09 maio 2014

TEATRO DAS MEMÓRIAS - Ação Cultural

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS CULTURAIS

"TEATRO DAS MEMÓRIAS: DÁDIVA E O UTILITARISMO NA CENA CULTURAL"

Alexandre Fernandes Corrêa. UFRJ/Campus Macaé & CRISOL - Grupo de Pesquisas em Estudos Culturais.


SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS CULTURAIS, que acontece nos dias 7 a 9 de maio/2014 – Setor de Políticas Culturais – Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro.

NO TEATRO DAS MEMÓRIAS: dádiva e o utilitarismo na cena cultural.


A presente proposta de trabalho[1] é o resultado de reflexões realizadas a partir de trabalho de campo elaborado no centro urbano antigo da cidade de São Luís do Maranhão, tombada pelo IPHAN (1974) e inscrita na lista do Patrimônio Cultural da UNESCO (1997). Esse é o espaço social empírico privilegiado, todavia observações feitas em outras cidades e centros urbanos antigos do país, como Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, serviram de base comparativa alargando o alcance da interpretação sugerida. No ambiente de trabalho de pesquisa e extensão universitária, além do ensino teórico, temos produzido uma espécie de escavação ‘arqueológica’ dos processos de conservação, preservação e promoção sociocultural dos acervos arquitetônicos e históricos em sítios urbanos inscritos no Livro do Tombo do IPHAN. A partir dos anos de 1990, e logo após a defesa da tese de doutorado (2001), intensificamos a prospecção dos valores e dos sentidos da patrimonialização nesses espaços sociais hoje tão concorridos. Investimentos socioeconômicos de larga monta já foram alocados nessas áreas urbanas, ultrapassando fases cíclicas de abandono, recuperadas através de diversos programas de parceria público/privado: Monumenta/BID, PRODETUR, PAC-Cidades Históricas/2010, entre outros. Nossas reflexões, portanto, refletem os embates e enfrentamentos teóricos e práticos ocorridos nesses espaços sociais cada vez mais disputados na sociedade contemporânea: teatros da memória e do patrimônio da atualidade (Canclini, Ianni, Jeudy, Bauman, Bourdieu). Seguimos a reflexão teórica operacionalizando/problematizando os conceitos que serviam de base epistemológica, tais como: nação, região, etnia, cultura, gênero, etc. Conceitos canônicos que em alguns momentos tornaram-se verdadeiros obstáculos epistemológicos. As questões colocadas no primeiro resumo, Qual o futuro do passado? Quais as possibilidades estratégicas da ação cultural hoje?, são objeto de reflexão a partir desse contexto sociocultural avançado; cenário no qual sobressai a falência de conceitos antigos. Nosso intuito ao inscrever esta proposta no GT Arte e Cultura nas Sociedades Contemporâneas, é contribuir com o debate sobre as políticas de preservação cultural. Constatamos em trabalho empírico a inflexão de um paradoxo desconcertante: acreditando numa possível ação preservacionista calcada na ideia de "modernização" e "racionalização" do consumo cultural (Canclini), os agentes públicos promovem exatamente o inverso, isto é, a morte do "cultural" (Lévi-Strauss). Os fósseis do passado são standartizados e transformados em semióforos comercializáveis, reproduzíveis em séries, e oferecidos como "autenticidades" encenadas no teatro das memórias sociais; consagrando a morte ritual do "social" (Baudrillard). Na economia política do signo, a retórica preservacionista dominante encobre a eroção cultural devastadora; ao invés de promover a salvaguarda prometida.

Palavras-Chave: Memória Social – Patrimônio Cultural – Antropologia.




[1] Diferentes versões desse texto foram apresentados nos seguintes eventos: Encontro Nacional do Grupo de Trabalho Patrimônios e Museus da ABA, realizado entre os dias 25 e 28 de maio de 2010, na cidade de Recife; SIMPÓSIO ESPECIAL 7: Em Torno da Defesa do Patrimônio Cultural, ocorrido na 27ª Reunião Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 01 e 04 de agosto de 2010, Belém, Pará, Brasil.  Texto publicado: Dádiva e utilitarismo nas políticas culturais (Corrêa, 2011). 

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