25 abril 2010

Lygia Clark: a artista da não-arte

Principal nome da vanguarda carioca dos anos 50/60 junto com Hélio Oiticica, Lygia Clark (23/10/1920), a artista-plástica que não se considerava artista, morreu de infarto (25/04/1988), aos 67 anos, em sua casa em Copacabana, no Rio de Janeiro. Segundo um amigo, Lygia não estava bem havia um tempo: “Ela andava acabrunhada e se sentia revoltada por um dia estar bem e outros não”. O corpo de Lygia foi velado no cemitério de São João Batista, em Botafogo.
“Através da outra pessoa, o indivíduo pode perceber o seu próprio sentido, conhecer-se a si mesmo” – com essa frase, Lygia Clark sintetizava o problema a que se dedicava e as soluções que encontrou ao longo de uma das trajetórias mais marcantes nas artes plásticas brasileiras. Ela não se definia como pintora, apesar de ter pintado. Também não se considerava escultura, apesar de ter feito escultura. A partir de certo momento, desistiu de ser artista, a despeito de ter sido uma. Tornou-se a não-artista que, através da arte, tentava chegar às vísceras do corpo humano, onde tudo o que importa tem sua origem mais profunda.

“Grávida de ideias” e “estéril para enlouquecer”, era assim que Lygia referia-se a si mesma. Ideias, ela começou a tê-las desde que, em 1947, sem qualquer formação acadêmica, foi para Paris e expôs lá o seu trabalho.
Em 1952, voltou ao país e ligou-se ao concretismo, com Ivan Serpa na liderança do grupo Frente no Rio. Três anos depois, veio a revolução: Lygia rompeu com o espaço da representação através dos “contra-relevos” e das “superfíciesmoduladas” mostradas na I Exposição neoconcreta, em 1959. Do mesmo ano são os primeiros Bichos, esculturas em lâminas metálicas articuladas por dobradiças, que foram o maior ponto na revolução que ela iria operar então. Eram estas as ideias que, em seguida, resultariam na dissolução da obra de arte enquanto objeto destinado à contemplação.
“A arte não consiste mais em um objeto para você olhar, achar bonito, mas para uma preparação para a vida”, disse Lygia Clark numa entrevista em 1971.
Fonte JB:
http://jbonline.terra.com.br/leiajb/2010/04/25/primeiro_caderno/morre_lygia_clark__a_artista_da_nao_arte.asp

1 comentário:

Domenico Condito disse...

Última actualização do blog “Utopie calabresi”:
"Alegre tem cátedra em Pádua"
É inaugurada em Pádua a cátedra com o nome de Manuel Alegre, dedicada à língua, literatura e cultura portuguesas.

Abraço