28 novembro 2010

CULTURA & SUBJETIVIDADES

X ENCONTRO HUMANÍSTICO NACIONAL - 2010


TEMA: LINGUAGENS
São Luís/MA
Mesa Redonda - CULTURA & SUBJETIVIDADES: formações subjetivas e produção cultural no estágio atual da modernidade.

Foco:

Relação com o passado no plano psíquico e social: analogias e homologias do processo na vida individual e social.

Palestrantes:

Adriana Cajado Costa (Lapsu/UERJ)
Alexandre Fernandes Corrêa (PGCult/Gpec/Crisol-UFMA)

Resumo

A presente mesa busca contemplar a demanda por diálogos transdisciplinares, ou até mesmo anti-disciplinares, sobre o processo de formação subjetiva contemporâneo. Com esse intuito, convidamos profissionais e pesquisadores de campos do conhecimento diferentes almejando estimular o diálogo entre saberes tidos como estanques, prisioneiros da compartimentação excessiva dos saberes. Admitindo que as novas formações subjetivas entrelaçam vínculos antes nunca imaginados, pretende-se interpretar e compreender os processos intersubjetivos produzidos na atualidade ao perscrutar os novos domínios do significado na alta modernidade. O foco principal recai especialmente sobre a fenomenologia das configurações psicossociais expressas nas representações do ‘futuro do passado’ na atualidade.
Palavras-Chave: cultura – subjetividade – política do significado – memória

Resumo Expandido

A proposta dessa Mesa é fazer um breve exame dos debates concernentes a questão da formação subjetiva e da lógica da produção cultural na sociedade atual. Busca contemplar a demanda por uma interdisciplinaridade sobre o processo de formação subjetiva e cultural na contemporaneidade. Com esse intuito almeja-se estimular a dialogia entre áreas do conhecimento tidos como estanques e presos na compartimentação excessiva dos saberes. Admitindo que as novas formações subjetivas entrelaçam vínculos antes nunca imaginados, pretende-se interpretar e compreender os processos intersubjetivos, nas diferentes formações culturais e simbólicas produzidos na atualidade, abordados pelas diferentes áreas do conhecimento. Assim, convidamos para compor a Mesa profissionais e pesquisadores em Psicanálise, Estudos Culturais, Sociologia, Antropologia e Psicologia para uma reflexão profícua que tenta perscrutar os novos domínios do significado na alta modernidade.
Nessa direção o objetivo dessa Mesa é contemplar a formação de profissionais em diversas áreas das ciências humanas e sociais, no sentido de aprimorar suas percepções sobre o processo de funcionamento da sociedade atual. Tomamos como foco central as novas formas de produção da cultura e das subjetividades resultantes da lógica concernente ao atual estágio do capitalismo financeiro e globalizado. Os profissionais devem apresentar novas ferramentas teóricas para compreenderem a nova lógica cultural e a nova lógica de produção subjetiva que predomina na contemporaneidade.
Um aspecto importante e que merece destaque é o que se refere aos domínios próprios da constituição da modernidade, assim como os debates atuais sobre a pós-modernidade e a hipermodernidade, no contexto das transformações aceleradas do capitalismo tardio, no que se tem designado comumente de globalização. A Mesa CULTURAS & SUBJETIVIDADES coloca como tema para reflexão no curso as peculiaridades e singularidades das novas formações subjetivas no contexto de urbanização e metropolização, que impõem determinações novas e diferenciadas para a constituição da ‘vida mental’ e cultural nas sociedades contemporâneas.
O que se designa de globalização é um processo que se refere ao atual estágio do capitalismo financeiro que se caracteriza pela formação de uma lógica sócio-cultural dominada pelo individualismo acentuado, pela ‘hipervalorização megalomaníaca do self’’, além do consumismo, da cultura do dinheiro, da patologização do social, do uso intensificado de novas drogas sintéticas e da violência ocasionada pela queda simbólica das instituições e da introjeção da lei, como é o caso da delinqüência e dos comportamentos desviantes de jovens das classes médias e altas etc. Esse quadro é especialmente problemático numa cidade como São Luís que, somente na última década, sofreu os impactos mais intensos dessas transformações sócio-culturais. As respostas subjetivas e coletivas que aparecem nesses contextos demandam intervenções profissionais que compreendam as particularidades locais que encenam os conflitos próprios de indivíduos e grupos antes submetidos à ordem patriarcal e que agora são defrontados com um novo referencial que os jogam no desamparo e que abrem caminho para as mais variadas sintomatologias psíquicas: como é o caso da síndrome do pânico, das depressões e das posições subjetivas dependentes que produzem pessoas que no confronto com a Lei tentam a qualquer custo negá-la.
Nesse sentido, procura-se colocar, sob uma perspectiva crítica e científica, os novos processos de subjetivação, como fonte genuína de reflexão e pensamento, num mundo que se revela cada vez mais livre dos cânones disciplinares limitados a compartimentação e restritos aos velhos domínios cartesianos. Novos paradigmas parecem colocar-se ao conhecimento, na expectativa de renovar os discursos sobre a subjetividade, a existência, o afeto, a lei, a ordem simbólica, a produção desejante e a criatividade na atualidade.

Foco para o Debate:

Fenomenologia das expressões e representações do ‘futuro do passado’ na vida psíquica e social.

1. CONFIGURAÇÕES PSICOSSOCIAIS DO ‘FUTURO DO PASSADO’ NA CENA CULTURAL ATUAL.

Alexandre Fernandes Corrêa (PGCult/Gpec/Crisol-UFMA): alex@ufma.br

Quais os riscos dos excessos da gestão do patrimônio cultural e da memória social sobre a arte e o imaginário artístico? A criatividade constitui um processo dialético que enlaça a dimensão simbólica e imaginária do sujeito no laço social. A memória não se configura apenas de traços mnêmicos do passado, mas interfere em ato no presente e influi nas identificações e ideais futuros. Criar, inventar é produzir memória nas cenas construídas a partir de um diálogo com a herança recebida. A fixação de identidades e territórios numa gestão política parece limitar o campo criativo produzindo uma repetição do mesmo, réplicas do idêntico. Indaga-se: Como garantir a liberdade e a criatividade da arte, num espaço social cada vez mais dominado por conceitos e noções antiquados e acríticos? De que maneira se pode garantir aos movimentos jovens, como hip-hop, arte de rua e arte popular, que a salvaguarda do passado não signifique uma petrificação do imaginário artístico sob a força dos excessos da patrimonialização vigente?

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