26 junho 2010

Identidade...

Acho duvidoso que a 'identidade' tenha que ser o resultado, ou função, necessário/a das heranças e legados simbólicos que possuímos e que nos constituem. Mesmo a idéia de identidades processuais - identificações - me parece ainda conceder a idéia de que as heranças agem/atuam constituindo unidades coerentes e homogêneas... A idéia de identidade é ilusória, abstrata, só pode ser concebida a partir da ilusão do Ego/Eu.
Apesar dos legados e das heranças nos terem constituido inicialmente (nomes, propriedades, bens...) de modo algum determinam definitivamente nosso DNA identitário, i.é, nosso mito pessoal fundador não é uma 'carteira' de identidade fixa e imutável... Podem ser entendidos como pontos de partida do devir pessoal...
Legados e heranças culturais nos atravessam sem exigir necessariamente, de nós, fixações identitárias neuróticas e teritorializantes. Essas 'exigências' se dão pelos agenciamentos institucionalizados: famíliarismo, nacionalismo, grupismo, tribalismo, etc.

Adriana Cajado: - Mais do que isso, a repulsa de grupos contra outros me faz lembrar uma análise de Lacan sobre o que une a tropa: algo que é comunicado entre o grupo sem palavras, o ódio. Ele ainda diz que o significante destacado dentre outros que vai representar o sujeito ou o grupo sempre é erigido em posição de ficar contra o outro. Fixações identitárias é uma aberração sintomática que pode até falar em nome de uma união, mas é a união de uns contra outros. É verdade, não é necessário concordar, dar a razão para o outro, mas assumir uma posição subjetiva de tentar compreender as razões já é um bom sinal de saúde mental. Sempre queremos que a razão fique só de um lado, ao ponto de dizer que o louco é um sem-razão! Nunca escutaram a lógica do delírio...

Sem dúvida, tem esse aspecto, que parece ser o desencadeador mais nuclear desse complexo - próprio de uma psicologia de grupo. Tem me intrigado a força que os grupos possuem ao exigir e impor 'identidades' e 'identificações' para se manter coeso e aplacar as angústias do indiferenciado; evitando um devir mais nômade, menos territorializado ou fixo. É algo que é dificil de se trabalhar analíticamente dentro das instituições, onde as formações subjetivas estão controladas por interesses de prestígio, poder, status, recursos, etc. - capitais venais e simbólicos de todo tipo... Parece que só se pode falar disso e analisar isso, de fora, na fronteira...

2 comentários:

Persona Rocha .:. disse...

Esta semana, o Blog Fritações recebeu o Prêmio Dardos, juntamente com a oportunidade de premiar outros. Como acompanho seu blog, tenho a satisfação de dizer que através de seu esforço, criatividade e dedicação, também está recebendo esse incentivo a continuar escrevendo.
Visite o link http://personarocha.blogspot.com/2010/06/premio-dardos.html e pegue seu selo (prêmio). Parabéns!

Abraço fraterno,
Persona Rocha

Alexandre Fernandes Corrêa disse...

Prezado Persona Rocha, Agradecemos a sua dica e comentário ao nosso trabalho! Grande abraço!