Como fica a preservação do patrimônio paisagístico da cidade "maravilhosa", diante do Projeto da TORRE SOLAR anunciado pela RAFAA, para os Jogos Olímpicos de 2016? Trata-se de uma intervenção impactante da paisagem e da linha do horizonte (skyline) do Rio de Janeiro!
A RAFAA (http://www.rafaa.ch/rafaa/rio_de_janeiro.html) deve ter sido contactada pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado, para realizar tal esboço de projeto... Deve ter o sinal verde em algum escalação de governo...
Do mesmo modo que o Maracanã, que teve suas marquises (tombadas pelo IPHAN) implodidas, parece que não se vai respeitar os tombamentos na cidade; no processo de realização e organização dos mega-eventos programados.
Será que já estamos vivendo um processo de des-tombamento, ou melhor, de desregulamentação legal e jurídica do dispositivo constitucional de acautelamento e salvaguarda do patrimônio cultural e natural no Brasil?
Caso esse Projeto da RAFAA seja aprovado, e tantos outros que estão em pauta e que ainda vão aparecer, a desmoralização do Decreto n. 25/1937 será completa.
O que é certo é que o processo de transformação da paisagem natural e cultural da cidade e do país, que está em curso, não irá se estancar apelando-se para esse dispositivo; desacreditado e enfraquecido.
Daí se entende melhor tanta atenção voltada para os chamados patrimônios "intangíveis" e "imateriais"; trata-se apenas de "registros".
A erosão cultural e natural (biocultural) em curso precisará de outros regimes de resistência e enfrentamento; não parece que o aparelho jurídico, e suas leis, conseguirão frear tal processo.
É preciso recolocar o debate na sociedade e deixar de privilegiar os tribunais; os legisladores já estão promovendo mudanças nas leis, e nós não estamos debatendo ou discutindo seus trâmites no Congresso Nacional.
Complacência, esgotamento, esgarçamento, indiferença, apatia, desorientação, desgaste... o que será que explica essa imobilidade?
A patrimonialização não reflexiva e sua equação preservacionista simplista - conservar e preservar - nos trouxe até esse ponto. Diante das forças de transformação da sociedade, o que fazer com o passado "tombado"? O que a sociedade "pensa" sobre isso? Pois, afinal, ela é que decidirá (veja o caso de Dresden)...
Os especialistas têm suas razões técnicas (e ideológicas), mas é a população que será consultada, e ela é que decidirá; ou através de seus delegados e representantes, ou através de plebiscito.
Esse debate é muito interessante; mas até quando ficará subterrâneo e até quando continuaremos fugindo dele?
Quem sabe a resposta? Quem viver verá...
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TORRE
SOLAR
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Trata-se de uma estrutura vertical, localizada na ilha de Cotonduba, na entrada da Baia da Guanabara, que, além de ter a função de torre de observação, se torne num símbolo de boas-vindas para quem chegar ao Rio de Janeiro por via aérea ou marítima, uma vez que esta será a cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2016.
Projectada pelo gabinete RAFAA, sediado em Zurique, na Suíça, e denominada «Solar City Tower», esta estrutura foi escolhida como a resposta adequada à proposta inicial e tem a potencialidade de gerar energia suficiente não só para a aldeia olímpica, como para parte da cidade do Rio.
A sua concepção permite-lhe aproveitar a energia solar diurna através de
painés localizados ao nível do solo, ao mesmo tempo que a energia excessiva
produzida é canalizada para bombear água do mar pelo interior da torre,
produzindo um efeito de queda de água no exterior. Esta água é simultaneamente
reaproveitada através de turbinas com o objectivo de produzir energia durante o
período nocturno.
Estas características permitem atribuir o epíteto de torre sustentável a
este projecto, dando continuidade a alguns dos pressupostos do «United Nation´s
Earth Summit» de 1992, que ocorreu igualmente no Rio de Janeiro, contribuíndo
para fomentar junto dos habitantes da cidade a utilização dos recursos naturais
para a produção de energia.
A Solar City Tower engloba ainda outras
funcionalidades. Anfiteatro, auditório, cafetaria e lojas são acessíveis no
piso térreo, a partir do qual se acede igualmente ao elevador público que
conduzirá os visitantes a vários observatórios, assim como a uma plataforma retráctil
para a prática de bungee jumping. No cimo da torre é possível apreciar toda a
paisagem que circunda a ilha onde estará implementada, bem como a queda de água
gerada por todo o sistema que integra a Solar City Tower, tornando-a num ponto
de referência dos Jogos Olímpicos de 2016 e da cidade do Rio de Janeiro.





1 comentários:
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