20 fevereiro 2014

Entrevista Pesquisa Teatro das Memórias


TEATRO DAS MEMÓRIAS II: OS RITOS COMEMORATIVOS NA ATUALIDADE: As dinâmicas socioculturais das liturgias políticas dos 400 anos de fundação histórica da cidade de São Luís.
Área: (X) Antropologia
Grupo de Pesquisa: Crisol – Pesquisas e Estudos Culturais
Linha de Pesquisa: Antropologia Urbana
Coordenador: Alexandre Fernandes Corrêa
Fontes de Financiamento: UFMA (Editais FAPEMA e CNPq)


ENTREVISTA - FEVEREIRO 2014.
Teatro das Memórias II

1. Quais são as principais diferenças entre o Teatro das Memórias I e o Teatro das Memórias II?
Resp: Não há propriamente diferenças, mas continuidades e desdobramentos. Após um trabalho empírico mais direcionado, com ações culturais em oficinas e laboratórios realizados em momentos específicos, partimos para uma reflexão mais teórica, para a análise dos ritos comemorativos e celebrações festivas na atualidade.

 
2. Como surgiu o interesse em analisar tais grupos, a partir das comemorações dos anos de fundação?
Resp: A importância das comemorações históricas são evidentes, pois mobilizam as sociedades em datas redondas (100, 200, etc). Estudar esses mecanismos comemorativos é muito interessante, revelando estruturas e formas de comunicação do que são as sociedades e de como elas se vêem. Hoje temos verdadeiras máquinas comemorativas atuando em diversos planos da vida social. As datas de celebrações são reveladoras e significativas e adquirem pompa e circunstância de variados coloridos. Trata-se de estruturas muito antigas, remetendo aos primeiros tempos da colonização. Nossa hipótese é que as festas públicas modernas, apesar de toda tecnologia avançada e midiatização espetacularizada, reproduzem o mesmo modelo das festas barrocas do século XVII; como o Triunfo Eucarístico da antiga Vila Rica. Além do mais, deve-se ter em mente que caminhamos pra uma data importante, a comemoração dos Bicentenário de Independência do Brasil, em 2022.

3. Já há resultados obtidos com a pesquisa?
Resp: Temos diversos resultados. O mais recente foi a publicação do livro TEATRO DAS MEMÓRIAS: ensaios de ação cultural na atualidade (EDUFMA, 2013). Além de diversos outros produtos e resultados, como participação em eventos locais, regionais, nacionais e internacionais. Publicações de artigos e textos em diversos veículos de divulgação e edições acadêmicas e universitárias. Exposições, entrevistas, etc. Temos outros resultados ainda previstos. Todo esse conjunto de produtos pode ser acessado no Blog do Grupo de Pesquisa em Estudos Culturais: CRISOL: http://gpeculturais.blogspot.com.br/

4. Quais são as metodologias utilizadas?
Resp: Não temos metodologias específicas criadas como programas, temos ações culturais que são elaboradas de acordo com os desejos e interesses dos grupos e atores engajados no trabalho. É uma proposta construtivista, pode se dizer, pois não tem uma "método" pronto e criado a priori.

5. A análise dos intelectuais/personalidades/instituições foram feitas separadamente?
Resp: Foram realizadas entrevistas e abordagens em diferentes níveis, buscando atingir e compreender os laços e vínculos dos agentes sociais no processo comemorativo em tela. Dessa forma adquiriram aspectos próprios inerentes a dinâmica sociocultural das festas públicas, quando se percebe a espetacularização excessiva, com pompa barroca, da vida cultural. Assim, essas entrevistas e abordagens foram realizadas no decorrer do processo de produção das festas públicas comemorativas, que não se restringiu a de 2012.

6. Como essas participações eram feitas?
Resp: Os agentes de promoção da festa pública foram empossados pela Prefeitura e representavam os órgãos públicos. Observamos em diferentes fases de elaboração dos festejos, graus diferentes de engajamento. Como disse, criamos hoje verdadeiras máquinas comemorativas, que possuem know-how de mega-eventos, com gerentes e engenheiros contratados para a realização e produção desses acontecimentos celebrativos. Temos políticos, técnicos, artistas, intelectuais, funcionários, etc., que atuaram de modos diferentes; a pesquisa tentou revelar esses mecanismos de produção social da festa pública, cada vez mais profissionalizados.

7. Essa influência (de intelectuais/personalidades/instituições) ainda pode ser percebida nos dias atuais? Como e por quê?
Resp: São esses agentes que buscam garantir a legitimidade dessas festas públicas, pois são obrigados a realizá-las por lei. Está nas leis orgânicas dos municípios, nas constituições estaduais e federal, a obrigatoriedade de comemorar datas históricas. Os agentes públicos têm que realizá-las e promovê-las, garantindo a coesão social e a reprodução dessa coesão, através de celebrações que invocam a origem das cidades, estados e nações. Portanto, são mecanismos instituídos pela sociedade e regulamentados por lei constitucional. Trata-se de uma das obrigações e tarefas dos agentes públicos, através dos poderes estabelecidos, promoverem as festas públicas.

8. Há expectativa dessa pesquisa tornar-se livro?
Resp: Como disse, já publicamos uma edição esse ano, mas já estamos reunindo material para uma nova publicação.

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