11 outubro 2010

Archaeologies of the Future

The Desire called Utopia and other Science Fictions
Jameson Fredric

“Fredric Jameson is America’s leading Marxist critic. A prodigiously energetic thinker whose writings sweep majestically from Sophocles to science fiction.”


Terry Eagleton

In an age of globalization characterized by the dizzying technologies of the First World, and the social disintegration of the Third, is the concept of utopia still meaningful? Archaeologies of the Future, Jameson’s most substantial work since Postmodernism; Or, the Cultural Logic of Late Capitalism, investigates the development of this form since Thomas More, and interrogates the functions of utopian thinking in a post-Communist age.
The relationship between utopia and science fiction is explored through the representations of otherness … alien life and alien worlds … and a study of the works of Philip K. Dick, Ursula LeGuin, William Gibson, Brian Aldiss, Kim Stanley Robinson and more. Jameson’s essential essays, including “The Desire Called Utopia”, conclude with an examination of the opposing positions on utopia and an assessment of its political value today.

Archaeologies of the Future is the third volume, after Postmodernism and A Singular Modernity, of Jameson’s project on the Poetics of Social Forms.

Book: http://www.scribd.com/doc/34824655/Archaeologies-of-the-Future-Fredric-Jameson

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Arqueologias do Futuro: arqueologias da utopia...

Numa vertente bem original e muito distinta das dominantes na Arqueologia Oficial e Estabelecida (na Academia e no Mercado), temos um trabalho importante desenvolvendo-se na fronteira, nas margens, que merece destaque.
Primeiro, é preciso destacar que não se pode pensar a arqueologia sob o princípio dos arqueólogos do tipo "avestruz"; que enviam a cabeça em 'buracos' do passado e negligenciam o presente e o futuro. Na verdade, de modo reativo, esses ' arqueólogos' consideram sempre, tanto o presente quanto o futuro, uma ameaça aos seus tesouros do passado! Postura lamentável, em cientistas e preservacionistas... Pois, o que é verdadeiramente interessante, e necessário, ao contrário disso, é desenvolver uma pesquisa arqueológica crítica que nos revele as origens, as bases, os fundamentos de nossas crenças no presente e no futuro. Afinal, de onde vêm nossas ideias do futuro e do presente? Em que camadas da história ou da pré-história emergem nossos fundamentos e crenças do presente e do futuro?
Comumente observamos estruturas psico-culturais do tipo nostálgico e passadista - românticos contra-culturais - a frente de empreendimentos arqueológicos. Por quê? Por que se refugiam na "arqueologia" estas ideologias do passado, do ontem, do El Dorado do Passado idílico...?
Refúgios ideológicos como sintomas de uma era em que o ' futuro' está doente! Em que não se tem mais esperanças no futuro! Difunde-se: É o fim da história! É o triunfo dos fukuyamistas. As arqueologias do futuro estão premidas no tempo do culto conservador do passado... Como superar tal obstáculo epistemológico e ideológico é o desafio dos novos futuristas e novos utopistas!
"O passado tinha um futuro", nos disse Paul Ricoeur; mas os passadistas tomam o passado, e ainda mais o passado enterrado, como um "país estrangeiro", como um "outro", na moda poderosa do "diferente", no culto da diferença a todo custo. Mas, há muita semelhança entre o passado, o presente e o futuro, qual seja, no seio desses devires há sempre as projeções de produções desejantes, emancipatórias (ou alienantes), de outros mundos possíveis, de outros mundos impossíveis! Todavia, os passadistas e os arqueologistas do passado, preferem se aliar aos conservadores e enviar suas cabeças no fundo da terra, esquecendo, e ocultando, as contradições do presente. Faz-se arqueologia, hodiernamente, em nome das técnicas e do aprimoramento científico, em busca de uma neutralidade axiológica higiênica e sanitária. A arqueologia de contrato, de olho no mercado imobiliário e do crescimento industrial atual, está a procura dos "te$ouros" perdidos, e não se preocupa com as alianças políticas que fazem com os grupos conservadores e as oligarquias. O Stablishment (Ordem Simbólica Dominante) adora e deseja colar seu nome aos grandes empreendimentos "científicos" da História Natural, da Paleontologia, da Espeleologia, da Arqueologia, da Etnologia, da Educação Patrimonial (empreendidas de modo romântico)... é como se buscassem os títulos nobiliárquicos, como no passado monarquista. As ciências históricas podem servir de entronização e eternização de feitos heroicos, dos quais se tira todo o proveito turístico, glorificando a raridade e a excepcionalidade, que sempre se encontrará em algum objeto, terreno, baú, relíquia, etc., nem que seja forjado, inventado (as tais tradições), e imaginados...
Estamos assistindo, muito passivamente, a conjunção de instâncias científicas, acadêmicas, industriais, turísticas - num complexo acordo de empresas e empreendimentos - sem precedentes na história recente do país. Tais estruturas histórico-culturais merecem a atenção da crítica, pois devem superar a ordem estabelecida pelos consensos impostos, embotadores do reflexão livre. "Preservar por preservar", "o passado deve ser conservado", "amar e cuidar do passado", "reabilitar o passado"..., são obsessões do presente, que têm vínculo íntimo com as estruturas de manutenção de poderes estabelecidos de longa data. A tal tradição, forjada, precisa desses lastros arqueológicos e histórico-culturais para continuar existindo e se mantendo. A chancela científica do passado e suas estruturas de poder, acabam perpetuando no imaginário social, a cena da submissão, da pobreza, ou da riqueza, num mundo que reluta em transformar-se. Falta Política, e Poesia, nessas 'arqueologias' do passado: arqueologias de avestruz, que não querem ver o presente, nem o futuro...

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