02 maio 2010

'TRAGÉDIA' GREGA E OLIMPÍADAS 2004: Cuidado Brasil!

Subsídios para Reflexões Socioculturais acerca dos Impactos das Políticas Tecnocráticas - para a Realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016, no Brasil - sobre os Acervos e Bens Culturais e Naturais. Os Agenciamentos Econômicos das Indústrias Turísticas e Hoteleiras, das Empreiteiras e Governos Federal e Estaduais controlando o processo de construção da infra-estrutura dos Jogos, constituirão poderes avassaladores, que colocarão em risco os acervos culturais e naturais: recursos que serão explorados para atrair turistas e consumidores de todo o mundo. As lições do que ocorreu na organização dos jogos de Atenas  - e Vancouver (Jogos de Inverno - 2009) e também da África do Sul (Copa 2010) -, com  consequências danosas para a sociedade grega, poderão servir de alerta para a consciência dos cidadãos que querem se manter lúcidos diante da retórica oportunista que prometerá 'mundos e fundos' para todo tipo de empreendedor econômico. Nas áreas da cultura e da natureza o processo de erosão biocultural poderá se intensificar, causando estragos sem precedentes. É preciso estar atentos as formas de agenciamento que serão articuladas por uma retórica que teima em prometer 'progresso' e 'desenvolvimento' em detrimento da razoabilidade, da qualidade de vida, e dos direitos culturais e naturais.
Esse alerta é oportuno, no momento que a Europa se encontra numa encruzilhada preocupante; já, como é sabido, salvar a Grécia não significará o estancamento de um processo de desequilíbrio econômico, que dá sinais de se alastrar pelas economias de países como Portugal, Espanha e Irlanda. É o momento da sociedade civil brasileira aprender com essas lições européias...
O Observatório de Políticas do Patrimônio Cultural (OPPC) a se reunir de 25 à 28 de maio em Recife, deverá contemplar estas inquietações. Até lá será útil estar atento as últimas notícias sobre o que se passa na Grécia e também na África do Sul (outro país que parece anunciar dificuldades de gerenciamento dos gastos realizados com a Copa de 2010).

Dívida pública da Grécia deve chegar a € 295 bilhões

A Grécia teve grandes prejuízos com a crise econômica, mas essa dívida é acima de tudo um reflexo de seguidos governos populistas e corruptos.
Esses governos arruinaram as contas públicas do país. As Olimpíadas de Atenas, em 2004, também contribuíram para essa crise: inflaram a folha do funcionalismo em 50 mil servidores e custaram duas vezes mais do que o previsto. A estimativa é que no ano que vem a dívida da Grécia seja de 121% do PIB, ou € 295 bilhões (cerca de R$ 750 bilhões). O limite da União Europeia é de 60%.
A situação complicada faz com que não se descarte o risco de moratória. A Comissão Europeia já afirmou que não irá socorrer o país, ressaltando a necessidade de o governo grego pôr em execução um plano para combater o problema o quanto antes.

Jogos Olímpicos: Cuidado Brasil… atenção ao exemplo grego e de Vancouver

O Brasil vive ainda uma certa euforia a propósito da organização dos Jogos Olímpicos. Mas cuidado: uma parcela não desprezível dos gravíssimos problemas orçamentais gregos resulta ainda dos Jogos Olímpicos de Atenas e mesmo o comparativamente muito mais rico Canadá tem agora uma fatura de um bilião de dólares para pagar em “Segurança” pelos Jogos Olímpicos de Inverno que organizou recentemente. A verba inicialmente prevista era de “apenas” 165 milhões de dólares, e terá disparado para a estratosfera.
Os organizadores continuam a dizer que os Jogos ficarão a “custo zero”, com as despesas igualando as receitas, mas esse “equilíbrio” já está a contar com os 423 milhões de dólares em “dinheiro de emergência” do Comité Olímpico Internacional. Mas a cidade de Vancouver – onde foram organizados os Jogos – já tem uma dívida por saldar de quase um bilião de dólares, resultante da construção da Aldeia Olímpica e existem já cortes em serviços públicos como a Educação, a Saúde e as Artes resultantes de dificuldades orçamentais do município.
A ideia era vender os alojamentos da Aldeia Olímpica como condomínios de luxo e assim, recuperar o investimento, mas a crise e a recessão ditaram de outra forma… Atualmente, a direção dos Jogos está a tentar obter um empréstimo de 434 milhões para terminar a Aldeia Olímpica, mas isso não se está a revelar fácil… E a cidade está agora devedora de mais de um bilião de dólares, algo que tem encarecido os juros que paga noutros empréstimos. Por isso, cuidado com a euforia Olímpica, Brasil… A Grécia nunca recuperou da euforia (e das dívidas) dos Jogos Olímpicos e o seu (mau) exemplo deve refrear qualquer aventureirismo em que o Brasil se queira meter, criando despesas e fazendo investimentos de retorno impossível.
Disponível: http://movv.org/2010/04/12/jogos-olimpicos-cuidado-brasil-atencao-ao-exemplo-grego-e-de-vancouver/

