10 agosto 2013

Festejando o Atraso

Esta semana termina e fica no espírito o impacto da leitura de duas crônicas interessantes. E pretendo agora entrelaçá-las e tirar alguns pensamentos, ao friccioná-las. Creio não ser abusivo, tentar movimentar a reflexão, ao provocar essa aproximação.
Trata-se do tema da festa que se encontra no âmago dos textos referidos.
Um dos textos é de Cristovam Buarque (Senador/PDT), cujo título é "Festejando o Atraso", publicado no Jornal O Globo: http://oglobo.globo.com/opiniao/festejando-atraso-9449237
Outro texto que vamos usar como contraponto é o do antropologista Hermano Viana (Esquenta/TV Globo), na coluna "Padrão Fifa", também publicada no Jornal O Globo: http://oglobo.globo.com/cultura/padrao-fifa-9433916
É com estes dois textos que vamos dialogar e propor algum debate; e mais sem delongas vamos ao cerne de nossas inquietações. Destaco enfim os argumentos principais de cada coluna: 
O Senador provoca: "Isto [IDH/2013] mostra o nosso atraso e a desigualdade como a educação é oferecida. E, sobretudo, reforça o atraso ao vermos muitos comemorando avanços tão tímidos."
O Antropólogo sugere: "Fecho com Georges Bataille, em sua “A noção do dispêndio” (uma nova tradução brasileira foi publicada em boa hora): as festas “têm em si mesmas seu fim”. Sou petulante: a Fifa precisa esquecer seu padrão. O Brasil pode ensinar a Fifa e o COI a fazer uma grande festa (com gastos transparentes), fora dos padrões caretas do esporte convertido em espetáculo chato. O Brasil pode salvar a Fifa e o mundo. Maluco, eu?"
Nesse Blog temos uma matéria sobre a Festa no Brasil; além de outros textos relacionados ao tema. Mas, recupero o escrito que trata das celebrações dos IV Centenário de São Luís, que contou com a presença de Gilberto Gil, no show de abertura da propalada BIGFESTA DOS 400 ANOS! É um post em que faço referência ao título do Disco de Gil, de 2010: Fé na Festa!: http://gpeculturais.blogspot.com.br/2012/09/fe-na-festa-vamos-entrar-para-historia.html
As vozes dissonantes são poucas... Ficam salientes a fala do Senador e os ecos do poemas de Torquato Neto: "desafinar o coro dos contentes"!
Destaquemos o bordão: "As Festas têm seu fim em si mesmas"!
Parece que aqui tocamos o ponto nefrálgico: as festas são meios que encontram sua finalidade esgotando-se em si mesmas. Mas, o que festejamos? Por que convidamos o mundo a festejar? Que tipo de artimanha se articula aí, nesse convite extemporâneo? Quanta alegria, quanta festa, quanto contentamento, tanto dispêndio, gasto em si, para si, em si mesmo! Qual o significado político das festa?
Nossa reflexão avança.
A Festa como recurso teatral do "poder em cenas", ostentando mensagens e comunicando sentidos; coloca em destaque os sentidos diversos das celebrações. E o que celebramos no Brasil? Qual a função social das festas em profusão? Para que tanta alegria, tanta festa, tanta celebração? O que queremos com isso?
Somos os reis da festa no mundo? A festa pela festa!?
Por que tanta fé na festa? E logo numa das sociedades que mantem estruturas de desigualdade por mais longo tempo no mundo ocidental! É isso que devemos festejar sempre, e exportar como uma commoditie  rentável!?
É preciso escavar mais esse inconsciente das festas e celebrações brasilianas!

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