16 setembro 2014

Dança das Dunas Encantadas

CRISOL
Fantasia & Imaginação
Criações Culturais e Artísticas

Apresenta

A DANÇA DAS DUNAS
(ENCANTADAS)

de Alex Fernandes

SINOPSE

(Performance em 7 Cenas – 15/20 minutos)

Personagem (Criança e depois Adulta) só e angustiada procura um sentido para a existência em meio a terra desesperançada e desértica. Dias e noites se passam sem haver alívio. Esse clima de desesperança e desamparo começa a se dissipar quando sinais lendários e fantásticos surgem: o Boi Encantado, o Cavaleiro da Esperança e Rei D. Sebastião (Metamorfoses de Dionísio – Mistérios de Elêusis). Sinais de um novo mundo que supera o desencanto do sem sentido e da razão tecnocrática bruta. É a revelação, por oráculos, do reino do Espírito Santo, da Graça Divina no Mundo Novo que se anuncia na Terra. É o tempo da Alegria, da Dádiva, da Festa e da Afluência. A dança final é o êxtase da descoberta dessa nova magia em cada um de nós. É a Glória do Reino Encantado da Imaginação! É a cura mágica da falta de esperança e da angústia do desamparo humano.


A DANÇA DAS DUNAS
(A FÁBULA DA MEMÓRIA ou
A DANÇA DO RETORNO DO ENCOBERTO)

As Cenas têm como tema cenográfico o vento forte dançando em lençóis esvoaçantes, com o jogo de luzes e som do mar e do vento na areia fina das dunas.

Esboço de Sete Cenas Mágicas.

Cena I
(Cenas Filmadas e Projetadas no Fundo do Palco em Tela)
(Cenografia de um deserto típico das dunas maranhenses, com som do mar forte, areia e vento...)
Personagem-Criança solitária dança angustiada expressando a busca por algum amparo. A dança e a música se ouvem num tumulto de sons e luzes, refletindo e representando a sensação de solidão e desamparo da personagem.
A Criança atua dominada por uma atmosfera labiríntica, sem um plano certo e direção. A sensação de angústia do personagem vai num crescendo, quando a cena termina com uma forte sensação de vertigem, sufocamento e desamparo.

Cena II
(Imagens de ruas, avenidas, cidades, megalópoles, multidões, etc... Projetadas no Fundo do Palco em Tela)
A Sensação de desamparo inicial persiste e se complexifica. Personagem-Adulta percorre solitariamente ruas, avenidas, cidades, campos, mercados... Está só em meio a multidão. Incomunicável, angustiada, espantada e atônita. Nada consegue tirá-la desse transe, nada consegue quebrar o casulo incomunicável da alma doente. Não há reciprocidade, amor ou afeto. Os laços estão cortados... A coreografia deve representar dramaticamente essa sensação de desorientação.

Cena III
Personagem passa por hospitais, cortiços, enfermarias, asilos, albergues, lugares de pessoas sofridas, com as quais ela se identifica. Transmite uma vasta compaixão pela dor humana. Imagens de guerra, catástrofes, simbolizam um mundo cindido, fragmentado, infeliz. Transmite-se a vertigem da falta de sentido... Uma dança e música confusa, dissonante e atonal, expressa a angústia do momento. Um sentimento espantoso toma o ambiente do Teatro. Ouvem-se gritos, espasmos, terrores de alma. Representa o tumulto da vida humana sem sentido, desencantada e doente.

Cena IV
Personagem, magicamente, se encontra com um tipo de oráculo simbólico (personificado numa pessoa simples, marginal ou mendigo). Do díalogo-narrativa-coreografada com esta pessoa, nasce uma nova atmosfera no Teatro. Uma luz pura se propaga e o sentido se manifesta – hierofania alquímica. A personagem se re-humaniza. A pessoa-oráculo indica um caminho. É o caminho dos Lençóis, o caminho do deserto de areia, o caminho da Lenda do Encoberto. Ela segue numa dança de mistérios, em direção ao caminho indicado pelo oráculo-mendigo. Aparecem os símbolos da cultura íbero-afro-árabe-ameríndia...

