24 junho 2013

Migração, nomadismo, desterritorialização...

O FENÔMENO MIGRATÓRIO NA ATUALIDADE

A partir da década de 1980, o comportamento da mobilidade espacial da população sofreu importantes transformações nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Aqueles movimentos que tinham de um modo geral, como características básicas migração para os grandes centros, passaram a ter como destino as cidades médias e serem cada vez mais de curta duração. Por outro lado, os deslocamentos pendulares ganham importância ainda maior, deixando de ser um fenômeno meramente metropolitano. Na esfera dos movimentos internacionais também são observadas mudanças relevantes, com países antes de emigração passando a receber volume significativo de imigrantes, além da criação de uma série de restrições em países tradicionalmente de imigração, caso dos Estados Unidos da América e da Europa Ocidental.

No âmbito brasileiro, é possível identificar que, a partir da década de 1980, os deslocamentos de população iniciam uma fase de mudanças no sentido das correntes principais, com antigos espaços de atração migratória perdendo expressão. Rompe-se o processo bipolar da distribuição espacial no Brasil, que se mantinha desde o início do Século XX. De modo que surgem novos eixos de deslocamentos envolvendo expressivos contingentes populacionais, onde se destacam:

i) a inversão nas correntes principais nos Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro;
ii) a redução da atratividade migratória exercida pelo Estado de São Paulo;
iii) o aumento da retenção de população na Região Nordeste;
iv) os novos eixos de deslocamentos populacionais em direção às cidades médias no interior do País;
v) o aumento da importância dos deslocamentos pendulares;
vi) o esgotamento da expansão da fronteira agrícola; e
vii) a migração de retorno para o Paraná.


DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS NO BRASIL

A partir da década de 1980, o comportamento da mobilidade espacial da população sofreu importantes transformações nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. No Brasil, surgiram novos eixos de deslocamentos envolvendo expressivos contingentes populacionais, onde se destacam a inversão nas correntes principais nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, a redução da atratividade migratória exercida pelo estado de São Paulo, o aumento da retenção de população na região Nordeste, os novos eixos de deslocamentos populacionais em direção às cidades médias no interior do país, o aumento da importância dos deslocamentos pendulares (para trabalhar e/ou estudar), o esgotamento da expansão da fronteira agrícola e a migração de retorno para o Paraná.

As edições da PNAD de 2004 e 2009 investigaram onde o pesquisado morava cinco anos antes da data de referência. Os dados mostram que o volume da migração inter-regional envolveu 2,8 milhões de pessoas no quinquênio 1999-2004 e 2 milhões de pessoas entre 2004 e 2009. Esse volume envolveu cerca de 3,3 milhões de pessoas no quinquênio 1995-2000 (dados do Censo Demográfico 2000). As principais correntes migratórias observadas no passado estão perdendo intensidade e se observa também um movimento de retorno às regiões de origem. Os estados em que a migração de retorno foi mais expressiva em 2009 foram Rio Grande do Sul (23,98%), Paraná (23,44%), Minas Gerais (21,62%), Sergipe (21,52%), Pernambuco (23,61%), Paraíba (20,95%) e Rio Grande do Norte (21,14%).

Na região Norte, Amazonas, Roraima e Pará mudaram sua classificação quanto à capacidade de absorção migratória. O Amazonas passou de área de rotatividade para baixa absorção migratória entre 2004 e 2009, período em que mais de 40% dos seus imigrantes eram oriundos do Pará. Esse estado deixou de ser área de baixa atração e passou a ter baixa evasão populacional, tendo o Maranhão como seu principal destino. O estado de Roraima, que em 2000 era o único que apresentava um indicador de forte absorção migratória, passou a ter média absorção em 2004 e rotatividade migratória em 2009. O que sinaliza uma tendência de redução no volume de pessoas e, possivelmente, dos fluxos migratórios que se destinam a esse estado.

