"PESQUISAR É A ARTE DE DAR O PASSO SEGUINTE". Kurt Lewin

02 Novembro 2011

III Encontro de Estudos Culturais - Breve Entrevista




III ENCONTRO DE ESTUDOS CULTURAIS: Cultura e Subjetividades.

 
1. Como surgiu a ideia da realização do Encontro de Estudos Culturais?

Resp: Surgiu em 2006, quando estávamos participando de um Seminário sobre Patrimônio Culutral (GT/ABA), na cidade de Goiás Velho/GO. Na ocasião percebemos que os eventos acadêmicos estavam se tornando Mega-eventos de apresentação de trabalhos individuais ou coletivos, onde o consenso e as ideias já prontas se revesavam no espaço curto de apresentação de trabalhos à conta-gotas (10 à 20 min); sem debate e sem troca de experiências autênticas. Em suma, tornaram-se espaços para performances academistas de alcance duvidoso, solapando qualquer trabalho de reflexão crítica mais profunda. Esse cenário nos incomodou profundamente: - depois de anos participando desses pseudo-eventos 'científicos', analisamos e refletimos sobre nossa inquietação e procuramos criar um novo espaço para a reflexão livre, criativa e pulsante. Criamos, então, o Fórum Temático: Cultura e Paisagem; em seguida realizamos o segundo Fórum em Belém (2007), e retomamos - de novo em São Luís - com o nome de Encontro de Estudos Culturais (2008). Em Recife (2009) ocorreu um novo evento na UFPE, incorporando o Observatório de Estudos sobre Patrimônio. 2010, uma breve parada, para realização de um estágio de pós-doutorado na UERJ. Já em 2011 realizamos o II Encontro, com o tema 'Cultura e Subjetividades', e agora o III Encontro, no Jornal O Imparcial.  

2. Como você avalia a repercussão que o evento provoca no meio acadêmico e na comunidade?

Resp: Nosso desejo é aproximar os debates e a reflexão da sociedade. Consideramos que a Universidade tem relutado em transformar-se, continuando a reproduzir estruturas de poder e saber, arcaicos e conservadores. Acabamos com a Ditadura e as Universidades continuam com os mesmos currículos compartimentados e com a mesma estrutura departamental, do Acordo MEC/USAID; o que é espantoso! As instituições de ensino são muito conservadoras, é verdade. Nesse sentido, nosso trabalho é crítico e um tanto herético; levamos o saber para a rua, para lugares não consagrados pelo 'academismo'  dominante. Nos interessa o contágio com as pessoas não especialistas, não treinadas, não domesticadas pelas instituições de ensino; o que é cada vez mais raro. Assim, nos aproximamos dos órgãos de comunicação, dos centros culturais, dos grupos de pesquisa, buscando novas formas de expressão do pensamento e novas formas de produção e difusão do conhecimento. Portanto, ainda estamos avaliando a repercussão desse trabalho, que ainda causa algum estranhamento e desconfiança, já que provoca mudanças nos paradigmas cognitivos dominantes. As universidades e instituições de ensino, sequestraram a ideia do conhecimento e do saber, e com a adesão dos setores mais conservadores, se tornaram agências de reprodução das ideias adequadas ao mercado, e a reprodução do capital simbólico dominante. Daí tanto conformismo, e tanta domesticação do pensamento: - estamos todos pensando da mesma maneira! Estas instituições tornaram-se 'cartórios' de diplomas e certificados, e nosso trabalho hoje vai na direção de buscar recriar esse espaço social do conhecimento, do saber e da transmissão do legado científico. Nosso evento pretende provocar esse debate, e propor uma reflexão aberta sobre novos princípios de transmissão dos saberes e da produção do conhecimento na atualidade. Tais ideias explicam as homenagens que fazemos a Maurício Tragtemberg e a Lygia Clark.

3. Na programação, percebe-se a diversidade temática. Como são escolhidos os temas oferecidos?

Resp: Consideramos cada vez temeroso o predomínio da fragmentação do conhecimento em especialidades infinitas e nunca conectadas. A compartimentação do saber em escaninhos departamentais incomunicáveis, tem sido responsável por essa sensação difusa de falência do pensar. Optamos por escolher temas transversais e convidar profissionais, professores e pesquisadores de áreas diferentes, para falar do mesmo problema. Já é o segundo encontro em que aproximamos os conceitos de Cultura e Subjetividades: temos linhas de pesquisas sobre essa interface, na atualidade. Todavia, é certo que vislumbramos a possibilidade de uma unificação do campo epistêmico, evitando a especialização e fragmentação reducionista. Não se trata de um evento com perfil profissional definido; convidamos nesses anos de trabalho, psicanalistas, sociólogos, antropólogos, advogados, literatos, poetas, cientistas, historiadores, arquivologistas, artistas, filósofos, etc., com intuito de promover o exercício do pensamento transdisciplinar. É um encontro de Estudos Culturais, que tem como fundo a Epistemologia da Complexidade. Nossa orientação teórica converge para esse horizonte filosófico mais amplo.

Perguntas de Paulo Melo.

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