21 agosto 2011

A TORRE SOLAR - Patrimônio Paisagístico em Questão


Como fica a preservação do patrimônio paisagístico da cidade "maravilhosa", diante do Projeto da TORRE SOLAR anunciado pela RAFAA, para os Jogos Olímpicos de 2016? Trata-se de uma  intervenção impactante da paisagem e da linha do horizonte (skyline) do Rio de Janeiro!
A RAFAA (http://www.rafaa.ch/rafaa/rio_de_janeiro.html) deve ter sido contactada pela Prefeitura ou pelo Governo do Estado, para realizar tal esboço de projeto... Deve ter o sinal verde em algum escalação de governo...
Do mesmo modo que o Maracanã, que teve suas marquises (tombadas pelo IPHAN) implodidas, parece que não se vai respeitar os tombamentos na cidade; no processo de realização e organização dos mega-eventos programados.
Será que já estamos vivendo um processo de des-tombamento, ou melhor, de desregulamentação legal e jurídica do dispositivo constitucional de acautelamento e salvaguarda do patrimônio cultural e natural no Brasil?
Caso esse Projeto da RAFAA seja aprovado, e tantos outros que estão em pauta e que ainda vão aparecer, a desmoralização do Decreto n. 25/1937 será completa.
O que é certo é que o processo de transformação da paisagem natural e cultural da cidade e do país, que está em curso, não irá se estancar apelando-se para esse dispositivo; desacreditado e enfraquecido. 
Daí se entende melhor tanta atenção voltada para os chamados patrimônios "intangíveis" e "imateriais"; trata-se apenas de "registros".
A erosão cultural e natural (biocultural) em curso precisará de outros regimes de resistência e enfrentamento; não parece que o aparelho jurídico, e suas leis, conseguirão frear tal processo.
É preciso recolocar o debate na sociedade e deixar de privilegiar os tribunais; os legisladores já estão promovendo mudanças nas leis, e nós não estamos debatendo ou discutindo seus trâmites no Congresso Nacional.
Complacência, esgotamento, esgarçamento, indiferença, apatia, desorientação, desgaste... o que será que explica essa imobilidade? 
A patrimonialização não reflexiva e sua equação preservacionista simplista - conservar e preservar - nos trouxe até esse ponto. Diante das forças de transformação da sociedade, o que fazer com o passado "tombado"? O que a sociedade "pensa" sobre isso? Pois, afinal, ela é que decidirá (veja o caso de Dresden)...
Os especialistas têm suas razões técnicas (e ideológicas), mas é a população que será consultada, e ela é que decidirá; ou através de seus delegados e representantes, ou através de plebiscito.
Esse debate é muito interessante; mas até quando ficará subterrâneo e até quando continuaremos fugindo dele?
Quem sabe a resposta? Quem viver verá... 
* * *

TORRE SOLAR 



O Rio de Janeiro é como uma mulher bonita. Há sempre muito espaço para torná-la mais linda ainda e tudo lhe cai muito bem. 

Vejam só que maravilha: uma empresa suíça elaborou um projeto lindíssimo e ousado que vai acrescentar mais belezas à Cidade do Rio de Janeiro, em comemoração às Olimpíadas de 2016.
Chama-se "TORRE SOLAR DAS OLIMPIADAS DE 2016 DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.  Tudo isso vai ser iluminado com luz solar, gerando uma movimentação d'água como se fosse uma cachoeira. 
Será edificada na entrada da Baia da Guanabara e será mais um ponto turístico do mesmo nível do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar.




Trata-se de  uma estrutura vertical, localizada na ilha de Cotonduba, na entrada da Baia da Guanabara,  que, além de ter a função de torre de observação, se torne num símbolo de boas-vindas para quem chegar ao Rio de Janeiro por via aérea ou marítima, uma vez que esta será a cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2016. 









Projectada pelo gabinete RAFAA, sediado em Zurique, na Suíça, e denominada «Solar City Tower», esta estrutura foi escolhida como a resposta adequada à proposta inicial e tem a potencialidade de gerar energia suficiente não só para a aldeia olímpica, como para parte da cidade do Rio. 


A sua concepção permite-lhe aproveitar a energia solar diurna através de painés localizados ao nível do solo, ao mesmo tempo que a energia excessiva produzida é canalizada para bombear água do mar pelo interior da torre, produzindo um efeito de queda de água no exterior. Esta água é simultaneamente reaproveitada através de turbinas com o objectivo de produzir energia durante o período nocturno.


Estas características permitem atribuir o epíteto de torre sustentável a este projecto, dando continuidade a alguns dos pressupostos do «United Nation´s Earth Summit» de 1992, que ocorreu igualmente no Rio de Janeiro, contribuíndo para fomentar junto dos habitantes da cidade a utilização dos recursos naturais para a produção de energia.
Solar City Tower engloba ainda outras funcionalidades. Anfiteatro, auditório, cafetaria e lojas são acessíveis no piso térreo, a partir do qual se acede igualmente ao elevador público que conduzirá os visitantes a vários observatórios, assim como a uma plataforma retráctil para a prática de bungee jumping. No cimo da torre é possível apreciar toda a paisagem que circunda a ilha onde estará implementada, bem como a queda de água gerada por todo o sistema que integra a Solar City Tower, tornando-a num ponto de referência dos Jogos Olímpicos de 2016 e da cidade do Rio de Janeiro.

1 comentário:

Antonio B Duarte Jr disse...

Parabéns pelas dicas e artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nossos cursos online