No Nordeste, os estados do Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba experimentaram um arrefecimento em sua capacidade de absorver população. Áreas antes consideradas de rotatividade migratória, como Piauí e Alagoas, se tornaram áreas de baixa e média evasão migratória, respectivamente; e os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba reduziram sua capacidade de absorver população. Bahia e Maranhão continuaram como regiões expulsórias de população, embora com índice classificado como de baixa evasão migratória. Sergipe, Pernambuco e Ceará foram classificados como áreas de rotatividade migratória.

Censo 2010: cidades com menos de 500 mil habitantes são as que mais crescem

Os resultados divulgados do Censo Demográfico de 2010 apresentam apenas os volumes populacionais desagregados por município. Com esses dados é possível estabelecer os eixos de crescimento populacional no país e especular sobre áreas que ganham ou perdem população, de modo a inferir se houve alteração no comportamento dos deslocamentos de população na década passada. Verificou-se que as cidades com menos de 500 mil habitantes são as que mais crescem no país, o que demonstra a influência da migração, muito embora as grandes cidades continuem concentrando parcela expressiva da população (aproximadamente 30%). O ritmo de fragmentação do território foi menos intenso que nas décadas passadas, tendo sido instalados 58 municípios, contra 501 nos anos 1980 e 1.016 nos anos 1990.

Deslocamentos populacionais exigem novas abordagens.

O tema migração tem incorporado novos quesitos a cada Censo desde os anos 1970, período em que aprofunda a internacionalização da economia e sociedade brasileiras. No geral, os últimos cinco censos incorporaram a maioria dos quesitos relevantes para o estudo das migrações internas.

Fonte: Reflexões sobre Deslocamentos Populacionais no Brasil. IBGE. Rio de Janeiro. 2011.

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DIA MUNDIAL DOS REFUGIADOS: 20 de Junho.

1 MILHÃO DE MARANHENSES TRABALHAM FORA DO ESTADO

No dia dedicado a lembrar o drama dos refugiados no mundo, dados do IBGE expõem uma realidade assustadora: Pelo menos um milhão e duzentos mil maranhenses saíram compulsoriamente do estado em busca de melhores condições de vida em outras unidades da federação. Os números foram divulgados no ano passado pelo IBGE. De acordo com o instituto, o Maranhão é o estado com maior taxa de evasão migratória do país, seguido por Alagoas, ambos com taxa negativa de 2,5.

Ruralização do estado e demografia desordenada em São Luís.

As razões para a alta taxa expulsória no estado são explicadas pelo próprio IBGE. Desde o Censo de 2010, o Instituto vem apresentando dados que colocam o Maranhão com os piores índices sociais do Brasil, que deixam o estado na situação vexatória de possuir o maior índice de ruralização do país. Desvalidos do campo, trabalhadores rurais sem apoio para plantar, jovens sem acesso a educação, moradores sem condições de saúde, acabam optando por buscar alternativas em outros estados. Até a capital São Luís, antes refúgio de milhares de maranhenses, tem sofrido um esgotamento na recepção aos refugiados do campo. Na capital maranhense, já há visíveis sinais de um processo de favelização, resultado da desordenada chegada de pessoas do interior que ocupam espaços invadidos e sem estrutura na periferia da cidade.

Viúvas de maridos vivos: escassez de pessoas do sexo masculino no Maranhão

Em alguns municípios do interior, o sinal claro de que os maranhenses estão indo embora, é  o déficit crescente de pessoas do sexo masculino em  algumas cidades do interior do estado, a maioria dessas pessoas são pais de família que buscam trabalho fora para garantir o sustento dos familiares que ficam no Maranhão. Segundo o IBGE, apenas 24,23% dos maranhenses que deixam o estado, retornam. o que significa que há milhares de mães e filhos abandonados por maridos e pais no Maranhão.

Fonte: BLOG MARANHÃO DA GENTE: http://www.maranhaodagente.com.br

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