Cena V
Personagem faz a dança da iniciação e da revelação (Mistério de Eleusis). Instaura-se o espírito alquímico, num encanto do sentido cósmico. O sentido pleno da Simpatia Universal, da solidariedade geral da vida reencarna. Uma aura se apossa da personagem. A alegria e a magia da vida se renovam. Uma dança expressa estes movimentos de novos estados d’alma.

Cena VI
Cena fantástica do encontro da personagem com o Reino da Graça. Uma paisagem interior se manifesta. A Dádiva se encontra adormecida no interior de cada um. A Personagem representa isto no palco (coreografia). Inicia-se o desfecho da peça com uma dança final, em que a Glória do Espírito contagia a consciência-alma da personagem e dos espectadores. A dança revela a sublimação total dos desejos egoístas no mundo (Uma Metafísica da Alquimia Espiritual).

Cena VII
Cena final em que desfila os símbolos da Dádiva e das Mitologias Íbero-afro-árabe-ameríndias... É o retorno simbólico de D. Sebastião, metamorfose do Boi Encantado e de Dionísio, na praia dos Lençóis... Areia, vento, maresia, vinho, sangue, espuma do mar...
Todos estes elementos simbólicos são metáforas da magia encantatória da imaginação. A Graça do Espírito Santo é o nome do Reino da Imaginação em cada um.

FIM DO ROTEIRO DAS CENAS.

Fontes Mitológicas da Peça Barroca em Sete Cenas Mágicas:

Trata-se de um espetáculo em que a mensagem simbólica e alquímica pode ser resumida numa frase: “É impossível viver sem imaginação, sem graça, sem alegria, sem lendas e mitologias”.
A luta contra o esvaziamento da existência humana, promovida pela lógica cultural dominante: a tecnocracia.
Sem Imaginação não é possível a vida humana na Terra e no Cosmo.

Fontes Mitológicas e Poéticas:

1. Procura-se encenar a fantasia de uma possível reencarnação de Dionísio no Reino dos Lençóis Maranhenses (Mitologia Grega e Barroca).
2. Exercício de Patafísica, de Alfred Jarry: Capítulo da Grande Ciência e Arte Teatral das Soluções Imaginárias.
3. Teatro Alquímico de Antonin Artaud (Teatro e seu Duplo).
4. Dança de Isadora Duncan, sobre os Mistérios de Eleusis (Mitologia Grega).
5. A Sagração da Primavera de Igor Stravinsky.
6. Festa do Divino Espírito Santo (Mitologia Barroca).
7. O Ensaio sobre a Dádiva de Marcel Mauss (Antropologia Cultural).



Os Elementos Simbólicos da Peça podem ser encontrados no Livro MENSAGEM de Fernando Pessoa. Nesse texto aparecem:

Terceira Parte – O Encoberto:
I – Os Symbolos:
D. Sebastião
O Quinto Império
O Desejado
As Ilhas Afortunadas
O Encoberto.

Nota Preliminar (Fernando Pessoa):

O Entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia: não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada – todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-las, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo: tem, porém que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.

Personagem Protagonista – Herói da Nova Mitologia:

Um ser Andrógino que representa o ser humano neutro (masculino e feminino).
Uma nova musculatura: metamorfose da máquina humana.  

BIBLIOGRAFIA

ARTAUD, Antonin. O teatro e seu duplo. São Paulo: Max Limonad, 1987.
BURN, Lucilla. Mitos gregos. São Paulo: Moraes. 1992.
CHEVALIER, Jean. Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio. 1991.
CIRLOT, Juan-Eduardo. Dicionário de símbolos. São Paulo: Moraes. 1984.
CORRÊA, Alexandre. Barroco: conceito em perspectivas. Ciências Humanas em Revista. v. 2, n. 1. São Luís: Edufma/Universidade Federal do Maranhão. Centro de Ciências Humanas, 2004. p. 153-163.
MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: EDUSP. 2v. 1974.
PAVIS, Patrice.  A análise dos espetáculos. São Paulo: Perspectiva, 2003.
PESSOA, Fernando. O eu profundo e os outros eus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
SARDUY, Severo. Barroco. Lisboa: Veja, 1989.

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