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The Economist. Finance and Economics. Greece's debt crisis
On the edge of the abyss
Europe's leaders must act fast to stop Greece’s market contagion spreading.
Disponível: http://www.economist.com/business-finance/displaystory.cfm?story_id=16003202&source=most_commented

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Estudo mostra poucos sinais de obras dos futuros estádios


SÃO PAULO, 3 de maio de 2010 - Passados quase dois anos e meio do anúncio do Brasil como sede da Copa 2014 e quase um ano da escolha das 12 cidades-sede, há ainda raros e poucos sinais de obras dos futuros estádios para o Mundial de futebol.
O Portal 2014 (http://www.copa2014.org.br/) realizou um levantamento sobre a situação de cada um dos estádios que deveriam, de acordo com exigência da Fifa, iniciar suas obras em 3 de maio de 2010. De acordo com o levantamento a situação mais grave é a do Rio de Janeiro, ainda sem um projeto definido e qualquer sinal de abertura da licitação.
A situação é um pouco menos ruim no Recife, com a licitação paralisada por recurso de uma das participantes, e Natal, que ainda não publicou seu edital para a seleção da construtora, embora prometa iniciar obras secundárias ainda em maio. Obras secundárias também são o recurso de Salvador para cumprir o mínimo exigido pela Fifa. A capital baiana foi uma das primeiras a realizar a licitação, mas o processo acabou embargado por uma ação do Ministério Público Federal.
Brasília, vítima dos problemas que afetaram a credibilidade do governo do DF, conseguiu agora liberar a licitação no Tribunal de Contas e deverá abrir as propostas na próxima semana. São Paulo e o Morumbi seguem às voltas com as críticas da Fifa ao projeto de remodelação do estádio e aguarda a avaliação da entidade às últimas modificações propostas pelo São Paulo Futebol Clube.
Em Curitiba, o Atlético Paranaense recebe sinais de que o governo do estado poderá aportar recursos públicos na renovação da Arena da Baixada. E, por fim, Porto Alegre, onde o Internacional recusa-se a recorrer ao financiamento do BNDES, mas não conseguiu, até agora, tocar as obras com suas próprias pernas.
O pontapé inicial para as obras foi dado apenas em Belo Horizonte, Manaus e Cuiabá. A capital mineira disputa a abertura da competição com Brasília e São Paulo, e segue à risca um cronograma próprio acordado com a Fifa. Já as sedes da "Amazônia" e do "Pantanal" fizeram a lição de casa e começaram a desmontar as estruturas de seus antigos estádios antes de estourar o prazo da Fifa.
(Redação - Agência IN).
Disponível: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/03/e030510011.asp

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Quilombo de Mangueiras, em Belo Horizonte, pode ser impactado pela Copa de 2014

O Quilombo Urbano de Mangueiras, em Belo Horizonte , com processo avançado de titulação junto ao INCRA, está ameaçado por um projeto de urbanização da Prefeitura do Município de Belo Horizonte. O projeto apresenta como uma de suas justificativas a construção de alojamentos para a Copa do Mundo de 2014, uma Vila da Copa. Em 2008 uma equipe de antropólogos da UFMG elaborou um detalhado Relatório

Antropológico de Caracterização Histórica, Econômica e Sociocultural do quilombo (uma verdadeira etnografia com mais de 200 páginas) que integra o processo de RTID do INCRA, já publicado no DOU. Parte do perímetro de cerca de 20 hectares pleiteado é hoje terra da família Werneck, uma influente família na cidade, que detém uma grande área não urbanizada na região. O espaço que até pouco tempo era desvalorizado, por estar em uma das regiões mais pobres de Belo Horizonte e devido ao seu relevo acidentado, se tornou em poucos anos cobiçado pelo mercado imobiliário, diante de realização de empreendimentos públicos, principalmente após a construção do novo Centro Administrativo do Governo Estadual, localizado a cerca de 5 quilômetros da Comunidade Quilombola de Mangueiras.
Disponível: http://www.abant.org.br/conteudo/002PRINCIPAL/Nota_sobre_Mangueiras.pdf

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