22 julho 2011

O PODER CONTAGIANTE DO IMPÉRIO DOS CONSENSOS

Será necessário ser-se odioso para se furtar ao contágio do consensual?
A Sociedade Transbordante.
Henri-Pierre Jeudy.

Vivemos na época do conformismo e do cinismo alastrando-se por todos lados e direções, impregnando as formações subjetivas. A pergunta que Jeudy faz, posta na epígrafe desse breve texto, ilumina nossa angústia de habitar os ambientes sufocantes das ideias mortas e banais; contaminando hoje todos os espaços sociais da política, da cultura, das artes... É o império do consenso programado, pre-estabelecido, precedido por pactos conscientes ou inconscientes. Época difícil essa... Espíritos mais desavisados, ou ainda sob as nuvens de ideologias que negam o combate e a crítica, atormentam-se diante de almas adormecidas, ou melhor, anestesiadas pelos consensos compactuados de modo poderoso e acachapante. O cimento desse consenso programado está baseado no afeto, no afeto autoritário, como escreveu Renato Janine Ribeiro. 
Nesse Blog do CRISOL, em nossa homepage (http://crisol-gpec.com.br/site/) e em outros espaços virtuais ou reais, temos tentado compreender e combater esse estado moral preguiçoso dos que querem estabelecer e impor consensos acríticos. Império de diluição ácida da crítica e do contraditório, liquidando o pensamento diferente, dissonante, adverso; tornou-se sufocante... Interessante é o aparente paradoxo que emana daí: é exatamente na era da apologia da diferença que vemos se difundir o consenso das ideias autoritárias sobre a diferença, destruindo enfim a alteridade, a dissonância, a diversidade... Como isso pode se dar? Vejamos! Estabelecidos os consensos das obviedades tudo o que se evita é o pensamento reflexivo: quando se pensa verdadeiramente diferente, causa um curto-circuito nos acordos tácitos baseados nas ideias banais e óbvias. Observem o lema, alastrado de modo obsessivo: - Seja Diferente! Contudo, subliminarmente está-se a dizer: - Igual a você: - Diferente! Incrível, não é?! Ser diferente é ser igual, hoje em dia! Como pode? É o que temos sob um falso e aparente paradoxo! A diferença se estabelece como um leitmotiv dos excessos e transbordâncias do sentido. Estamos muito parecidos - o que causa angústia, em espíritos mais sensíveis - então, simulemos a diferença! Resultado: - continuamos muito, e mais, iguais, pois nos identificamos na diferença, simulada, performática, caricatural! Afinal, somos iguais de um modo muito diferente - di.fe.ren.tes! Agora somos iguais de um modo particular: - como pessoas que cultivam a diferença a qualquer preço! Isso nos consola, nos apazigua, nos excita!
O poder imperial dos consensos não é singelo; é violento na sua sutileza sedutora. Nós desejamos isso! É um desejo agenciado coletivamente, em que nós gozamos pela interpelação ideológica - efeito especular - da aderência a ordem simbólica estabelecida. É tão reconfortante estar na moda! É tão prazeroso estar de acordo com as expectativas do outro! Falar o que os outros querem ouvir! Tem que haver esse "outro" para quem nós serviremos, nos submeteremos, nos assujeitaremos... Agradar e amar a esse 'outro' que nos acolherá, que nos reconhecerá e nos dará alimento e energia subjetiva. Servir aos consensos e não pensar, não criticar, não investir no contraditório, não ser dialético: é a norma dominante.
"Para se furtar ao contágio do consensual, será necessário ser odioso?"  Nos parece que SIM! O mal é o signo da transgressão! Nos odeiam quando não estamos de acordo! Nos odeiam quando questionamos os consensos! Ah! Que saco ter que pensar! Pensar dói! Causa dor e mal-estar! Não quero pensar, não quero saber!
Então, dizer NÃO aos consensos programados de tudo, a precessão dos simulacros das ideias prontas, é o que resta para os que se colocam de modo a questionar o quadro das dominâncias subjetivas imperiais!
Mas, por que o signo do MAL?
Dizer não, é ser dia-bólico, afinal. Dizer sim, é ser sim-bólico; percebe o poder sim-bólico disso? Ordem SIM-bólica dominante; Des-Ordem Dia-bólica transgressora! Isso causa muitos abalos!
É o "dia-bo pensativo" de Dante Miano, que diz: - "Pensar é um ato que põe em dúvida a estrutura de tudo!". Ora, esse ato está sendo esconjurado, hoje em dia!
Como também escreveu Dante Milano: "O Cérebro é Cruel. Só o Coração é Bom". 
No tempo do miolo mole e do pensamento fraco, ser cruel é tudo que não se quer; se você quer ser bom: - seja calmo. Ou melhor, fingir-se cinicamente de bom, calmo, manso! 
Daí ser dissonante, crítico (cri-cri), questionador (Por quê? Até as crianças se tornaram chatas, para esse consenso imposto!); é ser mal-dito, mal-educado, mal-fadado...
Enfim!
Vence na vida quem diz, SIM!

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