24 abril 2010

Cultura Light, Pensamento Soft!

Estamos na era da 'cultura ligth' para todos, 'vale' para todos: leve, suave, sustentável, politicamente correta... Era do pensamento soft, sweet, sem gravidade, risonho... As coisas nesse mundo nunca estiveram tão intensas, instigantes, apaixonantes; no entanto, temos que estar sempre calmos, tranquilos, bem humorados, parecendo inteligentes e falar de acordo com a ordem subjetiva dominante! Ah! Que época essa a que vivemos!  
A insustentável leveza do pensamento fraco, sem gravidade, sem profundidade! Ser superficiais, zipar pensamentos soltos e fragmentados, rir (pois faz bem pra saúde!) - gargalhar, se conseguir, o máximo que puder! Atenção, o lema é esse: Nunca parecer triste! Pode significar que vc está deprimido, na fossa (Nossa! Essa palavra nem existe mais no vocabulário contemporâneo!)...
Seja Diferente! Beba Coca-Cola 'light'!
Cínico, conformista, 'alegre', desprentencioso: - turista do pensamento, da cultura, da arte, do sexo...
Ainda se tem falado de 'raízes' - bem, só se for raízes de álgas flutuantes na era líquída! Flutuantes, soltas: ora ali, ora aqui... É o triunfo do pensamento fraco, medroso, fóbico, frágil... Temos que ser líquidos, lights, softs, diets, sweets, cools, cleans, pós-yuppies, pós-hippies: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina, sexo só com camisinha, com Cialis e Viagra, Redbull, Extases, etc. Sempre alguma coisa ou objeto transicional, para proteger, servindo de ego auxiliar, evitando o contágio, a espontaneidade ou o risco de espantar-se - tudo deve ser programado, controlado, calculado, pré-estabelecido, pre-meditado, precedido, simulado. Há um consenso absurdo em tudo, todos concordam, todos aceitam: o contraditório desapareceu. Morreu a dialética! Mas fica esse mal estar dissimulado de um ar blasé e entediado, sem porquê nem para quê - parece aquele sentimento dos habitantes do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Temos que arrumar algum 'soma' que faça funcionar 'isso'! Não pode parar: a máquina tem que operar! Para isso temos facilitadores, multiplicadores, terapeutas, auto-ajudas, oficineiros... todo um equipamento pré-montado de soluções pre-meditadas...
Bem, não se pode pensar muito profundamente... Temos que ser 'políticos'! Espertos, sutis, malandros... Nada de 'arqueologias' ou 'genealogias': isso, só se for com os 'outros', o mais longe possível. Nem que sejam 'outros' fabricados, inventados, forjados... 
Para isso temos a nova fabrica de 'alteridades' de socorro à manutenção e perpetuação da mesmice: FÁBRICA DE INCUBADORAS ETNOGENÉTICAS S/A. Nessa fábrica sempre se arranja uma 'alteridade' pronta para seu uso particular ou institucional. Não faltam Centros Culturais, Universidades e Instituições congêneres, com especialistas em 'laudos antropológicos'...
(Mas, como não poderia deixar de ser, ironicamente, temos um 'centro cultural' que incorpora no nome a curiosa associação de idéias e reflexões experimentais que fizemos aqui: o prestigiado 'Centro Cultural LIGHT'! Adiantamos que trata-se de mera coincidência, apenas uma acidental e curiosa associação com idéias livres!)
Do 'Admirável Novo Mundo', surgem os Laboratórios 'Étnicos' Pós-Modernos: Vende-se 'Identidades Étnicas' novíssimas em folha, a varejo e no atacado: basta encontrar e contratar um antropologista de plantão, para dar o laudo etnologista - o cetificado de autentificação de 'identidade étnica nova'!
Pense light, pense soft, pense diet! Cultura sweet, clean, cool! Vale Cultura para todos! Vale Etnia para todos! Vale Sexo seguro para todos! Vale Soma para todos!  
Viva o espírito livre!
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