à cabeça é Goethe. Mas, e Heine (1797-1856)? Aos poucos ele vai sendo conhecido no Brasil e talvez esse quarto título seu – "Os deuses no exílio" – que é lançado agora numa edição, sem nenhum exagero, brilhante, definitivamente o ponha como referência da qual não podemos fugir. Não foi à toa que a editora Iluminuras esmerou-se em organizar escritos diversos que, no fundo, tratam de um mesmo tema, quase obsessão heininiana. O destino das divindades antigas, que alimentavam mais um imaginário mitológico que teológico.
Também, no 'Ideias', Richard Rorty defende o pragmatismo e o fim das reflexões abstratas no livro testamento "Filosofia como Política Cultural", e o filósofo alemão Peter Sloterdijk, autor de "A crítica da razão cínica" e de "Regras para o parque humano", desenvolve, em "Derrida, um egípcio: o problema da pirâmide judia", uma série de reflexões que se constituem em um autêntico diálogo entre as ideias de Jacques Derrida (1930-2004), o teórico da desconstrução.
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FILOSOFIA COMO POLITICA CULTURAL. Richard Rorty. Editora: Martins Fontes.
Sinopse: Filosofia como política cultural é uma seleção dos trabalhos filosóficos de Richard Rorty que foram reunidos na última década, entre 1996 e 2006. Trata-se, de certa maneira, de seu testamento, no qual desenvolveu temas atuais e de interesse permanente, como a religião e a política cultural, o lugar da filosofia e da imaginação na cultura ocidental, o holismo, historicismo e naturalismo. Inspirado em John Dewey, Robert Brandom, William James, e mensurando-se criativamente com Kant, Heidegger, Hegel, Nietzsche, a hermenêutica, o desconstrucionismo e o pós-moderno, Rorty nos deixou uma coleção ímpar de textos que certamente atrairá a todos que tenham interesse pela filosofia e sua relação com a cultura. Do simples ao complexo e apoiando-se na proposta jamesiana de optar sempre pelo “que ajudará a criar um mundo melhor”, Rorty atinge o ápice nos capítulos finais, em que trata da questão da linguagem e da filosofia analítica e suas relações com outras linhas, particularmente a pragmática.
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REGRAS PARA O PARQUE HUMANO. Peter Sloterdijk. Editora Angelus.
Sinopse: Lido como conferência no castelo de Elmau, na Baviera, a 17 de Julho de 1999, "Regras para o Parque Humano" viria a suscitar uma virulenta polémica na Alemanha. O escândalo partiu da sua melancólica declaração do falhanço do humanismo como utopia da domesticação humana por meio da leitura, face às novas técnicas de desinibição das massas; mas também do seu suposto flirt com o léxico nazi e as perigosas fantasias nietzschianas do superhomem, assim como com as ideias de Platão sobre o Estado como parque zoológico humano gerido e planificado por uma elite de sábios. Este ensaio enfrenta de forma corajosa a nova realidade biotecnológica e propõe à filosofia a urgente tarefa de repensar a essência do humano, para lá dos coletes-de-forças impostos pela caduca cultura do humanismo.
http://www.angelus-novus.com/admin/livros/uploads/imprensa/29.pdf

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