08 maio 2012

PARA UMA ANTROPOLOGIA DAS COMEMORAÇÕES HISTÓRICAS


28ª REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA (RBA)
“Desafios Antropológicos Contemporâneos”
02 a 05 de Julho de 2012 - PUC-SP

GT 39 Festa, Estrutura, Mudança
Coordenadores: Léa Freitas Perez (UFMG) e Roberto Motta (UEPB).

A exuberância festiva onde os movimentos dos participantes “não podem ser explicados por nenhuma finalidade precisa nem por objetivos estritamente definidos, pois as pessoas pulam, dançam, choram e cantam, sem que seja possível perceber o sentido dessa agitação” (Durkheim), bem como o êxtase do transe, são fenômenos que parecem ultrapassar toda estruturação lógica e toda expressão conceptual, correspondendo à experiências nas quais determinações da natureza e da cultura são superadas e sobrepujadas. Entretanto, só adquirem pleno sentido quando articulados em estruturas coerentes e só se tornam compreensíveis quando traduzidos na ordem dos conceitos. São fenômenos socioculturais que, embora já abordados por estudiosos como Durkheim, Robertson-Smith, Turner, DaMatta, Caillois, Leiris, Bataille, e, ao menos tangencialmente, Mauss e Lévi-Strauss, permanecem como desafio, convidando-nos a deslindar e a compreender a mistura de estrutura e anti-estrutura aí presentes. Ainda mais crucial num país como o Brasil, onde festa e transe são realidades corriqueiras e cujo próprio modo de ser nasce em grande parte do entusiasmo da festa barroca, que se prolonga até os dias de hoje, em diferentes formas de manifestação. O GT quer tratar da festa e/ou dos fenômenos ligados à antiestrutura e ao excesso enquanto ligados à gênese e à transformação das culturas e de seus agentes.

Título:
PARA UMA ANTROPOLOGIA DAS COMEMORAÇÕES HISTÓRICAS: o caso do IV Centenário de São Luís/MA.
Autor: Alexandre F. Corrêa (PGCult/UFMA)
  
Comunicação com incursão nos clássicos da Antropologia da Festa e reflexões concernentes a Sociologia dos ritos comemorativos na sociedade moderna. Análise crítica de aspectos estruturais na construção social das comemorações históricas, tomando como objeto empírico o IV centenário de São Luís em 2012. Destacamos dispositivos significativos dos processos rituais locais, estruturados em esquemas sociológicos concorrentes. Ao analisar esses teatros comemorativos das festas públicas, buscamos compreender a lógica de sua permanência e mudanças em traços socioculturais particulares. Recorremos às festas de 1912 e 1962, servindo de base sociológica comparativa, pretendo alcançar as dominantes culturais dessas máquinas comemorativas. Observamos um conflito histórico-político de fundo, manifesto nos embates sobre a ‘fundação’ mítica da cidade: francófilos x lusófonos. Contornando o debate historiográfico – em que surgem acusações de mitomania e falsificação ideológica – elaboramos a hipótese do confronto entre dois esquemas celebrativos concorrentes: a) comemorativo; b) festivo. Com o enfraquecimento do primeiro observa-se o segundo preponderar, perpetuando o dispositivo barroco consagrado. Este atravessa a história desde a Colônia, atualizando o pacto festivo do 'Triunfo Eucarístico' de 1733, em Vila Rica, incorporando requintes do espetáculo midiático carnavalizado: teatro barroco mágico para as massas pós-modernas.

2 comentários:

ulisses sebrian disse...

Ola! Todo Bem! Me nome é Ulisses e visitei o seu Blog.
Gostei estou seguido. Adicione como seguidor se não se importa.
Também tenho 4 blogs e gostaria que e o visitasse.
E se posible entrar como seguidor. Obligado
Os meus blogs são:
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Alexandre Fernandes Corrêa disse...

Caro Ulisses,
Vou visitar seus blogs, com certeza!
Valeu pelo comentário sobre o Blog! Geralmente o pessoal visita e não deixa qualquer impressão, positiva ou negativa! É legal a participação dos internautas!
Grande abraço!