08 fevereiro 2011

PAISAGEM URBANA DEGRADADA

A ‘DEMOCRACIA’ DO DESCASO AO ESPAÇO PÚBLICO

Um fenômeno curioso ocorre entre nós brasileiros! Trata-se de nossas relações com o espaço privado e público, o espaço da casa e da rua. Roberto Damatta escreveu um livro instigante sobre essa dialética, entre nós. Analisa aí os “códigos sociais complementares” que se relacionam entre o “código da rua” e o “código da casa”. É um exercício interessante das aplicações do estruturalismo no estudo das sociedades. No nosso caso, o autor dá acento ao fato de que “uma interpretação correta do Brasil jaz na possibilidade de estudar aquilo que está ‘entre’ as coisas”. É assim que o antropólogo, com a força desse recurso sociológico,  procura entender as “nossas dificuldades para viver democraticamente”.
Inspirados por essa sugestão de percepção de nossa realidade, caminhamos pelo bairro em que residimos – bairro considerado ‘nobre’ da cidade – e nos deparamos com a justeza das interpretações aludidas pelo autor citado. Chega a ser espantosa a medida exata de suas análises. Vejamos.
Na seqüência de fotos que anexamos a essa foto-reportagem (com a ajuda do fotógrafo mirim Bruno de Lorenzo), podemos vislumbrar o exercício da dialética desconcertante em que vivemos inseridos, no espaço urbano de São Luís. Curiosamente, - mas talvez nem tanto assim – encontramos nas ruas do bairro do Renascença II, cenas que se repetem ‘democraticamente’ por toda a cidade: desde os bairros resididos pelos mais pobres até nos que moram os mais abastados economicamente. Trata-se da constatação significativa que tanto os ‘ricos’ como os ‘pobres’ da cidade têm o mesmo cenário público; repete-se o mesmo descaso pelo que é coletivo e comum. É a ‘democracia’ do desprezo ao bem comum!
Alguns poderiam dizer que não se trata de um mesmo ‘desprezo’. Diriam que o ‘desprezo’ do rico é diferente da ‘indiferença’ do pobre; acostumado a estar alienado das ‘maravilhas do mundo’ burguês. Mas, antes de seguir em descrições sociográficas minuciosas, sobre as características e particularidades da mentalidade urbana local, voltemos a constatação de que uma repetição significativa se apresenta de modo regular na nossa paisagem: a degradação dos equipamentos urbanos comuns e públicos. Ruas, calçadas (quando existem), praças (quando existem), praias (por incrível que pareça), etc., tudo que é socialmente compartilhado é marcado com o signo do descaso, desprezo, indiferença, desvalorização, etc.
Por quê isso se dá? Um questão que merece nossa reflexão!
Numa Cidade que possui o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, chega a ser irônico tal estado de coisas!

Patrimônio Histórico e Cultural só reside na Praia Grande? E as ruas e praças de nossos bairros, não são 'patrimônio'? O que são, então? O que quer dizer essa contumácia repetição do desprezo pelo espaço comum? Quais os significados dessa atitude, desse comportamento adverso ao coletivo? Que 'democracia' é essa, que se dá ao inverso, pelo contrário, pelo antagonismo, isto é, a 'democracia' da indiferença pelo público? Todos somos iguais no descaso com o coletivo! O que faz os 'brasileiros' serem assim?

E O IPTU, VOCÊ JÁ RECEBEU A CONTA? 

Prédio Abandonado na Esquina da Rua  Miecio Jorge

Avenida do Vale, canteiro central abandonado

Árvore morta na Avenida do Vale

Terreno abandonado na esquina da Rua Queops

Estado do Canteiro Central da Avenida

Como Caminhar aqui?

Estacionamento na Esquina (Domingo)

Árvore Morrendo

Placas com nomes de Ruas Diferentes
(Avenida do Vale, Av. Papa João Paulo, etc?) 

Calçada Suja e Infecta

Prédio Abandonado, Há anos!

Matagal com Incêndios Recorrentes

Ângulo do Final da 'Avenida'

Árvore Morta, Prédio Abandonado e Terreno Baldio

Cadê a Calçada?

Perigo, Buraco!

P'ra quê pagar o IPTU?

PS - Pagar IPTU 2011, de modo conformista, é ser cúmplice da degradação da cidade. Caberia um movimento coletivo de desobediência civil - não adianta um gesto solitário de revolta.


Fotos feitas no Domingo, 06 de Fevereiro de 2011.

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